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Review TBX | Cobra Kai: A rivalidade nunca morre

Review TBX | Cobra Kai: A rivalidade nunca morre

 

Ataque Primeiro. Ataque Forte. Sem Piedade.

 

Antes de começar o texto em si, deixem-me explicar porque decidi falar aqui no site sobre a série do Youtube Red (Eita nomezinho que pede trocadilho com site pornô): Karate Kid é meu filme favorito. Sr. Miyagi (Pat Morita) é a epítome do mestre, de uma forma tão grandiosa que até Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e sua eterna cara (e voz) de choro foi capaz de se tornar um carateca. Claro que ele tem um baita problema de amnésia, pois esquece o que aprendeu de um filme para o outro… Melhor deixar isso pra um outro dia.

Cobra Kai conta o que aconteceu na vida do protagonista e do antagonista da obra original trinta e tantos anos depois. Dessa vez as atenções foram voltadas a Johnny Laurence (William Zabka), que teve uma vida zoada com o passar das décadas. Divórcio, uma relação pífia com o filho (apesar de amar o guri, Johnny é incapaz de fazer algo por ele, por mais simples que seja). O ex-bully não está no fundo do poço, mas podemos dizer que está se preparando para o salto. Apesar de ter um clima leve a princípio, e ter um bom humor, a série é um drama sobre aceitação, mudança, equilíbrio, visão e, é claro, rivalidade.

 

Review da série Cobra Kai, sequência direta do filme Karate Kid

O ator William Zabka entra como o protagonista da série.

 

Até que, depois de ajudar um garoto contra um grupo de valentões, o loiro decide reabrir o Dojo Cobra Kai e reerguer o nome do que já definiu quem ele era.

Lawrence tomou uma surra da vida, numa espiral de autodestruição e perda de rumo. Como se não bastasse, ainda tem que conviver com o sucesso de LaRusso, com sua empresa bem sucedida e família de comercial de margarina. Ao menos aparentemente.

LaRusso é outro que se perdeu. Problemas domésticos como a visita da mãe (todo mundo casado vai se compadecer), filho “pré-aborrescente” que vive colado no videogame, a filha gatinha querendo ser da turma popular e, é claro, aquele último fator: o retorno dos Cobras. O cara fica consternado e perde o eixo.

Isso acaba sendo muito legal. Mostrar que a filosofia que aprenderam quando jovens precisa ser adaptada para eles mesmos nas suas vidas atuais.
Outro ponto bem bacana é notar que as filosofias do Sr. Miyagi e de Kreese, apesar de dispares, tem dois pontos em comum importantíssimos: Gerar autoconfiança e ter autodefesa.

Da mesma forma que Miyagi impediu que os Cobras quebrassem (merecidamente) LaRusso no primeiro filme, Lawrence também o faz (mesmo que não exatamente por altruísmo), só que de uma forma muito mais agressiva. Ele faz exatamente o que cresceu aprendendo: Sem ter misericórdia do inimigo.

Seu primeiro aluno, Miguel, acaba ajudando Johnny em tudo. Ele se torna o aluno número 1 dos Cobras. O mais interessante é a forma como um ajuda o outro. Enquanto Lawrence é o cara que cresceu nos anos 80 e acha normal misoginia e ofensas aos alunos, o garoto é sempre quem diz “sensei, cê tá pulando o correginho do politicamente correto“, o que é mega engraçado em alguns pontos e ajuda no desenvolvimento de ambos. Fora os outros alunos que, mesmo sendo alvo de chacotas, reconhecem que, apesar de escroto, isso os fortaleceram. O discurso do Johnny representa bem a geração dos quarentões, mesmo que ele demonstre que está ultrapassado em vários pontos. Ele não quer, não sabe ou não se importa em mudar. Pelo menos por enquanto.

 

Review da série Cobra Kai, sequência direta do filme Karate Kid

 

Mas não é só o loirinho que ganha um aprendiz. Robby, um trambiqueiro e marrento adolescente, filho de Johnny, acaba conhecendo e se tornando aluno de LaRusso, aprendendo por sua vez a filosofia do Sr. Miyagi. O que também ajuda no desenvolvimento do chorão, quer dizer, Daniel.

Aí vem o clichê e a referência ao original. Miguel se apaixona pela filha de Daniel, os dois discutem, problemas com ciúmes e outros quiprocós vão surgindo até Johnny conseguir autorização para inscrever novamente o Cobra Kay na liga regional de karate (eles foram banidos da competição desde o 3º filme).

Essa é a melhor parte! Apesar de achar as coreografias das lutas da série algo que varia do “vamos aceitar pela nostalgia” até o “piruletafu”. Realmente se tem algo que me incomoda são as lutas. Mas as originais também são bem “NHÉH”.

O confronto ideológico de Johnny e Daniel é colocado à prova. Miguel está bem diferente do começo, agora ele e seus companheiros são Cobras e isso significa que os adversários vão sentir isso na pele.

A série é mais que uma continuação ou legado, ela mostra como uma filosofia pode mudar uma vida. Johnny era um gurizinho magrelo que se descobriu no karate, mesmo com um mestre psicopata. Sendo que agora ainda está em mudança, confrontando tudo o que acredita. LaRusso era um pirralho metido a Don Juan que encontrou seu equilíbrio também no karate, mas com um mestre bondoso. Miguel era “bulinado” (trocadilho intencional) e se descobriu um Cobra. Pro bem e pro mal. Já Robby, mudou o caminho de caloteiro pra uma caminhada de karateca zen.

Como isso vai terminar? Vamos descobrir se houver outras temporadas. Mas como é dito na série: “Até parece que isso vai acabar”.

 

Review da série Cobra Kai, sequência direta do filme Karate Kid

 

Se você é fã dos filmes, principalmente do primeiro, assista, vale muito a pena. É cheio de referências, piadocas (a sacaneada na técnica do grow é fantástica) e o gancho final… meus queridos… Johnny vai passar por uma puta “Kreese”.

 

 

A falha da série? Os mestres não se enfrentarem. Quem sabe isso aconteça nas próximas temporadas.

 

Antes de acabar esse texto Xiiiiiiiicaaaanntteeeee, a homenagem feita ao ator Pat Morita é linda. Mas confesso que me deixou com uma dúvida: é impressão minha ou mudaram o nome do Sr. Miyagi?

 

Youtube Red, como fanzaço de Karate Kid, eu só posso agradecer pela série!

 

 

Série: Cobra Kai
8.6 TRECOBOX
HISTÓRIA9
ELENCO8.5
DESENVOLVIMENTO8.5
PRODUÇÃO8
ORIGINALIDADE9

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Nerd, Fã de Cerveja, Devoto de São Kal-El, Santo Billy Batson, mas ainda um pouco Thorete e Aracnita. Mal Humorado, com PHD em Horriveldade e em Falar Merda.

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