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Review TBX | Eu, Tu e Ela: Uma comédia sobre o poliamor

Quando uma terceira pessoa pode ser o que falta para o relacionamento.

 

Dentre os blockbusters da Netflix as vezes se escondem pérolas que valem a pena acompanhar e recomendar. Títulos que apesar de pouco conhecidos são materiais de qualidade encobertos pela vastidão de produções que até dificultam nossa escolha frente as telinhas.

É o caso de You Me Her, também chamado de Eu, Tu e Ela, uma série original Netflix que aborda de maneira leve e cômica, o tabu do poliamor.

 

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O título conta a história de Emma e Jack Trakarsky, um casal que carrega consigo alguns anos bem vividos de casamento e passa a ver o relacionamento esfriar gradativamente, no que diz respeito a sexo e atração que sentem um pelo outro.

 

 

A terapia de casal não está surtindo tanto efeito, onde chegam até a mentir durante as sessões diante do desastre que encaram estar vivendo. Mesmo assim os dois lutam para manter viva a relação, pois se tem uma coisa da qual não têem dúvida é o amor que sentem entre si.

 

 

Com a melhor das intenções (e acredite, de fato é boa a intenção) Jack Trakarsky (Greg Poehler) sai em busca de uma acompanhante para recuperar um pouco do vigor que há muito não sentia. Em uma conversa descontraída, ele consegue desabafar com a bela garota e no final do encontro acabam se beijando. Coisa que não estava programada para nenhum dos dois. Culpado, ele conta tudo para Emma (Rachel Blanchard) assim que chega em casa, e no dia seguinte, ela sai em busca da mesma acompanhante para conhecer quem está ameaçando a sua relação. Mais uma vez o tiro sai pela culátra, e num rompante durante um almoço, rola muito mais do que uma simples conversa.

 

 

Com a libído a flor da pele, Emma e Jack reacendem a chama que havia se perdido no casamento, voltando com o sexo e a atração a todo o vapor. Em contrapartida, Izzy (Priscilla Faia), a acompanhante, ao descobrir que os seus dois últimos clientes formavam na verdade um casal, passa a se sentir culpada e confusa quanto as suas atitudes.

 

 

No entanto, Emma e Jack passam a sentir falta da acompanhante e decidem inseri-la no relacionamento inicialmente como um estímulo. Emma descobre esse novo lado da sexualidade, enquanto Jack desvenda os mistérios de viver ao mesmo tempo dois amores. Juntos, os três irão vivenciar e apresentar no decorrer da série os prazeres e os desafios do que ficou conhecido como poliamor.

 

 

A série aborda com naturalidade o que em muitos lugares é conhecido como um tabu dentro dos relacionamentos. E ao mesmo tempo consegue expor uma realidade comum dos tempos atuais quebrando preconceitos, sem precisar levantar bandeira ou ser muito didático. O desenrolar da série cômica te faz pensar, ao mesmo tempo que o coloca num momento leve e descontraído frente a TV.

 

 

A questão da bissexualidade também é abordada de maneira natural. O que pode despertar o questionamento de muitos telespectadores quanto ao fato da personagem Emma não fazer dentro de si aquela “tragédia grega”, que é comum dos filmes de gênero LGBT. Isso na verdade mostra maturidade do enredo, que lida com o tema evidenciando algo comum da nossa contemporaneidade, nos fazendo assimilar as possibilidades a serem exploradas dentro de um relacionamento como algo bom e construtivo, e não como algo errado que os mais conservadores costumam pregar. Além disso, Emma é uma personagem madura, que já passou dos seus trinta e poucos anos e começa a inclusive se preocupar com o que esteticamente é envelhecer.

 

 

O poliamor é o grande foco do título. Onde intuito não é descartar a ideia de que um relacionamento a dois pode dar certo. Pelo contrário, ele pode e dá de fato muito certo para muitos casais. No entanto o título abre possibilidades para que a ideia de um relacionamento a três, a quatro ou quantas pessoas em comum acordo quiserem assumir, pode também dar muito certo, tanto quanto os casamentos monogâmicos. E isso é o mais legal da abordagem do tema, apresentar os desafios dessa nova configuração de relacionamento, abrindo o leque de possibilidades, ao invés de defender uma causa isoladamente. E tudo de uma maneira divertida e descontraída.

 

 

A ficha técnica desta comédia canadense conta com John Scott Shepherd como criador, e produção da JSS EntertainmentAlta Loma EntertainmentEntertainment One e AT&T Originals. A exibição fica por conta da Audience Network nos Estados Unidos e pela Netflix aqui no Brasil.

 

 

Assim como Santa Clarita Diet, os episódios tem em média 30 minutos de duração desprendidos de qualquer ambição de tornar-se a sua série favorita. Porém cumpre o que se propõe, no momento que fazem valer o seu precioso tempo destinado a se entreter com um bom conteúdo. E corra! A série já está em sua segunda temporada.

 

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Vá de mente aberta. Selo de recomendação concedido!

 

 

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Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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