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Review TBX | Me Chame Pelo Seu Nome, superestimado ou uma obra-prima?

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

 

O sucesso do filme Me Chame Pelo Seu Nome pode torná-lo algo que verdadeiramente não é. Entenda

 

Há algum tempo o cinema vem dando espaço para romances diferentes. Não prevalece mais as histórias das delicadas mocinhas que se apaixonam pelos galãs. Agora podemos ver romances com finais felizes, finais trágicos ou finais sem romance. Também podemos ver histórias bem contadas acerca de paixões vividas, mas reprimidas. Este é o caso do hit do momento, Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name).

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

 

O filme aborda um romance gay, mas não com estereótipos como em algumas produções mais antigas. Há uma naturalidade, algo comum e familiar. Mas nem por isso chega a ser fantástico. Calma! Não estou dizendo que o filme é ruim. Pelo contrário! Mas vamos analisar por partes.

Me Chame Pelo Seu Nome é um longa dirigido pelo italiano Luca Guadagnino e inspirado no romance homônimo de André Aciman. Desde os primeiros minutos do filme é possível sentir o clima sublime, algo que é marca registrada de Guadagnino.

A chegada do personagem Oliver, interpretado por Armie Hammer, não parece ser algo tão marcante. Apesar da curiosidade despertada no jovem Elio (Timothée Chalamet), o estranho convidado parece um mero coadjuvante. Claro que isso muda no decorrer do filme.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

A família Perlman é algo bem diferente das demais famílias que vemos por aí. Os pais de Elio são muito envolvidos com artes e parecem não ter problema algum ao receberem estranhos em sua residência. Há um ponto forte no quesito preconceito: ele não existe em nenhum grau nessa família.

 

O Sr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e a sua esposa Annella (Amira Casar) parecem ter um senso de humor pleno o tempo todo. Eles nunca demonstram infelicidade ou incômodo, nem mesmo com a presença de Oliver. Ao observarem o comportamento estranho de Elio, ambos parecem compreender de imediato o que está acontecendo. Ao mesmo tempo que nós espectadores esperamos uma reação adversa por parte deles, algo inusitado acontece. Eles simplesmente aceitam tudo com muita naturalidade.

Talvez esse ponto seja uma das falhas críticas do filme. É comum vermos algum familiar reagir de forma hostil a sinais de homossexualidade, principalmente vindo de jovens. Em Me Chame Pelo Seu Nome isso não acontece em nenhum momento. Nenhum dos personagens da trama demonstram qualquer tipo de preconceito.

Há sim uma leve crise de aceitação por parte de Elio. O jovem tenta reprimir o que começa a sentir por Oliver se envolvendo com Marzia (Esther Garrel). Ele força claramente uma relação com a moça, mas não tira da cabeça o desejo por Oliver.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

Marzia é uma personagem importante para compor o cenário de dúvidas e incertezas de Elio. Infelizmente a personagem é apresentada sem muita importância, passando como uma simples alegoria para tudo o que acontece na trama.

 

O ponto mais forte de Me Chame Pelo Seu Nome é, sem dúvida alguma, a descoberta do sentimento nutrido por Oliver e Elio. Poderia ser algo poético, impactante ou até mesmo arrebatador, mas peca feio na apresentação. A trama é magnífica, mas a forma que ela é desenrolada nas cenas se torna algo meio que sem sentido. Oliver o tempo todo não parece ter o mínimo interesse afetivo por Elio. Já Elio demonstra uma notória curiosidade por Oliver, que aos poucos se transforma em um desejo incontrolável. O choque vem no momento em que ambos conversam e Elio fala sobre os sentimentos reprimidos que sente. De imediato Oliver parece já saber de tudo, tratando o assunto com certo descaso. Isso não caiu bem, jogando um balde de água fria no momento de climax.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

O romance consumado entre Elio e Oliver demora para acontecer. Praticamente passa uma hora do filme para que realmente os protagonistas comecem a ter um romance. O primeiro contato sexual também demora bastante, mas, quando acontece, se torna um dos momentos mais belos do filme. A frase marcante de Oliver é de fazer qualquer um se emocionar: “Me chame pelo seu nome e eu te chamo pelo meu.”

 

ATENÇÃO! A PARTIR DAQUI TEREMOS SPOILER DO FINAL DO FILME.

 

Há um toque de sutileza constante na atuação e no desenrolar da trama. O filme caminha claramente para um final nada feliz. O tempo todo Oliver e Elio se preparam para uma separação inevitável. A aproximação do rompimento de todo aquele envolvimento amoroso causa uma agonia tremenda ao espectador. Há emoção de fato, mas voltamos à falha crítica da forma que tudo é apresentado.

Oliver finalmente vai embora e Elio cai em um abismo de tristeza. Os pais o compreendem e o consolam. Em uma das cenas finais do longa algo simples acaba revelando a maior premissa do filme inteiro. Enquanto Elio e o Sr. Perlman conversam, há um envolvimento entre pai e filho que contagia a quem assiste. Tudo parece completamente normal até o Sr. Perlman revelar ter inveja do que Elio vivenciou ao lado de Oliver. Opa! Espera um momento! É isso mesmo que você está pensando. O pai de Elio é gay e reprimiu os seus sentimentos por muitos anos, vivendo uma relação heterossexual por puro medo. Certamente essa revelação torna o desfecho do filme um pouco mais impactante do que ele realmente é.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name), superestimado ou uma obra-prima?

A relação de pai e filho é algo bem apresentada no filme. Ao revelar os seus verdadeiros sentimentos para Elio, o Sr. Perlman deixa de ser um mero coadjuvante. Ele passa a representar a maioria dos homens homossexuais daquela época, os quais fingiam ser o que não eram para viver na sociedade.

 

São inúmeros os motivos para dizer que Me Chame Pelo Seu Nome está passando por um momento de notoriedade. O marketing usado na divulgação do longa fez com que muitos criassem uma expectativa absurda. A obra entregue agrada, mas se for assistida com um olhar mais crítico, fica clara a sua simplicidade. Não há nada de inovador ou arrebatador. O romance por si só é algo repetido em várias histórias gays. A grande diferença é como tudo acontece: lentamente, mas com muita delicadeza e beleza.

O que vemos pela internet é uma onda de exaltação por parte do público. Talvez pela temática ser uma maneira de proclamar o amor homossexual de uma maneira bela. Mesmo assim isso não justifica o quanto o filme está sendo superestimado. É um filme lindo, mas não é O FILME.

 

 

Sinopse:

O jovem Elio está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda com a chegada de Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.

 

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name) pode não ser uma obra-prima, como muitos andam dizendo, mas emociona. Vale a pena conferir.

 

Filme: Me Chame Pelo Seu Nome
8.2 TRECOBOX
HISTÓRIA9
ELENCO9
DESENVOLVIMENTO7
PRODUÇÃO8
ORIGINALIDADE8

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Publicitário, cosplayer, gamer, otaku, viciado em séries e colecionador de action figures. Um mix de tudo o que um verdadeiro geek pode ser. Vivendo a vida intensamente a cada segundo, mantendo-se sempre antenado nas novidades desse incrível e expansivo universo. Um pernambucano de nascimento e paulista de coração.

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