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Review TBX | The Crown: ainda imponente e encantadora

Review TBX | The Crown: ainda imponente e encantadora

 

A terceira temporada que chegou à Netflix e mostrou com sutileza os novos medos da realeza

 

A terceira temporada de The Crown tinha um legado muito difícil para manter. Claire Foy e Matt Smith interpretaram com maestria a majestade Rainha Elizabeth II e o duque de Edimburgo, Philip. Agora era a vez de Olivia Colman e Tobias Menizies brilharem. E o fizeram.

 

 

A história narra os acontecimentos dos anos 60 e 70, um período instável para a realeza britânica e para os britânicos em geral. O governo trabalhista voltava ao poder depois de 11 anos. Harold Wilson, interpretado por Jason Watkins, tinha a missão de se provar melhor que o conservadorismo que teve Sir Winston Churchill como principal Primeiro Ministro da época. Conseguimos ver medo nos olhos do ator. Algo que certamente deve ter ocorrido. A insegurança ao falar, o desconforto ao sentar na presença da Rainha, tudo isso é parte real da história. 

 

A influência da mídia

The Crown conquista por conseguir mostrar muito bem a linha tênue que é a Família Real Britânica. É claro que eles são humanos, mas é tanto glamour que gostamos do tom de mistério. E foi exatamente isso que não aconteceu com o documentário da BBC, fato verídico, que “estragou” todo este segredo. 

 

A imprensa também nunca deixou de focar na Princesa Margaret, interpretada agora por Helena Bonham Carter. Quando os holofotes são voltados para ela, a alegria é explícita. Talvez a Coroa fosse muito mais divertida se ela fosse a Rainha. Mas talvez a Inglaterra não estaria onde está hoje. Nunca saberemos.

 

Helena Bonham Carter como Princesa Margaret na terceira temporada de The Crown

 

Mas o que é fato é que vimos nesta temporada, como nunca, a frustração tanto de Margaret quanto de Elizabeth com o fato de não terem nascido com este peso de serem Princesa e Rainha. Uma queria apenas festejar e a outra apenas trabalhar com cavalos. A vida delas é muito diferente disso e elas precisam manter as aparências. 

 

Podemos ver isso também como reflexo para as próximas gerações. O futuro Rei, Príncipe Charles, que recebeu vida na pele de Josh O’Connor, teve que abrir mão de muitos sonhos. Ora, todos nós temos nosso nível de “white people problem”. Os deles apenas estão mais escancarados que os nossos. 

 

Perto da nossa realidade

Para mim, o episódio mais forte foi o que retrata a tragédia em Aberfan. Nós brasileiros temos exemplos muito recentes de pessoas morrendo com rompimentos de barragem. Mariana e Brumadinho ainda estão bem vivos em nossa memória. Assim como o desastre num vilarejo no País de Gales está aparentemente vivo na memória da Rainha. A cena em que a escola é tomada pelos rejeitos de minério é de tirar o fôlego pensando que isso ainda acontece – e tão perto de nós, por negligência. 

 

Aberfan, no País de Gales, após o rompimento da barragem em 1966

 

Fatos pouco conhecidos

Surda, então freira e asilada na Grécia. Quem diria que essa é a descrição que se encaixa para a sogra da Rainha Elizabeth, avó do futuro Rei e mãe do Príncipe Philip? A Princesa Alice chegou a ser tratada por Sigmund Freud, que acreditava que ela era esquizofrênica. 

Isso nos faz refletir que tem fatos sobre nós que gostaríamos de que fossem diferentes e que julgar a família que ainda é soberana de 16 países ao redor do mundo, não cabe a nós.

 

Alice de Battenberg, mãe do Príncipe Philip

 

Por fim, a quarta temporada de The Crown já está em produção e tem previsão de estreia para 2020. Felizmente já teremos a Princesa Diana, que será interpretada por Emma Corrin. Eu estou ansiosa. E vocês?

 

Série: The Crown
9.2 TRECOBOX
HISTÓRIA9
ELENCO10
DESENVOLVIMENTO9
PRODUÇÃO10
ORIGINALIDADE8

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Jornalista. Peixes com ascendente em Touro - pra traduzir: sonho demais sem tirar os pés do chão. Apaixonada por séries espanholas e convicta que vivi na década de 1920 junto com a galera de Downton Abbey. Homem-Aranha é meu super herói favorito e o Harry Potter já me deu muita força. Ficar em casa vendo séries e estar no estádio de futebol são meus passatempos favoritos.

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