Novidade na Netflix: conheça o dorama A Cigarra do Oitavo Dia

Uma produção japonesa lançada originalmente em 2010 encontrou um novo público ao entrar no catálogo brasileiro da Netflix. Com apenas seis episódios, A Cigarra do Oitavo Dia combina drama familiar, suspense e uma discussão delicada sobre maternidade.
Produzida para a televisão japonesa pela NHK, a minissérie acompanha uma mulher que sequestra a filha recém-nascida de seu ex-amante e passa a criá-la como se fosse sua. O crime dá início a uma fuga marcada por medo, afeto e escolhas irreversíveis.
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A trama não se limita à perseguição policial. O roteiro também mostra as consequências do sequestro na vida da criança, que precisa reconstruir a própria identidade depois de descobrir que tudo o que conhecia sobre sua família estava errado.
Estrelada por Rei Dan, Kie Kitano e Seiran Kobayashi, A Cigarra do Oitavo Dia é uma opção para quem procura um J-drama curto, emocional e disposto a abordar assuntos difíceis sem oferecer respostas confortáveis.
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Sobre o que é A Cigarra do Oitavo Dia?
A história começa com Kiwako Nonomiya, vivida por Rei Dan. Ela manteve um relacionamento com Takehiro Akiyama, um homem casado que não abandonou a esposa para construir uma nova vida ao seu lado.
Durante o relacionamento, Kiwako engravida, mas interrompe a gestação. Posteriormente, recebe a notícia de que não poderá mais ter filhos. A experiência aumenta seu sofrimento e transforma a filha recém-nascida de Takehiro em um símbolo de tudo o que ela perdeu.
Movida por uma mistura de dor, ressentimento e desejo de maternidade, Kiwako entra na casa da família Akiyama para ver a criança. O que deveria ser um encontro breve termina em uma decisão extrema: ela leva a bebê consigo.
Kiwako passa a chamar a menina de Kaoru e assume o papel de mãe. A partir desse momento, as duas começam uma vida de fuga, mudando de endereço e escondendo suas verdadeiras identidades.
A polícia procura pela sequestradora, enquanto Kiwako tenta estabelecer uma rotina que pareça normal. Cada novo contato, documento ou fotografia pode revelar quem ela realmente é e colocar fim à vida construída com Kaoru.
A produção deixa claro que houve um crime. Ao mesmo tempo, acompanha de perto o vínculo afetivo entre as duas, criando uma situação emocionalmente desconfortável para o público.
Para Kaoru, Kiwako não é uma criminosa durante os primeiros anos de vida. Ela é a pessoa que oferece alimento, proteção, carinho e todas as referências que a menina associa à figura materna.
Por que a relação entre Kiwako e Kaoru provoca tanto conflito?
O principal mérito de A Cigarra do Oitavo Dia está na maneira como a produção apresenta personagens moralmente complexos. Kiwako não é inocentada pelo roteiro, mas também não aparece apenas como uma vilã sem sentimentos.
Ela comete uma violência grave ao retirar uma criança de sua família biológica. No entanto, o cotidiano construído durante a fuga revela uma mulher genuinamente ligada à menina e disposta a protegê-la.
Essa contradição conduz toda a narrativa. O espectador pode reconhecer a existência de amor entre as personagens sem ignorar que esse relacionamento nasceu de um sequestro.
A situação de Kaoru é ainda mais dolorosa. Quando a verdade vem à tona, ela não recupera simplesmente a vida que deveria ter levado. A menina é afastada da única mãe que reconhece e devolvida a uma família biologicamente legítima, mas emocionalmente desconhecida.
O retorno também não consegue apagar os primeiros anos de sua infância. As memórias, os hábitos e os sentimentos criados durante a fuga continuam presentes, mesmo quando a personagem passa a usar novamente seu nome de nascimento, Erina Akiyama.
A série mostra o que acontece depois do sequestro?
A história não termina quando as autoridades localizam Kiwako. A segunda parte da produção acompanha Erina já adulta e mostra como o sequestro continua afetando suas escolhas e seus relacionamentos.
Ela precisa lidar com sentimentos contraditórios em relação à família biológica e à mulher que a criou. Embora saiba que Kiwako cometeu um crime, suas primeiras lembranças de cuidado e segurança estão ligadas justamente à sequestradora.
Esse conflito dificulta a construção de sua identidade. Erina vive entre aquilo que os documentos dizem que ela é e a infância que permanece guardada em sua memória.
A gravidez da personagem acrescenta outra camada à história. A possibilidade de se tornar mãe obriga Erina a refletir sobre abandono, responsabilidade e sobre o tipo de afeto que recebeu quando era chamada de Kaoru.
A experiência também a leva a revisitar lugares ligados ao passado. Entre eles está Shōdoshima, ilha localizada no Mar Interior de Seto e cenário de alguns dos momentos mais importantes vividos por Kiwako e Kaoru.
A viagem funciona como uma tentativa de organizar lembranças fragmentadas. Mais do que encontrar respostas objetivas, Erina busca compreender de que maneira aquela infância determinou a mulher que se tornou.
A Cigarra do Oitavo Dia é baseada em uma história real?
Apesar da abordagem realista, A Cigarra do Oitavo Dia não é apresentada como uma história real. A minissérie adapta o romance japonês Yōkame no Semi, escrito por Mitsuyo Kakuta.
A obra literária foi publicada no Japão em 2007 e recebeu o segundo Prêmio Chūōkōron de Literatura. A informação consta nos registros da editora japonesa Chuokoron-Shinsha, responsável pelo livro.
A adaptação televisiva preserva os temas centrais do romance, especialmente as diferentes formas de maternidade e as consequências emocionais de uma infância interrompida.
A história também questiona a maneira como a sociedade julga mulheres envolvidas em relações familiares consideradas inadequadas. O roteiro observa não apenas Kiwako, mas diversas personagens femininas encontradas durante a fuga.
Essas mulheres vivem experiências distintas de solidão, dependência, rejeição e maternidade. Com isso, o drama amplia seu alcance e evita transformar tudo em uma simples disputa entre mãe biológica e mãe sequestradora.
O que significa o título A Cigarra do Oitavo Dia?
O título carrega a principal metáfora da produção. A imagem faz referência a uma cigarra que permanece viva até o oitavo dia, sobrevivendo por mais tempo do que as outras.
Em um primeiro momento, essa sobrevivente poderia ser considerada infeliz. Ao chegar ao oitavo dia, ela estaria completamente sozinha, pois as demais cigarras já teriam desaparecido.
Existe, porém, outra maneira de interpretar sua situação. Por ter vivido um dia a mais, a cigarra também conseguiu contemplar uma paisagem que nenhuma outra viu.
A metáfora representa a solidão de quem sobrevive a uma experiência dolorosa e precisa continuar vivendo depois que tudo parece ter terminado. Ela se aplica especialmente a Erina, cuja vida não acaba quando o sequestro é solucionado.
A personagem precisa descobrir o que existe depois do trauma. Seu “oitavo dia” não significa esquecer o passado, mas encontrar uma maneira de seguir em frente carregando lembranças que não podem ser apagadas.
Kiwako também pode ser associada a essa imagem. Sua tentativa de criar uma vida fora das regras sociais oferece momentos de felicidade, mas a mantém isolada e sob a ameaça permanente de perder tudo.
Quantos episódios tem o dorama?
A Cigarra do Oitavo Dia tem seis episódios e uma única temporada. Os cinco primeiros capítulos possuem aproximadamente 43 minutos, enquanto o episódio final tem cerca de 46 minutos.
A duração total fica em torno de quatro horas e meia. Por isso, a produção pode ser assistida em um fim de semana ou até mesmo em uma maratona durante um único dia.
O número reduzido de capítulos também favorece o ritmo. A história não depende de tramas paralelas excessivas e concentra sua atenção na fuga, na relação entre Kiwako e Kaoru e nas consequências enfrentadas por Erina.
Embora seja curta, a minissérie aborda temas emocionalmente pesados. A experiência pode ser mais intensa para espectadores sensíveis a assuntos como sequestro infantil, perda gestacional, relacionamentos extraconjugais e conflitos familiares.
Quem está no elenco de A Cigarra do Oitavo Dia?
O elenco reúne artistas com experiência na televisão e no cinema japonês. As interpretações são fundamentais para que o público compreenda as contradições das personagens sem reduzir a história a uma divisão simples entre culpados e inocentes.
Rei Dan como Kiwako Nonomiya
Rei Dan interpreta a mulher que sequestra a filha de seu ex-amante. A atriz precisa equilibrar o medo constante da descoberta com a demonstração de um afeto maternal cada vez mais profundo.
Kiwako é a figura central da fuga. Suas decisões movimentam a história e provocam consequências que continuam sendo sentidas muitos anos depois.
Kie Kitano como Erina Akiyama
Kie Kitano vive Erina na fase adulta. A personagem tenta compreender as marcas deixadas pela infância e enfrenta dificuldades para estabelecer relações afetivas estáveis.
Sua trajetória mostra que a identificação de um crime e a punição da responsável não são suficientes para reparar automaticamente a vida da vítima.
Seiran Kobayashi como Kaoru
Seiran Kobayashi interpreta a personagem durante a infância, quando ela ainda acredita ser filha de Kiwako. A atuação ajuda a sustentar a conexão emocional entre as duas.
A inocência da menina torna o conflito ainda mais complexo. Kaoru desconhece a perseguição policial e interpreta as constantes mudanças como parte da vida ao lado da mãe.
Kanji Tsuda como Takehiro Akiyama
Kanji Tsuda interpreta Takehiro, o homem casado com quem Kiwako se envolveu. Suas escolhas estão diretamente relacionadas à sequência de acontecimentos que provoca o sequestro.
Yuka Itaya como Etsuko Akiyama
Yuka Itaya vive Etsuko, esposa de Takehiro e mãe biológica de Erina. A personagem enfrenta o desaparecimento da filha e, posteriormente, os desafios de conviver com uma criança que não a reconhece emocionalmente como mãe.
O elenco ainda inclui Mitsuko Baisho, Maki Sakai, Atsuko Takahata, Kazuko Yoshiyuki e Goro Kishitani.
A produção recebeu prêmios no Japão
O reconhecimento de A Cigarra do Oitavo Dia não se limita à obra literária. A adaptação da NHK conquistou o Grand Prix da categoria drama na 27ª edição do ATP Awards TV Grand Prix, realizada em 2010.
A produção também recebeu o prêmio máximo de sua categoria. De acordo com a avaliação divulgada pela organização, o drama foi reconhecido pela maneira como combinou o suspense da fuga com uma investigação emocional sobre a maternidade.
O prêmio é concedido pela Associação de Produtores de Televisão do Japão e destaca trabalhos produzidos para a televisão do país. A conquista reforça a relevância da minissérie mesmo tantos anos depois de seu lançamento original.
Vale a pena assistir a A Cigarra do Oitavo Dia?
A Cigarra do Oitavo Dia vale a pena para quem gosta de dramas psicológicos, histórias familiares e produções que colocam seus personagens diante de dilemas morais difíceis.
O espectador que espera uma série policial tradicional pode se surpreender. A perseguição existe, mas o foco está nas consequências emocionais do crime e na relação construída entre a sequestradora e a criança.
A minissérie também pode agradar ao público de títulos japoneses mais contemplativos. O roteiro reserva espaço para silêncios, paisagens e pequenos gestos que ajudam a expressar sentimentos que os personagens não conseguem explicar diretamente.
Outro ponto favorável é a curta duração. Os seis episódios desenvolvem a história sem exigir o compromisso de uma série longa, mas entregam material suficiente para provocar reflexões depois do encerramento.
Mais do que perguntar quem é a verdadeira mãe de Kaoru, A Cigarra do Oitavo Dia investiga como afeto, memória e trauma podem coexistir. O resultado é uma produção sensível e desconfortável, capaz de permanecer na lembrança do público muito depois do último episódio.
Onde assistir a A Cigarra do Oitavo Dia?
No Brasil, A Cigarra do Oitavo Dia está disponível na Netflix. Os seis episódios podem ser encontrados pelo título em português usado no catálogo da plataforma.
Como a disponibilidade de filmes e séries pode mudar conforme os contratos de licenciamento, é recomendável consultar diretamente a busca da Netflix antes de iniciar a maratona.
Para quem procura um J-drama curto, premiado e emocionalmente complexo, a produção representa uma oportunidade de conhecer uma história japonesa que discute maternidade sem romantizar as consequências de um crime.
Imagem: Reprodução Netflix




