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The Batman – A necessidade do horror e as muitas faces do herói

Os motivos que fazem com que o filme precise abraçar o terror.

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The Batman será mesmo um filme de terror? A pergunta está sendo repetida por muitos fãs ultimamente. Com estreia marcada para o dia 4 de março de 2022, o novo filme do morcego de Gotham City poderá ser o primeiro a abraçar o horror.

Para os fãs, a possibilidade é extremamente empolgante pelo fato de Batman ser diretamente ligado ao medo, com algumas de suas melhores histórias tendo esse foco. Nos cinemas, nenhum diretor arriscou-se a fazer isso com o herói. Será que finalmente chegou o momento?

The Batman será mesmo um filme de terror?

Com Robert Pattinson no papel de Bruce Wayne, The Batman já se tornou um filme badalado muito antes de seu primeiro trailer. A escolha de Pattinson não agradou parte do público, enquanto muitos fãs mostraram-se empolgados com a ideia de ver o astro no papel do morcegão.

O primeiro trailer de The Batman exibiu um tom sinistro e ligado diretamente a filmes de suspense policial, mostrando a cena de um crime aparentemente perverso e deixando evidente que o Charada, vilão principal do longa, será mais sinistro do que de costume.

Entre cenas com violência pura e um Bruce Wayne/Batman claramente perturbado, o primeiro trailer indica um caminho um tanto ousado para o filme, com uma estrutura que aparenta ser diferente do que já foi explorado pelo herói nos cinemas.

Suspense policial ou horror?

Após o primeiro trailer indicar um filme de suspense policial, o que também pode funcionar, já que estamos falando sobre o maior detetive do mundo, rapidamente tornaram-se fortes os rumores que apontavam uma grande pegada de horror no longa.

Após o longa ser exibido para alguns poucos escolhidos, as reações indicaram que o público pode estar próximo de ver a versão mais apavorante do herói nos cinemas. O Charada de Paul Dano, ator que o interpreta, foi considerado “louco e assustador”, enquanto o filme foi enquadrado no gênero de terror, com afirmações de que o longa utiliza cenas muito gráficas e escuras para impor medo.

Após tais informações sobre o filme, o segundo trailer finalmente foi lançado para deixar ainda mais evidente que se The Batman não é terror, pelo menos flerta muito com o gênero. O segundo trailer do longa foi montado para expor o tom aterrorizante abordado pelo filme.

Seja pela fotografia, trilha sonora ou até mesmo pela forma como Batman é apresentado, o trailer nitidamente foi concebido como conteúdo de um filme de horror, também com a ideia de deixar evidente um aviso: Esse não é o Batman que estamos acostumados nas telonas. Essa é uma versão absurdamente mais sombria. 

No conteúdo, Batman é mostrado com alguém a ser temido, com boa dose de descontrole sendo exibida, enquanto certas cenas lembram por muito aquelas que vemos em grandes filmes do gênero do horror. A trilha e fotografia trabalham juntos para criar o clima de tensão, enquanto dúvidas morais ditam um ritmo sombrio que será guiado pela busca de Bruce por encontrar seu verdadeiro propósito.

A capacidade de se reinventar e as muitas faces do Batman

The Batman deixa evidente a habilidade que o herói tem de se reinventar. O personagem da DC pode flutuar entre diversas camadas, literalmente brincando com o fato de ser “herói ou vilão”, algo usado de maneira genial na trilogia de Nolan quando Bruce decide ser o que Gotham precisa, mas não aquilo que ela merece de fato.

Batman/Bruce pode ser o membro mais inteligente da Liga da Justiça, o bom amigo de Superman e até mesmo o milionário conquistador. Porém, o morcego de Gotham também pode ser um dos heróis mais perturbados, problemáticos e até mesmo controversos que existem. Sua essência o torna naturalmente uma figura um tanto paradoxal, Bruce viu seus pais morrerem e cresceu com o trauma, criando repulsa pela criminalidade, porém ao mesmo tempo Batman conta com um código – ignorado por Zack Snyder – de não matar… Bruce odeia criminosos, mas não quer atravessar a linha que o torna igual a eles.

A raiva e o código aparecem de forma constante como algo que divide o personagem, enquanto há uma briga interna para decidir quem ele realmente é, ou quem realmente deseja ser. Em um filme que se aproxima do horror, as angústias e os problemas causados por dúvidas morais como essa podem oferecer um excelente tom de terror psicológico caso sejam bem exploradas, com esse elemento encaixando-se com a essência do personagem.

Eles temem o que Bruce temia

O morcego por si só já é um forte recado. Bruce abraçou seu maior medo, com a intenção de levar esse horror para aqueles que realmente merecem sofrer com ele. Batman usa o medo como uma ferramenta, o que é afirmado por Pattinson no segundo trailer do filme e também já foi explorado em diversas mídias.

Com o herói sendo aquele que mais está ligado ao medo, livrar-se das amarras de um filme convencional de heróis e abraçar-se no terror seria um passo arriscado, mas absurdamente coerente e interessante por motivos óbvios. Se Batman tem muitas faces, o horror é uma delas.

Além do medo, as histórias do herói são recheadas com boa dose de loucura, com personagens como o Coringa sendo claramente pessoas com os piores dos transtornos psicológicos. Desta forma, temos também nas obras do Morcego, a presença do famoso Asilo Arkham, um dos locais mais tenebrosos das histórias em quadrinhos. Aproveitando muito bem as possibilidades oferecidas por estes vilões, muitas histórias do morcego já ofereceram versões extremamente sombrias dos inimigos de Batman, como por exemplo a versão do Coringa que arrancou o próprio rosto.

Agora, o diretor Matt Reeves parece fazer algo parecido com o Charada, com trailers indicando que o novo longa abraçará o personagem como um verdadeiro assassino em série. O vilão interpretado por Paul Dano não aparenta ser o inimigo de um herói que se prende ao clichê, mas sim uma figura muito mais complexa e bizarra.

A necessidade do horror

Em uma era em que os filmes de heróis dominam os cinemas, The Batman tem o que é necessário para dar um passo ousado, muito pelo fato do próprio personagem praticamente exigir que uma de suas muitas faces finalmente seja explorada nas telonas.

Escrevo como um grande fã de filmes de heróis, mas sei também que por vezes os clichês e a, quase sempre, mesma estrutura podem se tornar cansativos.

Matt Reeves parece entender profundamente o herói, assim como parece ter conhecimento da oportunidade que tem em suas mãos. The Batman tem a necessidade do horror. O filme precisa ser aquilo que nenhum longa de herói foi até hoje. The Batman pode muito bem reinventar o cinema de heróis, da mesma maneira que Nolan fez com o personagem ao apresentar a trilogia mais madura e bem escrita do gênero.

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