Sessão da Tarde de 19 de agosto exibe drama brasileiro baseado em uma história real

A Sessão da Tarde desta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, abre espaço para o cinema nacional com uma produção que transforma a busca desesperada de uma mãe pelo filho em uma poderosa história de resistência.
A Globo exibe Pureza, drama protagonizado por Dira Paes e inspirado na trajetória de Pureza Lopes Loyola. Na década de 1990, a maranhense percorreu fazendas e garimpos procurando o filho Antônio Abel, que havia saído de casa em busca de trabalho.
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Durante essa jornada, ela encontrou trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e decidiu denunciar aquilo que estava presenciando.
A história ultrapassou as fronteiras brasileiras, rendeu reconhecimento internacional à verdadeira Pureza e, décadas depois, chegou ao cinema em um longa premiado.
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Sessão da Tarde exibe Pureza nesta quarta-feira (19)
O filme escolhido para a Sessão da Tarde de 19 de agosto é Pureza, dirigido por Renato Barbieri e protagonizado por Dira Paes.
O longa chegou ao circuito comercial brasileiro em 2022, depois de uma extensa trajetória de desenvolvimento e pesquisa.
Diferentemente de uma história apenas vagamente inspirada na realidade, a produção procurou reconstruir acontecimentos vividos por Pureza Lopes Loyola durante a procura pelo filho.
O diretor Renato Barbieri afirmou, durante a divulgação do longa, que o projeto passou por um longo processo de pesquisa. Ele conversou com a própria Pureza, trabalhadores resgatados e pessoas envolvidas no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
Esse cuidado ajuda a explicar por que o filme mistura características de drama, suspense e denúncia social sem abandonar a trajetória pessoal de sua protagonista.
Sobre o que é o filme Pureza?
A história começa no Maranhão.
Pureza vive uma rotina simples ao lado da família quando Antônio Abel, seu filho caçula, decide sair de casa em busca de oportunidades.
O jovem segue para o Pará, onde pretende conseguir trabalho.
O problema começa quando as notícias deixam de chegar.
Em 1993, preocupada com o desaparecimento do filho, Pureza decide procurá-lo pessoalmente.
Segundo relatos sobre sua trajetória, ela iniciou a viagem levando poucos pertences, além de uma Bíblia e uma fotografia de Abel.
A procura a leva para uma região onde homens eram atraídos por promessas de trabalho e acabavam submetidos a um sistema brutal de exploração.
Pureza se infiltrou em fazendas procurando o filho
Um dos acontecimentos mais impressionantes retratados em Pureza realmente possui ligação com a trajetória da maranhense.
Para conseguir informações sobre Abel, ela passou por fazendas do Pará e chegou a trabalhar como cozinheira.
A estratégia permitiu que observasse de perto o cotidiano dos trabalhadores.
Pureza encontrou homens que haviam viajado em busca de emprego e estavam presos a dívidas que não paravam de crescer.
Alimentação, roupas, medicamentos e outros itens necessários eram cobrados dos trabalhadores.
Em vez de conseguirem juntar dinheiro e voltar para casa, muitos terminavam cada vez mais endividados.
Também existiam relatos de ameaças e violência contra aqueles que tentavam abandonar as propriedades.
A mãe passou, então, a desconfiar de que o desaparecimento de Abel poderia estar relacionado ao mesmo sistema.
Sessão da Tarde mostra uma história que aconteceu nos anos 1990
Embora Pureza tenha chegado comercialmente aos cinemas em 2022, a história retratada se passa principalmente durante a década de 1990.
Pureza Lopes Loyola vivia em Bacabal, no Maranhão, e criou cinco filhos.
A família trabalhou com produção e venda de tijolos em uma olaria.
Outro aspecto conhecido de sua biografia é que Pureza se alfabetizou já adulta. Uma de suas motivações era conseguir ler a Bíblia.
Sua vida mudou quando Abel deixou o Maranhão.
A partir daquele momento, uma mulher que levava uma rotina distante dos grandes centros políticos começou uma jornada que acabaria chegando até autoridades federais.
Pureza não procurava reconhecimento.
Seu objetivo inicial era encontrar o filho.
A busca de Pureza chegou às autoridades
Conforme conhecia a situação dos trabalhadores, Pureza percebeu que precisaria procurar ajuda.
Ela encontrou apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização historicamente ligada à defesa de trabalhadores rurais e ao acompanhamento de conflitos no campo.
Pureza também procurou órgãos públicos.
Sua mobilização chegou ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho, além de Brasília.
Um dos detalhes mais curiosos de sua trajetória está nas cartas enviadas a presidentes da República.
Pureza escreveu para Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso buscando providências sobre aquilo que havia encontrado durante suas viagens.
Segundo os registros divulgados sobre sua história, Itamar Franco foi o único dos três que respondeu.
A verdadeira Pureza guardou cópias dessas correspondências.
Ela levou anos para reencontrar Abel
A procura não terminou rapidamente.
Pureza passou aproximadamente três anos buscando informações sobre o filho.
Em 1996, finalmente conseguiu reencontrá-lo.
Abel havia conseguido fugir da situação em que se encontrava e estava bastante debilitado.
A própria Pureza relatou posteriormente que o filho enfrentava malária e apresentava sinais físicos das condições às quais havia sido submetido.
O reencontro, portanto, não encerra apenas uma busca familiar.
Ele confirma que os temores que levaram aquela mãe a atravessar diferentes regiões tinham fundamento.
Atualmente, Abel vive em Bacabal, no Maranhão, junto da família.
Pureza ajudou a jogar luz sobre o trabalho escravo contemporâneo
A história exibida na Sessão da Tarde ganha outra dimensão quando colocada no contexto das políticas brasileiras de combate ao trabalho escravo.
Em 1995, o Brasil criou o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, estrutura destinada a atuar em operações de fiscalização e resgate de trabalhadores.
Ao longo das décadas seguintes, dezenas de milhares de pessoas foram retiradas de situações análogas à escravidão no país.
A mobilização de Pureza ocorreu justamente durante o período em que o tema ganhava maior atenção institucional.
Por isso, sua história se tornou uma das referências associadas à luta contra esse tipo de exploração.
O próprio filme procura mostrar que o desaparecimento de Abel não era um acontecimento isolado.
Existia uma estrutura capaz de atingir trabalhadores vulneráveis de diferentes regiões.
O que é trabalho análogo à escravidão?
O assunto abordado em Pureza permanece atual no Brasil.
O artigo 149 do Código Penal brasileiro define situações que podem caracterizar a redução de uma pessoa à condição análoga à de escravo.
Entre elas estão a submissão a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, condições degradantes e restrições de locomoção relacionadas a dívidas contraídas com empregadores ou representantes.
Isso significa que não é necessário encontrar correntes ou uma reprodução literal da escravidão histórica para que o crime seja configurado.
A servidão por dívida mostrada em Pureza é especialmente importante para compreender esse mecanismo.
O trabalhador pode ser recrutado com uma promessa de salário e, depois de chegar ao destino, descobrir que transporte, alimentação, ferramentas e outros itens estão sendo cobrados.
A dívida cresce e passa a ser usada como instrumento para dificultar sua saída.
Maranhão aparece no centro de uma questão histórica
A origem de Pureza também ajuda a contextualizar o problema mostrado pelo filme.
Dados históricos divulgados pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Observatório Digital do Trabalho Escravo apontaram o Maranhão como uma importante região de origem de trabalhadores posteriormente encontrados em condições análogas à escravidão.
Entre 2003 e 2018, mais de 8 mil trabalhadores resgatados no Brasil haviam nascido no Maranhão, segundo dados divulgados pelo MPT a partir do observatório mantido em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.
Baixa escolaridade e vulnerabilidade econômica aparecem entre os fatores associados ao problema.
Essas informações ajudam a compreender a situação de Abel dentro da narrativa.
O personagem não abandona sua família por aventura.
Ele sai procurando trabalho e melhores condições econômicas.
É justamente essa expectativa que pode ser explorada por redes de aliciamento.
Dira Paes mergulhou na história de Pureza
Dira Paes assumiu a responsabilidade de interpretar uma mulher que não era apenas personagem de roteiro, mas uma pessoa real que poderia acompanhar o resultado do trabalho.
A atriz constrói Pureza a partir de uma combinação de fragilidade e persistência.
A protagonista sente medo, sofre e enfrenta momentos em que parece não ter qualquer poder diante das pessoas que encontra.
Mesmo assim, continua avançando.
Esse elemento evita que Pureza seja transformado em uma aventura convencional sobre uma heroína invencível.
O que impressiona é justamente o contrário.
Ela era uma mulher comum enfrentando uma estrutura muito maior do que ela.
Sessão da Tarde traz um filme brasileiro premiado
Pureza não chamou atenção apenas por sua temática.
O longa acumulou dezenas de reconhecimentos em sua trajetória por festivais nacionais e internacionais.
Dira Paes também foi premiada por sua interpretação.
Entre os reconhecimentos da produção estão prêmios conquistados em festivais nos Estados Unidos, Europa e América Latina.
No Brasil, o desempenho de Dira Paes foi reconhecido no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, atualmente denominado Prêmio Grande Otelo.
A recepção internacional demonstra que a história conseguiu ultrapassar seu contexto brasileiro.
Embora trate de acontecimentos específicos da Amazônia, exploração do trabalho e tráfico de pessoas são questões presentes em diferentes partes do mundo.
Um sobrevivente do trabalho escravo participou do filme
Um dos detalhes mais fortes da produção está fora do núcleo principal do elenco.
Marinaldo Soares Santos participou de Pureza depois de ter vivido pessoalmente situações de exploração.
Segundo seu relato durante a divulgação do longa, ele foi resgatado três vezes de condições análogas à escravidão.
Marinaldo contou que, quando jovem, chegou a acreditar que aquela situação era normal porque era pobre e precisava trabalhar.
Somente após receber orientação depois de um resgate compreendeu os direitos que estavam sendo violados.
Sua participação acrescenta outra camada à produção.
O filme não apenas conta uma história sobre trabalhadores explorados: também abriu espaço para alguém que conheceu aquela realidade pessoalmente.
A verdadeira Pureza recebeu reconhecimento internacional
A luta de Pureza Lopes Loyola ganhou projeção muito antes do lançamento do filme.
Em 1997, ela recebeu em Londres o Anti-Slavery Award, concedido pela Anti-Slavery International.
A premiação reconheceu sua atuação no enfrentamento ao trabalho escravo.
Décadas depois, sua trajetória voltou a ganhar reconhecimento internacional.
Pureza foi homenageada nos Estados Unidos como uma das pessoas destacadas pelo trabalho de combate ao tráfico de pessoas.
A mulher que saiu do Maranhão carregando uma fotografia do filho tornou-se, assim, uma figura conhecida internacionalmente por sua resistência.
Por que Pureza merece atenção na Sessão da Tarde?
A Sessão da Tarde desta quarta-feira apresenta um filme mais intenso do que muitas produções normalmente associadas à faixa.
Pureza trata de violência, exploração e condições degradantes de trabalho.
Mas o longa não funciona como uma aula ou documentário.
A busca por Abel mantém a narrativa em movimento.
O espectador acompanha a protagonista entrando em lugares perigosos, procurando pistas, conversando com trabalhadores e tentando fazer autoridades acreditarem naquilo que presenciou.
Essa estrutura aproxima o filme de um drama de investigação.
Ao mesmo tempo, saber que os principais acontecimentos surgiram de uma história real torna determinadas situações ainda mais impactantes.
Sessão da Tarde coloca uma história brasileira necessária em destaque
A escolha de Pureza para a Sessão da Tarde de 19 de agosto oferece ao público da televisão aberta a oportunidade de conhecer uma trajetória brasileira que ultrapassa o cinema.
A história começa com uma pergunta extremamente simples: onde está Abel?
Pureza sai de casa procurando uma resposta.
No caminho, encontra dezenas de homens que também estavam longe das famílias e haviam descoberto que as oportunidades prometidas não existiam.
A busca individual passa a representar algo maior.
Ela procura o filho, mas também começa a dar voz a trabalhadores que tinham medo ou não encontravam meios para denunciar aquilo que viviam.
É justamente essa transformação que torna Pureza uma escolha diferente para a programação da Globo.
Sessão da Tarde de 19 de agosto aposta no cinema brasileiro
Com Pureza, a Sessão da Tarde desta quarta-feira leva para a televisão aberta um drama nacional que combina atuação premiada, pesquisa histórica e uma trajetória real de resistência.
Dira Paes conduz a produção interpretando uma mãe que percorre a Amazônia atrás do filho e acaba descobrindo um sistema de exploração muito maior do que imaginava.
O filme também ganha relevância porque o problema retratado não desapareceu com o passar dos anos.
O Brasil continua realizando operações para identificar e retirar trabalhadores de condições análogas à escravidão, mostrando que a discussão apresentada pela produção permanece necessária.
Por trás dos números, porém, Pureza escolhe contar uma história pessoal.
Uma mulher sai de casa com poucos pertences e uma fotografia.
Três anos depois, reencontra o filho e deixa como legado uma luta que alcançaria reconhecimento internacional.
É essa história que chega à Sessão da Tarde de 19 de agosto, em uma quarta-feira na qual o cinema brasileiro ocupa espaço de destaque na programação da Globo.
Imagem: Reprodução O Globo e Divulgação




