O filme Crescendo Juntas surge como uma das produções mais sensíveis dos últimos anos ao abordar o amadurecimento feminino de forma honesta, leve e profundamente humana. Dirigido por Kelly Fremon Craig e baseado na obra clássica de Judy Blume, o longa vai além de um simples retrato da pré-adolescência: ele constrói uma narrativa universal sobre identidade, pertencimento e transformação.
Em um cenário em que o debate sobre saúde emocional, educação sexual e desenvolvimento juvenil ganha cada vez mais espaço no Brasil — inclusive em diretrizes do Ministério da Educação —, o filme se torna ainda mais relevante. A obra abre caminhos para conversas necessárias dentro das famílias, escolas e sociedade.
A história de Margaret e o início das transformações
A trama acompanha Margaret Simon, interpretada por Abby Ryder Fortson, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças simultâneas: a troca de cidade, a adaptação a uma nova escola, o surgimento das primeiras amizades e os desafios da puberdade.
A mudança de Nova York para o subúrbio não é apenas geográfica — ela simboliza a transição da infância para uma nova fase da vida. Esse deslocamento, comum também na realidade brasileira (especialmente em famílias que migram entre capitais e cidades menores), evidencia como mudanças externas impactam diretamente o emocional de crianças e adolescentes.
Um dos maiores acertos do filme é não limitar o crescimento apenas à protagonista. A narrativa também acompanha sua mãe, vivida por Rachel McAdams, e sua avó, interpretada por Kathy Bates.
Essa construção revela um ponto essencial: o amadurecimento não termina na adolescência. Ele continua ao longo da vida, em diferentes contextos e desafios.
O papel da mãe na reconstrução da própria identidade
A personagem de McAdams representa muitas mulheres que enfrentam recomeços — seja ao mudar de cidade, interromper a carreira ou redefinir seu papel familiar. No Brasil, dados do IBGE mostram que mulheres frequentemente assumem múltiplas funções simultaneamente, o que reforça a identificação com a personagem.
A influência da avó e os vínculos afetivos
A avó Sylvia traz uma dimensão emocional importante, representando laços intergeracionais que permanecem mesmo à distância. Essa relação evidencia como o apoio familiar influencia diretamente o desenvolvimento emocional de crianças.
Corpo, puberdade e comparação social
Um dos temas centrais do filme é a relação da protagonista com o próprio corpo. Margaret observa suas amigas, compara-se e tenta entender seu próprio ritmo de desenvolvimento.
Esse comportamento é extremamente comum. Segundo especialistas em psicologia do desenvolvimento, a comparação social é um dos principais gatilhos de ansiedade na pré-adolescência.
Primeira menstruação e descoberta do corpo
O filme aborda a menstruação, o uso de sutiã e as mudanças físicas com naturalidade — algo ainda pouco explorado no audiovisual.
No Brasil, iniciativas como as políticas de dignidade menstrual vêm ganhando força, mostrando como o tema ainda é cercado por tabus. O longa contribui para normalizar essas conversas, especialmente entre pais e filhos.
Amizade, pertencimento e pressão social
Ao chegar à nova escola, Margaret é rapidamente inserida em um grupo liderado por Nancy. Esse núcleo revela como funcionam as dinâmicas sociais na pré-adolescência: regras implícitas, validação externa e necessidade de aceitação.
A pressão para se encaixar
O filme mostra como meninas dessa idade criam “marcos” de crescimento — como menstruar ou usar determinado tipo de roupa — e como isso pode gerar insegurança.
Essa realidade também é visível no contexto brasileiro, especialmente com a influência das redes sociais, onde padrões de comportamento e aparência são constantemente reforçados.
Fé, identidade e questionamentos internos
Outro eixo fundamental da narrativa é a espiritualidade. Filha de pai judeu e mãe cristã, Margaret não segue uma religião específica — o que abre espaço para questionamentos profundos.
A relação direta com o divino
A protagonista conversa com Deus de forma espontânea, sem rituais ou regras. Esse recurso narrativo é poderoso porque transforma a fé em algo íntimo e pessoal.
No Brasil, um país marcado pela diversidade religiosa (segundo o IBGE, há ampla pluralidade de crenças), essa abordagem dialoga com uma realidade cada vez mais comum: jovens que buscam espiritualidade fora de instituições tradicionais.
Fé como ferramenta de autoconhecimento
Ao longo da história, fica claro que as conversas com Deus são, na verdade, reflexões internas. Margaret utiliza esse diálogo para organizar seus pensamentos, medos e desejos.
Diferente de produções que apostam em grandes acontecimentos, Crescendo Juntas se destaca por valorizar pequenas experiências cotidianas.
Essa escolha narrativa reforça uma mensagem importante: o crescimento acontece nos detalhes — nas conversas, nas dúvidas, nas inseguranças e nas descobertas aparentemente simples.
Por que o filme se destaca no cenário atual?
O longa se diferencia por três fatores principais:
Naturalidade na abordagem de temas sensíveis
Assuntos como menstruação, sexualidade, fé e insegurança são tratados sem exageros ou estereótipos.
Representatividade emocional realista
Margaret não é idealizada. Ela é insegura, curiosa, contraditória — como qualquer pré-adolescente.
Potencial educativo para famílias
O filme funciona como um ponto de partida para diálogos importantes, especialmente entre pais e filhos.
Vale a pena assistir Crescendo juntas
Sim — e por vários motivos.
O filme não apenas entretém, mas também educa, acolhe e provoca reflexão. Para famílias brasileiras, ele pode ser uma ferramenta valiosa para abordar temas que muitas vezes são evitados.
Além disso, a atuação de Abby Ryder Fortson é um dos grandes destaques, trazendo autenticidade e sensibilidade à protagonista.
Considerações finais
Crescendo Juntas é mais do que um filme sobre adolescência. É um retrato honesto do processo de crescimento — com todas as suas dúvidas, conflitos e descobertas.
Ao conectar corpo, fé, família e identidade, a obra entrega uma narrativa completa e relevante, especialmente em um momento em que discutir saúde emocional e desenvolvimento juvenil se torna cada vez mais necessário.
Para o público brasileiro, o filme não apenas ressoa — ele abre espaço para conversas que precisam acontecer.
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