Oscar 2027: conheça os 15 filmes brasileiros que disputam a vaga

O cinema brasileiro já conhece os 15 filmes inscritos na seleção que definirá o representante do país no Oscar 2027. A relação divulgada pela Academia Brasileira de Cinema reúne produções de ficção e documentários com histórias sobre memória, desigualdade, racismo, luto, identidade, ambição e acontecimentos históricos.
Os títulos ainda não são indicados ao Oscar. Neste momento, eles participam de uma disputa interna conduzida pela entidade responsável por escolher a produção brasileira enviada à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, nos Estados Unidos.
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A primeira votação acontecerá em 9 de setembro, quando a lista será reduzida a seis filmes. O representante oficial do Brasil será anunciado em 16 de setembro. Depois disso, o longa escolhido precisará superar outras etapas até conquistar uma possível indicação na categoria de Melhor Filme Internacional.
A 99ª edição do Oscar está marcada para 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Hollywood. Conheça os filmes brasileiros que estão na disputa e entenda como funciona o caminho até a premiação.
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Quais são os filmes brasileiros inscritos para o Oscar 2027?
A seleção brasileira apresenta uma combinação de cineastas experientes, novos realizadores, produções históricas e narrativas contemporâneas. Entre os concorrentes estão filmes dirigidos por nomes como Carlos Saldanha, Antonio Pitanga, Eliza Capai, Gabriel Martins e Grace Passô.
100 Dias
Dirigido por Carlos Saldanha, 100 Dias acompanha a histórica travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul. Sozinho em um pequeno barco a remo, o navegador deixou a costa da África e seguiu até o Brasil em uma viagem que colocou à prova seus limites físicos e emocionais.
O filme transforma a aventura marítima em uma jornada pessoal. Além dos perigos do oceano, o protagonista precisa enfrentar a solidão, o medo e lembranças relacionadas à própria família. A produção combina sobrevivência, drama e a reconstrução cinematográfica de uma realização conhecida internacionalmente.
A Conspiração Condor
Com direção de André Sturm, A Conspiração Condor parte das mortes de dois ex-presidentes brasileiros durante o período da ditadura militar. A história acompanha um jornalista que investiga o acidente de carro responsável pela morte de Juscelino Kubitschek.
Quando João Goulart também morre meses depois, o personagem passa a desconfiar de uma possível articulação política por trás dos acontecimentos. O suspense dialoga com a Operação Condor, aliança repressiva estabelecida entre regimes militares da América do Sul.
A Fabulosa Máquina do Tempo
O documentário de Eliza Capai acompanha meninas que vivem no sertão do Piauí e estão atravessando a passagem da infância para a adolescência. Entre redes sociais, cultos religiosos e sonhos sobre o futuro, elas imaginam uma máquina capaz de viajar pelo tempo.
A brincadeira permite que as jovens revisitem as experiências de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e pela desigualdade. Ao mesmo tempo, elas projetam um futuro no qual possam conquistar independência, liberdade e novas possibilidades de vida.
A Natureza das Coisas Invisíveis
Dirigido por Rafaela Camelo, A Natureza das Coisas Invisíveis apresenta o encontro entre duas meninas em um hospital. Glória passa as férias no local onde sua mãe trabalha como enfermeira, enquanto Sofia acompanha a internação da bisavó.
As duas desenvolvem uma amizade em meio à doença e à proximidade da despedida. A narrativa aborda a maneira como as crianças compreendem o luto, os vínculos familiares e as transformações que não conseguem controlar.
Ato Noturno
Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, acompanha um ator ambicioso e um político em ascensão que mantêm um relacionamento escondido. A exposição pública que poderia comprometer suas carreiras também alimenta o desejo dos dois pelo risco.
Conforme ganham notoriedade, os personagens passam a testar os limites entre vida íntima, poder e imagem pública. O longa utiliza elementos de suspense e erotismo para discutir ambição, repressão e as consequências de uma existência baseada em segredos.
Cinco Tipos de Medo
Bruno Bini dirige Cinco Tipos de Medo, drama inspirado em histórias reais que conecta personagens aparentemente distantes. A trama apresenta Murilo, um jovem músico que enfrenta o luto, e Marlene, enfermeira presa a um relacionamento abusivo com um traficante.
As trajetórias dos dois se cruzam com as de uma policial movida pela vingança e de um advogado com intenções pouco claras. A produção acompanha cinco vidas colocadas em uma sequência de decisões violentas e difíceis de reverter.
Dolores
Dirigido por Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes, Dolores acompanha três gerações de mulheres em busca de mudanças. Perto de completar 65 anos, Dolores acredita que se tornará proprietária de um cassino bem-sucedido, apesar de seu histórico de dependência em jogos.
Sua filha, Deborah, espera que o namorado deixe a prisão para começar uma vida diferente. A neta Duda, por sua vez, vê em uma oportunidade de trabalho nos Estados Unidos uma possível saída. Os sonhos das três revelam os riscos de apostar tudo em promessas de transformação.
Feito Pipa
Com direção de Allan Deberton, Feito Pipa conta a história de Gugu, um menino de 12 anos apaixonado por futebol. Criado pela avó Dilma, professora aposentada que lhe oferece uma rotina afetuosa e livre, ele mantém uma relação complicada com o pai ausente.
O conflito ganha força quando surge a possibilidade de Gugu passar a morar com o pai. A produção trata de infância, masculinidade, cuidado familiar e das expectativas impostas a uma criança que começa a formar sua própria identidade.
Herança de Narcisa
Dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, Herança de Narcisa acompanha Ana após a morte de sua mãe, uma conhecida vedete chamada Narcisa. A protagonista pretende vender a casa onde cresceu e dividir o dinheiro com o irmão mais novo.
A situação muda quando sinais da presença da falecida começam a surgir no imóvel. O passado familiar, que parecia enterrado, retorna para mostrar que Narcisa ainda exerce influência sobre a filha. O filme combina drama familiar e elementos sobrenaturais.
Nosso Segredo
A estreia de Grace Passô na direção de um longa-metragem apresenta uma família negra que tenta recuperar a rotina depois de uma perda. Cada integrante encontra uma maneira diferente de evitar a dor, dificultando a comunicação dentro de casa.
O filho mais novo guarda um segredo relacionado às raízes do sofrimento vivido pela família. A partir dessa descoberta, os personagens precisam confrontar o passado e procurar uma forma coletiva de lidar com o luto.
O Rei da Internet
Dirigido por Fabrício Bittar, O Rei da Internet é inspirado na trajetória de Daniel Nascimento, hacker brasileiro que ganhou notoriedade por participar de atividades criminosas capazes de movimentar milhões de reais.
A história mostra a ascensão do jovem, a aproximação com uma organização criminosa e uma rotina marcada por luxo e ostentação. A prisão em uma operação da Polícia Federal expõe o outro lado dessa busca por dinheiro, reconhecimento e poder no ambiente digital.
Quando Vira a Esquina
O documentário de Chris Alcazar escuta profissionais do sexo que trabalham na Vila Mimosa, conhecida zona de prostituição do Rio de Janeiro. O projeto foi desenvolvido a partir de uma relação de confiança entre a equipe e as mulheres retratadas.
Em vez de observar as personagens à distância, o filme abre espaço para que elas contem as próprias histórias. A obra aborda preconceito, sobrevivência, relações de trabalho, vulnerabilidade e questões femininas normalmente escondidas do debate público.
Malês
Dirigido por Antonio Pitanga, Malês recupera um dos acontecimentos mais importantes da resistência negra no Brasil. Ambientada em Salvador, em 1835, a história acompanha dois jovens muçulmanos africanos que são sequestrados, escravizados e separados.
A busca pelo reencontro ocorre durante a organização da Revolta dos Malês, considerada a maior insurreição de africanos escravizados no país. O filme coloca personagens negros no centro de uma narrativa sobre coragem, fé, liberdade e enfrentamento ao sistema escravista.
Papagaios
Com direção de Douglas Soares, Papagaios apresenta Tunico, homem conhecido por aparecer atrás de repórteres durante transmissões televisivas. Ele é o típico “papagaio de pirata”, sempre procurando uma oportunidade para ser visto pelas câmeras.
Após um acidente grave, Tunico conhece Beto, um jovem misterioso que se torna seu aprendiz. O encontro revela o lado mais sombrio da busca pela fama e discute como a televisão pode transformar pessoas comuns em personagens de um espetáculo permanente.
Vicentina Pede Desculpas
Dirigido por Gabriel Martins, Vicentina Pede Desculpas começa com um acidente envolvendo um ônibus lotado em Belo Horizonte. O veículo sai da pista, cai de um viaduto e provoca a morte de quase todos os ocupantes, incluindo Wesley, o motorista.
Imagens de segurança levantam a suspeita de que ele teria provocado o acidente intencionalmente. Abalada, Vicentina, mãe de Wesley, decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas. O percurso, porém, traz respostas dolorosas e diferentes daquelas que ela esperava encontrar.
Como será escolhido o representante do Brasil?
A escolha é conduzida por uma comissão de 15 integrantes. Segundo a Academia Brasileira de Cinema, 12 membros são eleitos por votação entre os associados da entidade, enquanto outros três são indicados pela diretoria.
No dia 9 de setembro, a comissão selecionará seis produções entre os 15 filmes inscritos. Essa pré-lista funcionará como a etapa final da disputa nacional.
Uma nova reunião será realizada em 16 de setembro para definir o longa enviado oficialmente pelo Brasil. A escolha considera aspectos artísticos, técnicos e estratégicos, incluindo a capacidade de a produção conquistar visibilidade durante a temporada internacional de premiações.
Para participar da seleção, os filmes precisaram cumprir critérios de elegibilidade. Entre eles estava a exibição comercial em salas de cinema durante pelo menos sete dias consecutivos, além da apresentação do Certificado de Produto Brasileiro emitido pela Agência Nacional do Cinema, a Ancine.
A Academia Brasileira também informou que as obras não poderiam ter sido lançadas na televisão ou em plataformas de streaming antes da estreia comercial nos cinemas. O período de lançamento considerado para a seleção nacional vai de 1º de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026.
Ser escolhido pelo Brasil garante uma indicação ao Oscar 2027?
O filme selecionado em setembro não estará automaticamente indicado ao Oscar 2027. Ele apenas se tornará o representante oficial brasileiro na categoria de Melhor Filme Internacional.
As produções enviadas por diferentes países são analisadas por votantes da Academia de Hollywood. Parte delas avança para uma lista preliminar internacional, conhecida como shortlist. Posteriormente, apenas cinco filmes recebem a indicação oficial.
Para a 99ª edição, a shortlist está prevista para 15 de dezembro de 2026. Os indicados ao Oscar 2027 serão anunciados em 21 de janeiro de 2027.
Isso significa que o representante brasileiro terá pela frente uma campanha internacional envolvendo sessões para votantes, presença em festivais, entrevistas, repercussão na imprensa e distribuição no mercado norte-americano.
Brasil chega fortalecido após resultados históricos
A nova seleção acontece em um período de forte exposição do cinema brasileiro no Oscar. Em 2025, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, conquistou a primeira vitória oficial do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional.
O longa também concorreu a Melhor Filme, enquanto Fernanda Torres foi indicada a Melhor Atriz. O resultado ampliou a atenção internacional sobre a produção brasileira e demonstrou a importância de uma campanha bem estruturada.
Em 2026, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Elenco. A produção não venceu, mas manteve o país entre os principais destaques da cerimônia.
O Brasil ainda apareceu naquele ano com a indicação de Adolpho Veloso a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem. Somadas, foram cinco indicações relacionadas a profissionais ou produções brasileiras na edição.
A trajetória brasileira na categoria internacional
A primeira indicação oficial de um representante do Brasil a Melhor Filme Internacional ocorreu com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, na cerimônia de 1963. O longa já havia vencido a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Outros representantes nacionais indicados foram O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro?, Central do Brasil, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Central do Brasil também levou Fernanda Montenegro à disputa de Melhor Atriz em 1999. Ela se tornou a primeira artista brasileira indicada na categoria.
Já Cidade de Deus não avançou como representante brasileiro em Melhor Filme Internacional, mas conquistou quatro indicações na cerimônia de 2004: direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia.
Há ainda o caso de Orfeu Negro, vencedor de Melhor Filme Estrangeiro em 1960. Apesar de ser ambientado no Brasil, falado em português e baseado em uma peça de Vinicius de Moraes, o longa foi inscrito pela França. Por isso, a vitória não é contabilizada oficialmente para o cinema brasileiro.
Quando será anunciado o filme brasileiro no Oscar 2027?
A primeira data importante será 9 de setembro, quando a Academia Brasileira de Cinema divulgará os seis finalistas. O representante oficial do Brasil será conhecido em 16 de setembro.
Depois da escolha nacional, a atenção passará para a shortlist internacional, prevista para dezembro. A lista definitiva de indicados será anunciada em janeiro, enquanto a cerimônia do Oscar 2027 acontecerá em 14 de março.
Até lá, os 15 inscritos representam diferentes caminhos do cinema brasileiro contemporâneo. Mesmo que apenas um seja enviado à disputa internacional, a seleção oferece uma amostra da diversidade de temas, regiões, gêneros e realizadores presentes na produção nacional.
Imagem: Reprodução ComingSoon.net




