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Por que é tão difícil adaptar jogos para o cinema ?

Afinal, porque tantos filmes baseados em jogos são considerados ruins? É sobre isso que vamos falar no texto abaixo, confira!

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Quando falamos de adaptações de jogos para o cinema, geralmente podemos ter duas reações, uma é os fãs torcerem o nariz e desacreditarem o filme antes mesmo de vê-lo ou podemos ter os fãs eufóricos e que cada novidade que sai sobre o filme é motivo de festa. As duas reações são normais de acontecerem para qualquer filme, não só as adaptações de jogos, porém com o tempo foi possível notar que as produtoras de filmes têm um certo problema em fazer um filme baseado em jogos que agrade todo o público. Mas afinal porque isso acontece?

Para falarmos sobre isso é importante ressaltar que um jogo de vídeo game e um filme são mídias que apesar de serem parecidas em alguns pontos, como a alta demanda e um mercado gigante em cima dessas produções, são diferentes quando falamos sobre a interação do espectador com essas obras em questão.

Jogos, Mídia Interativa e a dificuldade em se adaptar para o cinema:

Mídia interativa é um termo comumente utilizado para definir um produto ou serviço digital, baseados em sistemas de computadores que visa a resposta da ação do usuário. Basicamente, uma mídia interativa é algo que você como usuário tem influência sobre o que ocorre durante o uso desse produto, e é justamente nisso que todo jogo já lançado até hoje se encaixa.

Desde o jogo mais simples, ao jogo do ano, todo jogo tem como principal base a interação do jogador com o que está acontecendo na tela, desde mirar, atirar, corres, escalar e por aí vai, toda ação que ocorre em um jogo é feita por quem está no controle daquilo. E esse tipo de interação é um fator crucial quando falamos de imersão, todo jogo que é bem aceito pelo público, consegue em maior ou menor escala trazer a imersão para o jogador, e quando essa imersão não acontece o impacto daquilo que o jogador experiência é muito reduzido e se tornar até mesmo irrelevante.

E com o avanço da tecnologia tornou possível que os jogos de grandes produtoras se tornassem cada vez mais realistas, e consequentemente mais imersivos também, e com isso surgiu a dúvida se esse tipo de jogo, mais imersivos e mais realistas, poderiam ser adaptados para o cinema. Porque, mesmo com os jogos sendo algo comum para o cotidiano de várias pessoas não tem como negar o fato que se ter um console ou um computador que suporte os lançamentos mais recente é um empreendimento que custa caro, seja para comprar a plataforma ou comprar os lançamentos do ano, e o cinema, mesmo sendo algo caro é uma forma de entretenimento várias vezes mais barata para o consumidor final.

E o grande problema ao se adaptar um jogo para o cinema é pegar uma história que foi pensada para ser interativa, e que dependendo do jogo fosse totalmente influenciada pelo jogador, e adaptar ela para o cinema ou série onde o espectador não tem controle algum sobre os acontecimentos dessa história. E esse é um obstáculo que nem sempre é transposto pelas produções de jogos.

Nem sempre ser fiel ao jogo original é uma certeza de sucesso:

Agora que sabemos que existe a diferença entre o tipo de experiência que o filme e um jogo tem, a dúvida que fica para que uma adaptação possa acontecer é como contar essa história? Adaptar o jogo fielmente e transpor dos jogos para a tela de cinema uma releitura direta dos acontecimentos dos jogos? Ou usar os elementos de mundo e trama dos jogos para contar uma história totalmente nova?

Podemos pegar o exemplo do filme Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos de 2016, o filme que foi feito pelo diretor Duncan Jones teve como um dos principais pontos do seu marketing o fato do filme que iria ser fiel a histórias dos jogos e que veríamos uma representação fiel desses acontecimentos, porém nem tudo são flores. O filme que custou cerca de 160 milhões de dólares para ser feito arrecadou no mundo todo um total de 439 milhões de dólares, com apenas 47 milhões no Estados Unidos, mesmo que 439 milhões seja uma grande quantia, para o cinema atual isso é uma quantia um tanto quanto mediana esperada para um filme baseado em um jogo que é tão marcante até hoje.

Por outro lado temos a saga de seis adaptações de Resident Evil, os seis filmes que contaram com Paul W. S. Anderson como diretor, roteirista e produtor em praticamente todos os filmes, foram um sucesso com o público geral mas que em contra partida não foram tão bem aceitos pela crítica. Apesar de não serem nada fiel a história dos jogos, usando apenas os elementos dos jogos e criando uma história a parte da obra original, os seis filmes foram todos sucessos comerciais, com suas produções custando individualmente menos de 70 milhões de dólares e sempre arrecadando pelo menos 100 milhões de dólares.

Como podemos ver temos aqui dois opostos bem demarcados, um é um filme que foi feito o mais fiel possível em cima da obra original, mas que comercialmente não foi tão bem quanto o esperado. E por outro lado temos uma saga de filmes que desde do primeiro filme procurou trazer uma história diferente mas com os elementos da obra original e que junto disso temos um sucesso entre os fãs e também um sucesso comercial.

Lógico que esse ponto de vista se baseia na forma como as empresas geralmente enxergam os lançamentos dos filmes, se um filme vai bem de bilheteria, bate as metas esperadas e é bem falado pelo público alvo, então ele merece ter uma continuação, e se o filme não alcança as expectativas, então uma continuação acontecer é uma chance pequena. E logicamente, isso também acontece com filmes que adaptam jogos.

Porém quando falamos de filmes, temos que levar em conta também o fato de como o filme é uma obra de arte, é necessário que o filme tenha um roteiro, história e personagens que sejam coesos entre si. E felizmente existem filmes de adaptação que são ótimos e entregam ótimas histórias, independentemente de serem fieis ou não aos jogos que serviram de inspiração.

É claro que existem certas adaptações que não funcionam bem de forma alguma, dois ótimos exemplos (ou seriam péssimos exemplos?) é o filme Super Mario Bros. e Mortal Kombat – A Aniquilação. Os dois filmes da década de 90 são exemplos de filmes que tentaram ser adaptações fieis e no fim só foram filmes que são um fiasco, tanto de bilheteria como também um fiasco em suas histórias.

Considerações Finais:

Independente dos jogos serem uma mídia interativa e logicamente serem histórias que as ações do jogador influenciam e fazem parta da experiência que é consumir essa mídia, esse não é um motivo para existirem tantas adaptações que decepcionam os fãs. Talvez os principais motivos para tantas adaptações de jogos para o cinema serem taxadas como filmes que não entregam o que prometem é o fato de primeiro, termos pessoas que não conhecem aquilo que estão trabalhando para fazer um roteiro que entregue tudo que o jogo e o universo já apresentaram antes, e o segundo é a interferência das produtoras em cima de duração do filme, roteiro e etc.

O primeiro motivo diz respeito ao fato de em algumas produções as pessoas responsáveis por produzir o roteiro e dirigir a adaptação de algum jogo não possuem um conhecimento aprofundado sobre o jogo, e acabam trazendo filmes que não conseguem se conectar com o público inicial que são os jogadores. Pegue por exemplo Max Payne de 2008, o filme que é baseado no jogo de homônimo é um daqueles filmes que se encaixam no modelo de produção que usa o mesmo nome do jogo, que traz alguns elementos da história original, mas que diverge do jogo e acaba virando uma história totalmente diferente da qual foi baseada, o filme não é ruim, mas não chega a ser um grande sucesso do cinema e se torna um filme esquecível.

O segundo motivo é um fato que pode acontecer em qualquer produção, não é difícil vermos notícias de filmes que tiveram que fazer refilmagens, mudanças de roteiro, até mesmo mudança de atores e/ou diretores por demanda das empresas donas dos filmes. Um exemplo disso é justamente Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos, o filme durante sua produção teve uma parte do roteiro retirada para que houvesse uma duração menor e fosse, em teoria, mais acessível para um público geral, porém isso acabou tornando o filme mais corrido, com vários furos de roteiro e também fazendo com que não houvesse conexão com os personagens do filme, e esse conjunto de fatores faz com que o filme não ser uma história de fácil entendimento e logicamente não agrada muito o espectador que não conhecia a história previamente.

Resumidamente o grande problemas das adaptações de jogos não é um fator externo que geralmente não é visto em produções de filmes com histórias originais, mas sim um fato comum que pode acontecer em qualquer filme de qualquer gênero. Mas é claro que nem todo filme que é uma adaptação é ruim, recentemente tivemos excelentes exemplos de adaptações que foram bem sucedidas, Sonic: O Filme, a nova versão do Mortal Kombat para os cinemas e Pókemon: Detetive Pikachu são três filmes que foram ótimas adaptações e que funcionaram muito bem para o cinema.

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Imagem: Reprodução

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