Filme com 96% de aprovação no Prime Video desafia tudo o que se espera de um romance

Entre tantos filmes disponíveis nos streamings, algumas produções conseguem permanecer relevantes mesmo anos depois da estreia. É o caso de um drama europeu que conquistou 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e ainda recebeu reconhecimento em Cannes e no Oscar.
Disponível no Prime Video, A Pior Pessoa do Mundo acompanha uma mulher próxima dos 30 anos que começa a questionar praticamente tudo: profissão, relacionamento, maternidade e os planos que imaginava ter para o futuro.
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O ponto de partida pode lembrar um romance tradicional, especialmente quando um novo homem aparece na vida da protagonista. Mas o diretor Joachim Trier utiliza essa situação para construir algo bem mais complexo.
Em vez de simplesmente perguntar com quem Julie ficará, A Pior Pessoa do Mundo acompanha o que acontece quando alguém percebe que talvez tenha construído uma vida baseada em escolhas que já não parecem fazer sentido.
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Por que A Pior Pessoa do Mundo conquistou a crítica?
Lançado originalmente em 2021, A Pior Pessoa do Mundo acompanha Julie, interpretada por Renate Reinsve. Ela é uma jovem inteligente e inquieta que está entrando em uma fase da vida na qual as decisões começam a parecer mais definitivas.
Julie inicialmente acredita que seguirá determinada carreira, mas muda de direção. Depois muda novamente. A mesma instabilidade aparece quando ela pensa sobre relacionamentos e sobre aquilo que espera dos próximos anos.
Seu namorado, Aksel, interpretado por Anders Danielsen Lie, vive um momento bastante diferente. Mais velho e estabelecido profissionalmente, ele trabalha como autor de histórias em quadrinhos e começa a pensar seriamente sobre formar uma família.
Julie não demonstra a mesma certeza.
Essa diferença passa a ocupar cada vez mais espaço entre os dois. Enquanto Aksel parece enxergar com clareza aquilo que deseja para o futuro, Julie ainda tenta descobrir se realmente quer seguir aquele caminho.
É justamente nesse desconforto que o filme encontra boa parte de sua força.
A protagonista não é construída para ser sempre agradável ou para tomar as decisões que o espectador considera corretas. Julie erra, muda de ideia, age por impulso e, em determinados momentos, machuca pessoas próximas.
O roteiro também não tenta justificar todas essas atitudes.
Essa abordagem faz com que ela pareça menos uma personagem criada para uma história romântica e mais uma pessoa atravessando uma fase confusa da própria vida.
A situação se complica quando Julie conhece Eivind, interpretado por Herbert Nordrum, durante uma festa.
Existe uma atração imediata entre os dois. A sequência começa quase como uma brincadeira sobre os limites da infidelidade, mas acaba funcionando como um ponto de transformação na trajetória da protagonista.
A partir dali, Julie passa a reconsiderar com ainda mais intensidade o relacionamento com Aksel.
Quem espera que A Pior Pessoa do Mundo se transforme simplesmente em uma história sobre escolher entre dois homens, entretanto, encontra outra coisa.
O verdadeiro conflito nunca está apenas nos relacionamentos.
Um romance que fala muito mais sobre escolhas
Julie está tentando descobrir qual versão de si mesma deseja levar adiante.
Esse é um dos motivos pelos quais A Pior Pessoa do Mundo conseguiu se destacar entre os filmes de romance lançados nos últimos anos. A história utiliza relacionamentos como ponto de partida para discutir questões maiores sobre amadurecimento.
Existe uma pressão silenciosa acompanhando a protagonista.
Ao se aproximar dos 30 anos, determinadas decisões deixam de parecer distantes. A possibilidade de ter filhos, por exemplo, passa a ocupar um espaço diferente quando Julie percebe que Aksel pensa seriamente em construir uma família.
A carreira também se torna fonte de inquietação.
Julie experimenta caminhos diferentes e parece constantemente fascinada pela possibilidade de recomeçar. O problema é que cada novo começo também significa abandonar alguma coisa.
Joachim Trier não transforma essa instabilidade em uma lição moral.
O filme não diz que Julie deveria escolher estabilidade nem sugere que mudar constantemente seja necessariamente um sinal de liberdade. Em vez disso, acompanha as consequências das decisões tomadas por ela.
É justamente essa ambiguidade que torna a personagem interessante.
O próprio título, A Pior Pessoa do Mundo, brinca com a tendência de julgar escolhas alheias como se existisse uma maneira correta de organizar carreira, amor e família.
Em determinados momentos, Julie pode parecer egoísta. Em outros, suas inseguranças são extremamente compreensíveis.
O espectador é colocado no meio dessas contradições.
Dos 96% de aprovação ao reconhecimento em Cannes e no Oscar
A repercussão internacional de A Pior Pessoa do Mundo ajuda a entender por que a produção continua aparecendo entre recomendações de filmes mesmo anos depois do lançamento.
No Rotten Tomatoes, o longa alcançou 96% de aprovação da crítica. A avaliação do público também ficou em nível elevado, demonstrando que a recepção positiva não ficou limitada aos especialistas.
Outro importante reconhecimento aconteceu no Festival de Cannes de 2021.
Renate Reinsve recebeu o prêmio de Melhor Atriz por sua interpretação de Julie. A conquista ajudou a colocar a atriz norueguesa no centro das atenções internacionais e reforçou um dos maiores méritos do longa.
Julie poderia facilmente se tornar uma personagem irritante nas mãos de outra intérprete.
Reinsve, porém, consegue equilibrar confiança e insegurança. Em uma cena, sua personagem parece completamente convencida de uma decisão; pouco depois, pequenas expressões mostram que talvez nem ela saiba se acredita no caminho escolhido.
O reconhecimento continuou na temporada de premiações.
A Pior Pessoa do Mundo recebeu duas indicações ao Oscar de 2022. A produção disputou a categoria de Melhor Filme Internacional, representando a Noruega, enquanto Joachim Trier e Eskil Vogt foram indicados a Melhor Roteiro Original.
A indicação ao roteiro foi particularmente significativa porque colocou a produção ao lado de alguns dos trabalhos mais celebrados daquele ano.
A estrutura em capítulos torna a história diferente
Outro detalhe que diferencia o longa de muitos filmes românticos é sua estrutura.
A trajetória de Julie é dividida em prólogo, 12 capítulos e epílogo. Cada segmento funciona quase como um pequeno retrato de determinado momento de sua vida.
Isso permite que o tom mude bastante.
Há passagens engraçadas e situações desconfortáveis, além de momentos românticos, melancólicos e profundamente dramáticos. A produção consegue transitar entre esses registros sem parecer formada por histórias desconectadas.
Oslo também ocupa um papel importante.
A capital norueguesa acompanha as diferentes fases da protagonista por meio de apartamentos, ruas, festas e caminhadas. Joachim Trier utiliza a cidade como parte da experiência emocional de Julie.
Uma das cenas mais conhecidas do longa leva essa ideia ainda mais longe ao transformar Oslo em uma representação visual do desejo da protagonista de interromper temporariamente o mundo ao seu redor.
É um momento criativo que ganhou destaque desde o lançamento e representa bem a maneira como Trier combina realismo com pequenas intervenções estilísticas.
Apesar dessas escolhas, o diretor evita transformar a produção em algo excessivamente experimental.
A narrativa permanece acessível e depende principalmente dos personagens.
Vale a pena assistir ao filme ‘A Pior Pessoa do Mundo’ no Prime Video?
A Pior Pessoa do Mundo tende a funcionar melhor para quem procura filmes sobre personagens e relacionamentos do que para espectadores interessados em um romance convencional.
Não existe aqui a estrutura confortável de duas pessoas destinadas a ficar juntas enfrentando obstáculos até alcançar o final esperado.
O longa está muito mais interessado nas consequências das escolhas.
Conforme Julie avança pela vida adulta, algumas decisões que pareciam reversíveis começam a ganhar outro peso. O filme também muda gradualmente de tom, levando a história para territórios mais delicados do que a primeira parte poderia sugerir.
Isso explica por que definir A Pior Pessoa do Mundo apenas como comédia romântica seria insuficiente.
Existe humor, especialmente nas situações sociais e nas contradições da protagonista. Existe romance, evidentemente. Mas também há melancolia, arrependimento, medo do envelhecimento e uma reflexão sobre o tempo perdido.
A relação entre Julie e Aksel se torna especialmente importante nesse sentido.
A diferença de idade inicialmente parece apenas um detalhe do casal, mas ganha novas camadas conforme os dois percebem que estão enfrentando momentos diferentes da vida.
Aksel carrega certezas que Julie ainda não possui. Ao mesmo tempo, algumas dessas certezas começam a ser confrontadas por acontecimentos que nenhum deles pode controlar.
O resultado é uma história que se recusa a dividir personagens entre certos e errados.
Onde assistir ao filme no Brasil?
Para o público brasileiro, A Pior Pessoa do Mundo pode ser encontrado no Prime Video. Como ocorre com outros títulos disponíveis na plataforma, as condições de acesso podem variar conforme o período e a modalidade oferecida no catálogo.
Por isso, vale observar se o título aparece incluído diretamente na assinatura, por meio de canal adicional ou nas opções de aluguel e compra apresentadas pela plataforma.
Com aproximadamente duas horas de duração, o longa é uma alternativa para quem procura filmes mais centrados em diálogos, personagens e conflitos cotidianos.
O reconhecimento internacional também não é pequeno: são 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, prêmio de Melhor Atriz em Cannes para Renate Reinsve e duas indicações ao Oscar.
Mesmo assim, essas credenciais não são o principal motivo para a produção continuar chamando atenção.
A Pior Pessoa do Mundo permanece atual porque fala sobre uma sensação difícil de limitar a determinada geração: a descoberta de que nenhuma escolha vem acompanhada da garantia de que era a escolha certa.
Julie muda de carreira, questiona seus relacionamentos, pensa sobre maternidade e tenta entender o que espera do futuro. Algumas decisões funcionam. Outras deixam consequências.
É justamente aí que o título ganha sentido.
A pior pessoa do mundo talvez não seja alguém especialmente cruel ou extraordinário. Às vezes, pode ser apenas a maneira como alguém se enxerga depois de perceber que suas escolhas também afetaram outras pessoas.
Entre os filmes disponíveis no Prime Video, o longa de Joachim Trier se diferencia ao transformar essa experiência desconfortável em uma história que mistura romance, humor e melancolia sem oferecer soluções simples — e os 96% de aprovação mostram o tamanho da repercussão alcançada pela produção.
Imagem: Reprodução Prime Video




