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Confira nosso papo com Fraga e Hizal sobre o incidente na Eau Rouge

Confira nosso papo com Fraga e Hizal sobre o incidente na Eau Rouge

 

Dois campeões disputando posições no trecho mais perigoso

 

Indubitavelmente, cada vez mais a FIA Gran Turismo Championship (FIAGTC) sobe de nível. Agora, não apenas as vitórias ganham destaques, como as manobras em pista também. Dessa forma, durante a prova em Spa Francorchamps, uma manobra causou polêmica, repercutindo tanto quanto a vitória da etapa. Aqui iremos nos aprofundar sobre o incidente envolvendo Igor Fraga e Mikail Hizal na Eau Rouge. Para isso, contaremos com a ajuda de alguns profissionais da área do automobilismo virtual. Confira abaixo.

 

Afinal, o que aconteceu na Eau Rouge? Entenda

Como dito na matéria anterior, Spa Francorchamps é aquela pista que separa os pilotos comuns dos campeões. Além disso, a Eau Rouge é o trecho mais rápido, desafiador e perigoso de toda a Fórmula 1. Agora, tente imaginar uma disputa entre dois campeões pela primeira posição.

 

Confira nosso papo com Fraga e Hizal sobre o incidente na Eau Rouge

 

Então, foi o que aconteceu na volta 17, onde Mikail Hizal teve de quebrar seu ritmo no meio da Eau Rouge, pois Igor Fraga havia feito o mesmo. Com isso, o brasileiro se manteve na liderança, ganhando a corrida. O resultado foi um alemão furioso no pós prova. Para iniciar o debate, vamos ouvir as declarações dos pilotos.

 

Igor Fraga e a estratégia perfeita

Embora Igor Fraga seja o campeão da FIAGTC 2018, vencedor da etapa Logitech G Challanger GT no Brasil e do McLaren Shadow Project, é sempre bom lembrar da sua larga experiência nas pistas. Desse modo, acredite! Isso faz diferença na hora de montar a estratégia naquele momento pré-corrida, afinal uma boa estratégia de pitstop pode ser a chave para a vitória. Com isso, a Trecobox procurou Fraga, que nos respondeu assim:

 

Bem, todos nós no grid corremos para ganhar. As corridas do GT estão cada vez mais difíceis de vencer. Os competidores estão realmente evoluindo a cada tour e isso torna mais desafiante vencer.

Eu tinha uma estratégia de troca de pneus e abastecimento diferente dos outros que estavam largando na frente e consegui fazer tudo o que era necessário para que funcionar. Corro na vida real desde os meus 3 anos e meio e uma das lições que aprendemos desde cedo no kart é que às vezes devemos aliviar o pé para termos chance.

 

Para ilustrar um pouco melhor o argumento do Igor Fraga, fizemos uma tabela para comparar ambas as estratégias.

 

Pitstop  Volta Pneus  Combustível   diferença de tempo entre eles
 Hizal 1  8  Médios – Duros 49 – 66  22″
Fraga 1 9  Macios – Duros 21 -6″
Hizal 2 11 Duros – Macios 37 – 74 37″
Fraga 2 11 Duros – Médios 4 – 81 – 3″

 

De acordo com a tabela, a estratégia de pneus de Fraga permitiu uma ampla vantagem na primeira parte da corrida. Por outro lado, a mesma estratégia de Hizal permitiria um maciço ataque no final da prova. Contudo, o fator de desempate ficou na diferença de combustível entre os dois. Dessa forma, o piloto alemão teria 7 L de combustível a menos, e isso obrigaria uma economia de combustível. Então, para evitar outro pitstop, ele teria que pilotar moderadamente.

O que deixou Mikail Hizal tão bravo?

 

 

Segundo declarações de Hizal à nossa equipe, ele estava ciente da sua situação. Portanto, sabia que precisaria passar Fraga o mais rápido possível e assim abrir vantagem suficiente para poder economizar combustível próximo do fim da prova. Contudo, sua maior frustração e raiva ocorreram por dois motivos. O primeiro deles foi a desaceleração de Fraga na Eau Rouge. Essa ação o fez ter que frear para evitar um acidente mais grave, resultando numa certa vantagem para o piloto brasileiro. Fraga chegou a admitir logo após a prova que sua intenção era forçar que Hizal reduzisse o seu ritmo, assim evitando um ataque na Kemmel Straight. O que nos leva ao segundo motivo.

 

“A razão pela qual eu estava tão furioso nas últimas voltas foi que eu esperava ver uma notificação aparecendo e dizendo ‘Incidente entre Igor e Mikail vai ser investigado'”.

 

“Obviamente, quando eu estava economizando combustível nas últimas voltas, eu sabia que nunca haveria uma penalidade por Igor. Talvez uma penalidade de 5 segundos, mas por causa da necessidade de economizar combustível, eu não poderia fazer muita coisa.”

 

Para Hizal, se esse mesmo incidente tivesse ocorrido numa corrida real as consequências para ambos poderiam ser piores. Vale lembrar que Igor Fraga até recebeu uma penalidade de 5 segundos após a corrida. Por outro lado, isso não alterou em nada o resultado da prova.

 

O que dizem os profissionais da área do Automobilismo virtual

Para Felipe Mafra, Piloto de Iracing e produtor do Podcast semanal Sim Racing News, a ação do piloto brasileiro foi desleal.

 

“As disputas entre o Hizal e Fraga naquelas duas voltas foram controversas. Entendo a frustração do alemão e considero a manobra do brasileiro, de desacelerar na saída da Eau Rouge, desleal.

É uma situação que não vemos acontecer no real porque seria extremamente perigosa, já que ali é um ponto de alta velocidade. Acaba que esse lance fere a simulação do evento. Acredito que se o GT Sport tivesse danos mecânicos nos carros, esse tipo de incidente seria evitado. O risco de perder uma asa traseira, por exemplo, não compensa uma tirada de pé na saída da Eau Rouge.”

 

Para Georg Herrmann (GTHerrmann) é compartilhada a mesma ideia:

 

“Esse tipo de atitude numa corrida real teria talvez consequências como as do Stefan Bellof.”

 

Já o jornalista francês, Sylvain Gauthier ,do site Le Mag Sport Auto, acredita que a penalidade deveria ter sido maior.

 

“Você quer dizer sobre Fraga – Hizal? Bem, primeiro você não tem que estar com metade do acelerador em linha reta, especialmente na Raidillon [segundo trecho da Eau Rouge]. Mas o GT não precisaria dar uma penalidade no final da corrida. Se eles tivessem dado a penalidade ao Igor Fraga durante a corrida, o final teria sido muito diferente. E deveria ter sido 10 segundos de penalidade, como Latkovski. Por ter sido injusto e bloqueado um piloto, deveria até levar a um desqualificação por mim.”

 

O Gran Turismo é um Simcade

Ainda que visualmente a franquia automobilística exclusiva da PlayStation seja bem realista,  durante a FIAGTC a história é outra. Embora o Gran Turismo seja  um Simcade nível hard, cujas colisões geram  danos aos carro, durante a competição as mesmas não modificam tanto o desempenho. Por exemplo, o acidente que Latkovski sofreu na volta 14 o tiraria da prova.

 

Confira nosso papo com Fraga e Hizal sobre o incidente na Eau Rouge

 

Porém, segundos depois ele estava de volta à pista, algo improvável de acontecer em um simulador. Além disso, seu retorno sem qualquer cuidado, tirou o Miyazono da pista desnecessariamente.

 

Confira nosso papo com Fraga e Hizal sobre o incidente na Eau Rouge

 

Dessa forma, se não fosse a punição de 10 segundos, fisicamente o carro de Latkovski continuaria a corrida sem problemas. Talvez, a partir de agora, principalmente depois de incidentes assim, Kazunori Yamauchi deva estar planejando mudanças. Afinal, ninguém arriscaria tanto se os danos fossem altos.

 

A próxima etapa da FIAGTC acontecerá no Red Bull Hangar-7 Salzburg nos dias 13 e 14 de setembro. Mas, enquanto a data não chega, conta pra gente nos comentários o que vocês acharam de tudo isso.

 

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Um geólogo nascido no Rio. Apaixonado por filmes, séries, videogame. Produtor de stories no Instagram. curioso pra caramba. Não sei muito bem o que tô fazendo aqui, me convidaram porque devo ser legal, nunca saberei.

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