Série da Netflix tem 100% de aprovação e só 2 temporadas; descubra o fenômeno

Existe uma produção no catálogo da Netflix que conseguiu algo difícil até mesmo para os maiores sucessos do streaming: terminar sua história no momento planejado e preservar uma recepção praticamente impecável da crítica.
Com apenas duas temporadas, a série construiu um universo visualmente impressionante, apresentou personagens complexos e mostrou que histórias originadas nos videogames podem conquistar até quem nunca segurou um controle.
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O resultado foi uma produção curta para os padrões atuais, mas grande em impacto. Além da aprovação máxima registrada pela crítica no Rotten Tomatoes, a obra acumulou importantes prêmios da televisão e se transformou em uma das animações mais reconhecidas dos últimos anos.
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Qual é a série da Netflix com 100% de aprovação?
A produção é Arcane, série animada inspirada no universo de League of Legends, jogo multiplayer desenvolvido pela Riot Games.
Criada por Christian Linke e Alex Yee, Arcane estreou na Netflix em novembro de 2021. A animação foi produzida pela Riot Games em parceria com o estúdio francês Fortiche Production, responsável por desenvolver a identidade visual que rapidamente se tornou uma das marcas da série.
A primeira temporada apresentou nove episódios. Depois de um intervalo de três anos, outros nove capítulos chegaram em 2024 para encerrar a história principal, totalizando 18 episódios.
E não se tratou de um cancelamento inesperado.
Os responsáveis pela produção explicaram que o encerramento na segunda temporada fazia parte do planejamento criativo. Christian Linke revelou que a equipe já havia estabelecido um final específico para a história e que Arcane seria apenas o começo de uma exploração maior do universo de League of Legends em outras produções.
Isso ajudou a série a evitar um problema frequente no streaming: histórias que continuam apenas pelo sucesso comercial e acabam perdendo força ao longo dos anos.
Arcane alcançou 100% de aprovação nas duas temporadas
Um dos números que mais chama atenção é a avaliação da crítica especializada.
No Rotten Tomatoes, plataforma que reúne críticas publicadas por veículos especializados, as duas temporadas de Arcane aparecem com 100% de aprovação no Tomatometer.
A primeira temporada alcançou a marca a partir de dezenas de avaliações profissionais. Três anos depois, a segunda repetiu o resultado, algo especialmente difícil quando uma produção retorna cercada por grandes expectativas.
A nota não significa que todos os críticos deram a mesma pontuação para a série. O percentual do Rotten Tomatoes representa a proporção de críticas consideradas positivas.
Mesmo assim, conseguir 100% nas duas temporadas demonstra o nível de consistência da recepção profissional.
A avaliação do público também permaneceu elevada, embora inferior aos números registrados entre os críticos. O resultado reforça como Arcane conseguiu atravessar a barreira dos fãs de League of Legends e alcançar espectadores que sequer conheciam o jogo.
Série não exige conhecer League of Legends
Esse talvez seja um dos maiores acertos da produção.
Embora personagens, lugares e elementos tenham origem em League of Legends, a série foi construída para funcionar como uma história independente.
O espectador não precisa entender as mecânicas do jogo, conhecer suas partidas ou saber previamente quem são os campeões para acompanhar os acontecimentos.
Na prática, Arcane funciona como uma porta de entrada para Runeterra, universo ficcional da Riot Games.
A narrativa explica os conflitos conforme eles se tornam importantes, permitindo que veteranos encontrem referências enquanto novos espectadores compreendem a trama sem precisar pesquisar informações externas.
Sobre o que é Arcane?
No centro da história estão as irmãs Vi e Jinx.
As duas crescem em Zaun, região marcada pela pobreza e pelos conflitos políticos com Piltover, cidade que concentra poder, riqueza e desenvolvimento tecnológico.
A relação entre as irmãs se transforma gradualmente no principal eixo emocional da série. Entretanto, o roteiro expande esse conflito para apresentar diferentes personagens e perspectivas.
Piltover e Zaun funcionam como partes de uma sociedade profundamente desigual. Enquanto uma região prospera com descobertas científicas e influência política, a outra convive com abandono, violência e ressentimento.
É nesse cenário que surge a Hextech, tecnologia capaz de combinar ciência e magia.
A descoberta abre possibilidades enormes, mas também provoca disputas sobre quem deve controlar esse poder e quais limites deveriam existir para sua utilização.
Personagens como Jayce, Viktor, Caitlyn, Ekko e Heimerdinger entram diretamente nessa discussão, fazendo com que a trama vá muito além do conflito inicial entre duas irmãs.
O visual ajudou a transformar a série em referência
Basta assistir a poucos minutos de Arcane para perceber que a estética não segue o padrão mais comum das animações produzidas para televisão.
O trabalho da Fortiche mistura técnicas de animação 2D e 3D para criar imagens que frequentemente lembram ilustrações em movimento.
Cenários, expressões faciais, iluminação e efeitos visuais possuem características próprias. Mesmo nas sequências de ação, a série consegue modificar estilos, velocidades e cores para acompanhar o estado emocional dos personagens.
Essa escolha não funciona apenas como demonstração técnica.
A direção utiliza o visual para contar a história.
Momentos de trauma, lembranças e confrontos podem receber tratamentos completamente diferentes. Em determinados episódios, pequenos detalhes visuais substituem diálogos e ajudam o público a compreender o que determinado personagem está sentindo.
Animação levou anos para atingir esse nível
O desenvolvimento também ajuda a explicar o resultado.
A parceria entre integrantes da Riot Games e a Fortiche existe desde antes de Arcane. O estúdio já havia trabalhado em materiais relacionados a League of Legends, incluindo vídeos produzidos para personagens do jogo.
Quando a série finalmente chegou à Netflix, essa relação já havia permitido anos de desenvolvimento de técnicas, identidade visual e conhecimento sobre aquele universo.
O processo continuou na segunda temporada, que ampliou as possibilidades visuais sem abandonar a estética construída nos primeiros episódios.
Arcane também conquistou o Emmy
A repercussão de Arcane ultrapassou rankings de streaming e agregadores de críticas.
A série também recebeu reconhecimento da Television Academy, responsável pelo Emmy.
Em 2022, a primeira temporada venceu a categoria de Melhor Programa de Animação. O feito chamou ainda mais atenção por colocar uma adaptação originada de um videogame entre produções reconhecidas pela principal premiação da televisão norte-americana.
O sucesso se repetiu após a temporada final.
Na edição de 2025, Arcane voltou a vencer como Melhor Programa de Animação pelo episódio The Dirt Under Your Nails. A produção também recebeu outros reconhecimentos técnicos.
Segundo os registros da Television Academy, a série soma oito vitórias no Emmy em nove indicações.
É um desempenho que ajuda a dimensionar por que a produção ultrapassou o público tradicional dos games.
Série ajudou a mudar a imagem das adaptações de videogames
Durante décadas, adaptações de jogos carregaram uma reputação complicada.
Diversos filmes tentaram aproveitar franquias populares sem conseguir reproduzir aquilo que tornava os jogos interessantes. O resultado criou entre parte do público a impressão de que videogames simplesmente não funcionavam quando transformados em filmes ou séries.
Esse cenário começou a mudar gradualmente.
Produções como Castlevania, também disponível na Netflix, demonstraram que havia espaço para histórias mais ambiciosas. Depois vieram outros projetos de grande repercussão baseados em games.
Arcane, porém, encontrou uma solução particularmente eficiente: não tentou reproduzir uma partida de League of Legends.
A série aproveitou os personagens e a mitologia do jogo para contar outra história.
Em vez de transformar mecânicas do game em cenas, os criadores exploraram relações familiares, desigualdade, ambição, ciência, política e consequências do poder.
Essa abordagem tornou a adaptação interessante até mesmo para pessoas sem qualquer ligação com o material original.
Jinx e Vi sustentam o lado emocional da história
Apesar da escala do universo apresentado, a série funciona porque nunca abandona seus personagens.
Vi e Jinx representam o exemplo mais evidente.
As decisões tomadas pelas duas afetam Piltover e Zaun, mas a relação entre elas continua profundamente pessoal. Mágoas, culpa, abandono e a tentativa de recuperar aquilo que foi perdido acompanham praticamente toda a narrativa.
Jinx, especialmente, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da produção.
A personagem combina imprevisibilidade, vulnerabilidade e violência de uma maneira que dificulta classificá-la simplesmente como heroína ou vilã.
Vi enfrenta outro tipo de conflito. Ao tentar proteger as pessoas que considera importantes, ela precisa compreender que suas escolhas também provocam consequências que não podem ser facilmente desfeitas.
Essa complexidade ajuda a evitar personagens divididos apenas entre bons e maus.
Segunda temporada encerra a história planejada
Depois da repercussão da primeira temporada, seria compreensível imaginar que a Netflix e a Riot Games tentariam estender Arcane durante vários anos.
Não aconteceu.
A segunda temporada foi apresentada oficialmente como a última.
Os episódios finais ampliam o confronto entre Piltover e Zaun enquanto desenvolvem as consequências dos acontecimentos vistos anteriormente.
Algumas histórias avançam rapidamente, sobretudo devido à quantidade de personagens e conflitos que precisam ser resolvidos. Ainda assim, a decisão de encerrar a produção em duas temporadas preservou uma característica cada vez mais valorizada pelo público: assistir sabendo que existe um final.
Quem começa Arcane atualmente encontra a história completa disponível na Netflix.
Não é preciso acompanhar temporadas indefinidamente nem esperar anos para descobrir se a plataforma renovará a produção.
O universo pode continuar mesmo após o final
O fim da série não significa necessariamente o encerramento desse universo na televisão.
Christian Linke já explicou que Arcane faz parte de uma jornada narrativa maior envolvendo o mundo de League of Legends.
Runeterra possui diversas regiões, culturas e dezenas de personagens capazes de sustentar outras histórias. Isso permite que futuras produções explorem novos cenários sem precisar desfazer o encerramento construído para Vi, Jinx e os demais personagens centrais.
É justamente essa possibilidade que torna o projeto diferente de uma série tradicional prolongada por várias temporadas.
Arcane pode permanecer como uma história fechada enquanto seu universo continua crescendo em outras direções.
Vale a pena assistir à série na Netflix?
Para quem procura uma série relativamente curta e já concluída, Arcane oferece uma vantagem imediata: são apenas duas temporadas e 18 episódios.
A origem nos videogames não deve afastar quem nunca jogou League of Legends. O roteiro apresenta informações suficientes para que novos espectadores acompanhem o universo sem conhecimento prévio.
Ao mesmo tempo, fãs do game encontram personagens conhecidos reinterpretados dentro de uma narrativa própria.
A combinação entre animação diferenciada, ação, fantasia, drama familiar e conflitos políticos também faz com que a produção alcance públicos diferentes.
Mais do que uma adaptação bem-sucedida, Arcane se tornou um exemplo de como transportar um universo dos videogames para outra mídia sem depender exclusivamente da nostalgia.
Com duas temporadas completas, 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes em ambas e diversos Emmys conquistados, a série construiu uma trajetória rara.
E talvez seu maior mérito esteja justamente no tamanho: em vez de permanecer tempo demais, Arcane contou sua história, chegou ao final planejado e deixou espaço para que Runeterra continue sendo explorada de outras maneiras.
Imagem: Reprodução Netflix




