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O gótico e o expressionismo alemão em ‘The Batman’, de Matt Reeves

O gótico e o expressionismo alemão em 'The Batman', de Matt Reeves

 

Características levam a crer que Matt Reeves bebeu da fonte gótica do expressionismo alemão para compôr ‘The Batman’

 

Eis que o primeiro trailer de The Batman foi revelado. Estrelado por Robert Pattinson e com a direção de Matt Reeves, o filme tem tudo para contar a história do homem-morcego de uma maneira sombria e soturna que reforçam os ares característicos do personagem.

 

 

Embalado por uma versão também sombria de ‘Something in the Way’ do Nirvana, segundo nossas percepções o filme mergulha em referências clássicas das artes do design, do som e do audiovisual para compôr o vindouro longa da DC.

Longe de dar um veredicto das reais intenções de Matt Reeves para o filme, os poucos minutos apresentados no evento FanDome de 22 de agosto nos convidam a visitar algumas peças artísticas e a propôr uma interessante reflexão sobre a direção de arte, que bebe da fonte do gótico e consequentemente do expressionismo alemão.

 

Entenda

 

Vertente cinematográfica da década de 1920, o expressionismo alemão caracterizava-se pela distorção de cenários, personagens e tipografia, maquiagem características e recursos de fotografia que conferiam maior dramaticidade aos personagens ao mesmo tempo que propunham uma reflexão sobre como os criativos da época viam o mundo.

 

 

Em ‘The Batman’, apesar de uma roupagem moderna, é possível perceber traços deste movimento nos cenários pouco saturados mas com certo contraste, no visual do personagem que denota dramaticidade e certo desequilíbrio, no cabelo sempre desarrumado e na maquiagem ao redor dos olhos propositalmente colocadas no take, ao mesmo tempo mostrando o fundo necessário para a máscara do protagonista, mas, também, para conferir ares sombrios ao personagem. Referências parecidas são encontradas no clássico “O Gabinete do Dr. Caligari”, de 1920.

 

 

Bela Lugosi’s Dead

 

Valendo-se também do expressionismo alemão, entre as décadas de 70 e 80, o movimento gótico ganhou força nas manifestações visuais pós-punk, presentes em bandas como The Cure, Sister of Mercy e Bauhaus. Esta última fazendo referência direta a um clássico do cinema expressionista no single ‘Bela Lugosi’s Dead’. Coincidentemente, a silhueta do morcego presente nas duas artes aparecem semelhantemente distorcidas, diferente de outros títulos de ‘Batman’ já apresentados.

 

 

Tipografia

 

Ainda desta forma, a tipografia presente no filme mostra-se na forma de traços desiguais, desequilibrados, tortos, característicos do movimento expressionista.

 

 

O Médico e o Monstro

 

Reeves também declarou em recente entrevista, que uma de suas inspirações foi a obre de Robert Stevenson ‘O Médico e o Monstro’, romance gótico de 1941, o que reforça a suposição de que a intenção de sua narrativa seja exatamente essa em seu mais novo trabalho.

 

Quando nós estávamos escrevendo a história eu sempre olhava pra trás para O Médico e o Monstro e essa ideia de um ‘outro eu’ e de que nós somos feitos de múltiplas personas.

 

Contudo, para conferir de fato se essas foram as referências, resta aguardar The Batman, que estreia em meados de 2021 nos cinemas.

Mas vale a reflexão.

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Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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