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Review TBX | Drácula: série da Netflix é uma das piores adaptações da obra

Review TBX | Drácula: série da Netflix é uma das piores adaptações da obra

 

Só queríamos que o terceiro e último episódio de Drácula jamais tivesse existido…

 

Se você é uma das pessoas que estava ansiosa para ver a série Drácula, avisamos que assisti-la poderá ser bem doloroso. A produção, que foi encabeçada por Mark Gatiss e Steven Moffat (Sherlock e Doctor Who), prometia ser uma adaptação da obra homônima de Bram Stoker, mas peca terrivelmente por apresentar uma história que desconstrói tudo o que já conhecemos. Além do mais, apenas alguns nomes de personagens e locais, que realmente constam no livro, são representados na série, mesmo que de forma errada.

 

Uma minissérie que poderia ter sido um filme (ou nem ter sido feita)

Primeiramente, Drácula foi planejada como uma minissérie de 3 episódios, sendo produzida e exibida pela BBC entre os dias 1 e 3 de janeiro de 2020. Para ser lançada mundialmente, a série foi adquirida pela Netflix, que disponibilizou os episódios no dia 4 de janeiro. Cada episódio produzido conta com um pouco mais que 1 hora de duração, o que confere um ótimo tempo para apresentar uma narrativa que prenda bem o espectador. Na verdade isso até acontece no primeiro episódio, mas logo começa a se perder com o desenrolar confuso do segundo. Aliás, nem vou falar do terceiro agora, pois é o grande culpado da série ter se tornado uma das adaptações mais ridículas e desnecessárias já feitas, envergonhando os fãs da incrível e aclamada obra literária.

É de nosso conhecimento que poucas adaptações de Drácula de Bram Stoker são aceitáveis. Talvez se salve apenas o filme de 1992, o qual foi produzido com muito mais cuidado e fidelidade.

 

Um vampiro bem construído, mas não como o diabólico Conde Drácula que conhecemos

O ator Claes Bang, protagonista da série, representa bem um vampiro, mas não possui a essência necessária para ser um Conde Drácula digno. Bang consegue entregar uma atuação magnífica e acaba segurando a série inteira nas costas. Talvez a sua presença nessa produção terrível foi a única coisa que nos convenceu a ainda dar uma nota mais ou menos.

 

A atuação de Claes Bang é, sem dúvida alguma, o ponto forte da série. Nos dois primeiros episódios ele consegue passar uma certa essência do Conde Drácula, mesmo com uma suavização do seu lado monstruoso.

 

Por outro lado, Claes Bang caiu como uma luva em um papel de um vampiro antigo e com cara de lorde europeu. O ator também é bonitão, o que permitiu ser apresentado um lado mais sedutor do Drácula. No entanto, as cenas de crueldade não foram tão convincentes, parecendo até mesmo que o “vampirão” estava apenas se divertindo.

 

Inversão de gênero e protagonismo forçado

Parece que tudo agora precisa ter um protagonismo feminino para ser aceito como algo “socialmente correto”. Adoro quando as mulheres são protagonistas em filmes e séries, mas com seus personagens originais. Ficar mudando o sexo de um personagem icônico só faz soar como uma forma de apelação para um falso feminismo.

Em Drácula isso acontece, mas de uma forma bem burra e completamente desconstruída. O caçador de vampiros Van Helsing, tão importante na trama de Bram Stoker, foi transformado na curiosa e incrédula freira Agatha Van Helsing, interpretada por Dolly Wells. A atriz desempenha um ótimo papel na série, interpretando dois personagens em épocas diferentes da história. Entretanto, seus diálogos com o Conde Drácula beiram ao ridículo. Ela, muitas das vezes, atua como uma espécie de psicóloga do vampiro. É simplesmente lamentável.

 

O grande inimigo de Drácula, o Abraham Van Helsing, é trocado pela freira Agatha Van Helsing (Dolly Wells), que não caçava o vampiro, mas sim tentava entendê-lo. Talvez essa tenha sido uma das mudanças mais decepcionantes para os fãs.

 

Também podemos citar que a série força uma representatividade LGBT. Contudo, o que é apresentado não passa de algo clichê e sem importância alguma na trama. Temos um “romance” gay no segundo episódio, mas que transparece ser apenas um caso de amor não correspondido. Os produtores apenas jogaram os personagens na trama para que existissem lá e pronto. Lamentável…

 

O terceiro, desnecessário, repugnante e último episódio

Em Drácula, cada episódio mostra um período diferente na história do vampiro, que sai da Transilvânia, passa na Hungria e parte em direção a Londres. Por outro lado, os acontecimentos do segundo episódio fazem com que os planos do Conde Drácula mudem completamente.

No terceiro episódio, a série dá um salto absurdo no tempo, se passando 123 anos até chegarmos em 2020. A estranheza toma conta, principalmente com a quebra temporal, jogada de forma avulsa na cara do espectador. Aqui tudo começa a desandar, seguindo uma narrativa e um caminho que só vai descendo ladeira abaixo, e sem freio.

Primeiramente, somos surpreendidos com um Drácula bobão, que acha tudo o que é tecnológico surpreendente. Ele simplesmente esquece do monstro diabólico que é e passa a se comportar como o tiozão que está aprendendo a usar gadgets modernosos. Os trechos iniciais do terceiro episódio fazem qualquer um se questionar se ainda está assistindo à mesma série. Pior que está ou estava…

Depois somos apresentados a novos personagens desnecessários na trama, além de descobrir que Mina e Jonathan Harker foram apenas instrumentos. Agora Dolly Wells aparece como Zoe Van Helsing, uma descendente de Agatha que, curiosamente, é igual a ela (que conveniente). Mais uma vez uma Van Helsing tenta assumir o protagonismo da história, mas falha terrivelmente. Zoe não é cativante e seus objetivos com Drácula parecem apenas servir para satisfazer os seus desejos pessoais e não proteger a humanidade.

Uma outra presença que incomoda é a de Lucy Westenra (Lydia West), que surge no terceiro episódio como uma jovem irresponsável, piriguete e que não teme a morte. Na verdade, Lucy teme apenas perder a sua “beleza exuberante”. A personagem é completamente descartável na história e o que acontece com ela durante todo o episódio poderia ser esquecido e apagado, tanto da série quanto de nossa memória (como desejei ter um botão “desver” na minha cabeça).

 

A atriz Lydia West faz uma versão desnecessária e pífia de Lucy Westenra. Poderiam ter deixado de fora, assim como ignoraram a importância de Mina Harker.

 

O veredito ou um desabafo?

Por fim, posso dizer que a série Drácula é, sem sombra de dúvidas, desastrosa. Como um fã da obra de Bram Stoker, digo que ela é vergonhosa e que não merece nem ostentar esse nome. Um lixo? Talvez. Mas pode ser assistida se você não tiver nenhum tipo de apego ao livro e ao que o Conde Drácula realmente representa. Além disso, a série desconstrói tudo o que conhecemos sobre os vampiros e o que podemos usar contra eles para se proteger. Nela, somos surpreendidos com espécie de sessão de psicoterapia, em que um vampiro precisa entender que seus medos de crucifixos, luz do sol e espelhos são meras bobagens criadas pela sua cabeça.

 

 

Mas, se você ainda quiser assistir à série Drácula, saiba que os três episódios estão disponíveis no catálogo da Netflix. Agora cuidado! Não diga que não avisamos (qualquer coisa, não assista ao último episódio).

 

Série: Drácula
4.8 TRECOBOX
HISTÓRIA4
ELENCO8
DESENVOLVIMENTO1
PRODUÇÃO6
ORIGINALIDADE5

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Publicitário, cosplayer, gamer, otaku, viciado em séries e colecionador de action figures. Um mix de tudo o que um verdadeiro geek pode ser. Vivendo a vida intensamente a cada segundo, mantendo-se sempre antenado nas novidades desse incrível e expansivo universo. Um pernambucano de nascimento e paulista de coração.

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