Trazendo a vida do lendário escritor Pablo Neruda, filme da Netflix surpreende a audiência
Com um grande elenco e uma história sensacional, o filme Neruda se tornou um dos grandes destaques da Netflix nas últimas semanas. A produção biográfica é uma das mais elogiadas do gênero, retratando a vida do escritor chileno de forma magnífica, revelando uma das passagens mais importantes da sua vida.
Neruda traz história surpreendente sobre a vida do escritor chileno
Neruda, dirigido por Pablo Larraín, é um filme que foge do convencional em sua concepção. Ele retrata a perseguição real ao poeta Pablo Neruda, ocorrida no final dos anos 1940, porém, ao invés de se ater aos acontecimentos de forma estritamente factual, utiliza uma abordagem essencialmente lírica. Larraín deliberadamente trai a rigidez dos fatos, conferindo à trama uma atmosfera poética, aproximando-se do universo em que o protagonista se tornou um gigante.
Essa inclinação vertiginosa em direção à ficção como uma instância de potência simbólica parte da escolha do narrador, que frequentemente se coloca em um estado de fascinação diante de Neruda, a quem ele tem a obrigação de capturar. Óscar, interpretado por Gael García Bernal, é o inspetor cujo personagem é moldado para parecer propositalmente uma caricatura, como se tivesse saído dos romances policiais baratos que o próprio fugitivo apreciava durante suas aventuras clandestinas pelo Chile.
Para Larraín, a lei, representada pelo filho ilegítimo do meretrício, é digna de zombaria, mas ao mesmo tempo guarda as tragédias que lhe conferem poder. O filme lança um olhar crítico sobre o sistema e as instituições, explorando as contradições e os paradoxos existentes dentro delas. Através dessa abordagem poética e metafórica, Neruda transcende a mera reconstituição histórica, buscando uma compreensão mais profunda dos personagens e das complexidades da condição humana.
Fãs consideram filme incrível, mas veem protagonista diferente do real
Segundo os admiradores do poeta, o Neruda interpretado por Luis Gnecco flerta, e às vezes se entrega abertamente, à caricatura. Raúl Bulnes, presidente da Fundação Pablo Neruda, aponta que o filme adota os clichês do antinerudismo, retratando-o como um “comunista burguês“, frívolo, bon vivant, uma espécie de político superficial e moderno. Essa abordagem vai contra a imagem do Neruda defensor dos pobres, do poeta engajado e lutador, do artista profundo que escreveu o Canto General, obra pela qual recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
No entanto, é importante ressaltar que Larraín, como ficcionista, tem liberdade para tomar essas licenças ficcionais em relação ao personagem. Sua intenção não parece ser a desconstrução de um ídolo, mas sim mostrar Neruda em sua dimensão humana, retirando a tonalidade épica que muitas vezes lhe é atribuída. O filme retrata o poeta como alguém sujeito a fraquezas e desejos, como todo ser humano. Ele é poderoso em alguns momentos, mas também frágil em outros, e anseia por reconhecimento, assim como qualquer um. Essa abordagem não diminui sua grandeza, pelo contrário, revela sua complexidade. Isso pode incomodar aqueles que aspiram a super-heróis inatingíveis, mas é apenas um incômodo de pessoas que ainda têm uma visão infantilizada da realidade.
Imagem: O Globo
Conheça o elenco de Neruda, grande sucesso da Netflix
Com direção de Pablo Larraín, Neruda contou com grandes estrelas de Hollywood, onde o grande destaque é o ator Gael García Bernal. Além dele, o longa conta com Luis Gnecco, Mercedes Morán, Emilio Gutiérrez Caba, Diego Muñoz, Alejandro Goic, Pablo Derqui e Marcelo Alonso.
Assista ao trailer de Neruda, incrível filme que está se destacando na Netflix