Nova série da Netflix revisita crime brutal que intriga há mais de 130 anos; conheça

Um dos casos criminais mais famosos da história dos Estados Unidos voltou aos holofotes nesta quinta-feira, 17 de setembro. A Netflix acaba de estrear Monstro: A História de Lizzie Borden, nova produção da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, desta vez inspirada em um duplo assassinato ocorrido há mais de 130 anos.
A história envolve a morte brutal de Andrew Borden e de sua esposa, Abby Borden, encontrados assassinados dentro da própria casa em Fall River, Massachusetts, em 4 de agosto de 1892. A principal suspeita acabou sendo Lizzie Borden, filha de Andrew e enteada de Abby, que foi levada a julgamento no ano seguinte.
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O detalhe que transformou o caso em um mistério que atravessou gerações é que Lizzie acabou absolvida. Nenhuma outra pessoa foi condenada pelos assassinatos, e as dúvidas sobre quem realmente matou o casal continuaram alimentando livros, filmes, documentários e teorias durante mais de um século.
Agora, Monstro: A História de Lizzie Borden apresenta uma versão dramatizada e deliberadamente ficcionalizada dos acontecimentos, com Ella Beatty no papel principal. Para quem gosta de true crime, dramas históricos e histórias cercadas por perguntas sem respostas definitivas, a estreia é uma das mais chamativas da Netflix nesta semana.
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Monstro: A História de Lizzie Borden já está na Netflix
Monstro: A História de Lizzie Borden estreou na Netflix nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, como o novo capítulo da antologia Monstro. Ryan Murphy e Ian Brennan voltam a utilizar um caso criminal conhecido para construir uma narrativa que combina fatos históricos com dramatização.
Desta vez, a produção transporta o espectador para o final do século XIX e acompanha Lizzie Borden, jovem pertencente a uma família rica da Nova Inglaterra. Na versão apresentada pela série, ela vive em uma casa marcada por repressão, conflitos familiares e uma relação cada vez mais turbulenta com o ambiente ao seu redor.
A produção transforma essas tensões em parte central da narrativa que antecede os assassinatos. Entretanto, existe uma diferença fundamental entre a série e aquilo que pode ser afirmado historicamente: a Netflix apresenta uma interpretação ficcional na qual Lizzie ocupa diretamente o centro da violência, enquanto o caso real terminou sem uma condenação.
Essa distinção é particularmente importante porque Monstro: A História de Lizzie Borden não deve ser encarada como um documentário ou uma reconstrução definitiva do crime. Até hoje, não existe comprovação judicial de que Lizzie tenha assassinado o pai e a madrasta.

Qual foi o crime real que inspirou a nova série?
Na manhã de 4 de agosto de 1892, Andrew Borden foi encontrado morto em um sofá dentro da residência da família em Fall River. Ele havia sofrido diversos golpes na cabeça e no rosto provocados por uma arma cortante, transformando rapidamente a casa em uma cena de crime que chamaria atenção em todo o país.
Pouco depois, Abby Borden foi encontrada morta em outro andar da residência. Ela também havia sido atingida repetidamente na cabeça. As investigações indicaram que Abby provavelmente havia morrido antes do marido, tornando o intervalo entre os assassinatos um dos pontos analisados pelas autoridades.
Lizzie Borden estava na propriedade naquele dia e rapidamente passou a ocupar o centro das suspeitas. Aos 32 anos, ela pertencia a uma família conhecida na região e levava uma vida que, aos olhos da sociedade da época, não correspondia ao perfil que muitos esperavam de alguém capaz de cometer um crime tão violento.
As circunstâncias, porém, levantaram uma série de perguntas. Não havia sinais claros de invasão capazes de solucionar imediatamente o caso, e diferentes elementos do comportamento e dos relatos de Lizzie chamaram atenção dos investigadores.
Uma semana depois dos assassinatos, ela foi presa e acusada de matar Andrew e Abby Borden.
Por que Lizzie Borden virou a principal suspeita?
Grande parte do caso construído contra Lizzie se apoiava em evidências circunstanciais. Não existia uma prova física conclusiva que ligasse diretamente a jovem aos golpes que mataram o casal, mas investigadores encontraram aspectos considerados suspeitos em seu comportamento e em acontecimentos próximos ao crime.
Um dos episódios mais comentados envolveu um vestido queimado por Lizzie alguns dias depois dos assassinatos. Segundo ela, a roupa estava manchada de tinta e não tinha relação com as mortes, mas o gesto chamou atenção em meio às investigações.
Outro elemento mencionado durante o caso envolvia uma suposta tentativa de comprar veneno antes dos assassinatos. Parte desse material, entretanto, enfrentou obstáculos para ser apresentada ao júri durante o julgamento.
As declarações de Lizzie às autoridades também apresentaram inconsistências. Mesmo assim, a defesa conseguiu impedir que partes importantes do depoimento dado antes da prisão fossem utilizadas contra ela, argumentando que a jovem não contava com assistência jurídica adequada naquele momento.
A soma desses elementos foi suficiente para transformar Lizzie na figura central da investigação, mas não para convencer posteriormente o júri de sua culpa.
Lizzie Borden foi condenada pelos assassinatos?
Não. Esse é o ponto mais importante para compreender a diferença entre o caso histórico e a maneira como ele aparece na cultura popular.
O julgamento começou em junho de 1893, quase um ano depois dos assassinatos. O processo atraiu enorme atenção da imprensa e transformou Lizzie Borden em uma personagem conhecida muito além de Massachusetts.
A acusação tentou demonstrar que ela teria motivos e oportunidade para cometer os crimes. A defesa, por outro lado, destacou a ausência de provas físicas conclusivas e questionou diferentes elementos utilizados pelos promotores.
No dia 20 de junho de 1893, depois de cerca de uma hora e meia de deliberação, o júri declarou Lizzie Borden inocente das acusações.
Ela deixou o tribunal livre e nunca mais foi julgada pelos assassinatos de Andrew e Abby. Nenhuma outra pessoa acabou condenada pelos crimes, fazendo com que o caso permanecesse oficialmente sem solução.
Por isso, afirmar como fato histórico que Lizzie matou o pai e a madrasta seria incorreto. A suspeita permanece ligada ao nome dela, mas judicialmente ela foi absolvida.
Então por que todos lembram de Lizzie como assassina?
A explicação passa em grande parte pela cultura popular. O caso ganhou enorme exposição na imprensa da época, e a brutalidade das mortes tornou a história particularmente marcante para uma sociedade fascinada pelos detalhes do julgamento.
Com o passar do tempo, Lizzie deixou de ser apenas uma mulher absolvida de um crime e se transformou em uma espécie de personagem do folclore criminal norte-americano. Livros, peças, filmes e programas de televisão passaram a reinterpretar repetidamente sua história.
Uma cantiga infantil também ajudou a perpetuar essa imagem. O verso, repetido durante gerações nos Estados Unidos, descreve Lizzie utilizando um machado para atacar a madrasta e o pai dezenas de vezes.
O problema é que a cantiga não corresponde aos fatos documentados. Os números de golpes mencionados nela são exagerados e, mais importante, apresentam a culpa de Lizzie como uma certeza que o julgamento nunca estabeleceu.
Essa mistura entre fatos, rumores e cultura popular é justamente um dos motivos pelos quais o caso continua atraindo curiosidade mais de 130 anos depois.
Como a Netflix apresenta a história?
Monstro: A História de Lizzie Borden não esconde sua escolha narrativa. A série apresenta uma versão ficcionalizada na qual Lizzie ocupa o papel de protagonista de uma história construída em torno de repressão, desejo, poder e violência.
Ella Beatty interpreta Lizzie, enquanto Charlie Hunnam vive Andrew Borden e Rebecca Hall assume o papel de Abby Borden. Billie Lourd interpreta Emma, irmã mais velha de Lizzie.
Vicky Krieps aparece como Bridget “Maggie” Sullivan, empregada que trabalhava na casa da família Borden. Na narrativa criada para a série, a relação entre Maggie e Lizzie ganha importância muito maior e passa a fazer parte da interpretação ficcional dos acontecimentos que antecedem o crime.
A própria Ella Beatty explicou em material divulgado pela Netflix que pesquisou amplamente o caso real, mas que seu trabalho era construir a personagem imaginada por Ryan Murphy e Ian Brennan. Ou seja, o objetivo não foi produzir uma reprodução documental de Lizzie Borden.
Essa liberdade permite que a série desenvolva motivações, relações e acontecimentos que não podem ser tratados como fatos históricos comprovados.
Elenco reúne nomes conhecidos das séries de Ryan Murphy
Além de Ella Beatty, o elenco é um dos principais atrativos da produção. Vicky Krieps interpreta Bridget Sullivan, enquanto Charlie Hunnam e Rebecca Hall aparecem como Andrew e Abby Borden.
Billie Lourd assume Emma Borden, irmã mais velha de Lizzie, enquanto Jessica Barden interpreta a atriz Nance O’Neil, figura ligada à vida posterior de Lizzie.
Outro nome que chama atenção é Sarah Paulson, uma das colaboradoras mais conhecidas de Ryan Murphy. A atriz interpreta Aileen Wuornos, assassina em série norte-americana cuja história aconteceu quase um século depois do caso Borden.
A presença de Wuornos permite que a temporada discuta também a maneira como mulheres acusadas de crimes violentos são transformadas em símbolos culturais. Embora as duas histórias pertençam a períodos completamente diferentes, a série utiliza essa ligação temática para refletir sobre a construção da figura feminina associada à violência.
O que aconteceu com Lizzie depois do julgamento?
Depois de ser absolvida, Lizzie permaneceu em Fall River. Ela e sua irmã Emma compraram uma residência maior conhecida como Maplecroft, localizada em uma região mais rica da cidade.
Mesmo livre perante a Justiça, Lizzie continuou carregando o peso das acusações. A notoriedade do julgamento não desapareceu com o veredito, e ela permaneceu associada aos assassinatos pelo restante da vida.
Com o passar dos anos, sua relação com Emma também se deteriorou. As duas acabaram seguindo caminhos separados, embora os motivos exatos para o rompimento ainda sejam tema de discussão entre pesquisadores.
Lizzie morreu em 1927, aos 66 anos. Até o fim da vida, nunca houve uma nova acusação criminal capaz de alterar o resultado do julgamento de 1893.
Curiosamente, ela foi enterrada no mesmo cemitério onde estavam os túmulos de Andrew e Abby Borden.
O crime de Lizzie Borden continua sem solução?
Do ponto de vista judicial, sim. Lizzie foi absolvida e nenhuma outra pessoa foi condenada pelos assassinatos.
Essa ausência de uma resposta definitiva criou terreno fértil para diferentes hipóteses. Ao longo das décadas, pesquisadores, escritores e interessados em crimes históricos sugeriram outros possíveis envolvidos e inúmeras explicações para as mortes.
Algumas teorias continuam apontando para Lizzie. Outras questionam a participação de pessoas próximas à família ou consideram possibilidades que nunca chegaram a ser comprovadas.
O problema é que mais de um século se passou desde o crime. Técnicas forenses modernas simplesmente não estavam disponíveis durante a investigação de 1892, e muitas evidências que poderiam ser reanalisadas atualmente não foram preservadas da maneira esperada em uma investigação contemporânea.
Por isso, o mistério provavelmente continuará fazendo parte da história de Fall River.
Vale a pena assistir a Monstro: A História de Lizzie Borden?
Para quem gosta da antologia Monstro, a nova temporada apresenta um caso bastante diferente dos anteriores. A mudança para o final do século XIX dá à série uma estética própria, enquanto a protagonista feminina altera a perspectiva explorada pela franquia.
Também existe um componente de mistério que vai além da própria dramatização. O espectador pode assistir à versão construída por Ryan Murphy e Ian Brennan e depois descobrir que vários elementos do caso verdadeiro permanecem muito menos conclusivos.
Essa diferença entre ficção e realidade talvez seja justamente o aspecto mais interessante da produção. A série pode apresentar sua própria resposta, mas a História não oferece a mesma certeza.
Para quem prefere produções baseadas em crimes reais, Monstro: A História de Lizzie Borden também tem um dos elementos que normalmente mais despertam curiosidade nesse gênero: um caso famoso, uma acusada conhecida mundialmente e uma pergunta que permanece sem resposta definitiva mais de 130 anos depois.
A nova série já está disponível na Netflix desde 17 de setembro de 2026. Antes de encarar a dramatização como uma reconstrução fiel, porém, vale guardar uma informação essencial: Lizzie Borden foi julgada pelos assassinatos de Andrew e Abby, mas saiu do tribunal absolvida — e ninguém conseguiu provar judicialmente quem realmente cometeu o crime.
Imagem: Reprodução Netflix




