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Magic: The Gathering | Qual o Papel dos Eldrazis para o Multiverso?

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Como os Horrores Cósmicos podem se encaixar dentro Ecossistama do Multiverso de Magic: The Gathering?

Magic: The Gathering | Qual o Papel dos Eldrazis para o Multiverso?


Eles não deveriam estar aqui. Eles deveriam estar além daqui. De alguma maneira, existe um “além” de Zendikar. Existiam muitos aléns de Zendikar, e os Eldrazi sabiam disso, e até onde eles sabiam, eles deveriam estar lá, e não aqui.

Mas eles estavam aqui, e seu propósito era consumir, então foi o que fizeram”

-Drana em “Memories of Blood”

Monstruosidades colossais, aberrações deturpadas da natureza e destruidores de mundos. Todos esses epítetos podem ser usados para descrever os Eldrazi, criaturas vistas pela primeira vez na coleção Ascensão dos Eldrazi. Uma misteriosa raça proveniente das Eternidades Cegas com o único objetivo de consumir, os eldrazi foram vistos como os principais antagonistas de sua coleção de estreia, de Batalha por Zendikar, de Juramento das Sentinelas e de Lua Arcana. Porém, o que exatamente são os eldrazi? Bom, eu venho aqui lhes propor algumas hipóteses.

 

O Que são os Eldrazi?

Magic: The Gathering | Qual o Papel dos Eldrazis para o Multiverso?

 

Primeiro, acho importante caracterizar os eldrazi.

Durante seu diálogo com as Sentinelas (nessa época grupo formado por Jace, Nissa, Chandra e Gideon), no capítulo Zendikar Resurgent, da coleção Juramento das Sentinelas, o Dragão-Espírito Ugin, ao repreender o grupo por ter matado dois dos três titãs, diz: 

“Vocês mataram dois seres vivos mais velhos do que muitos mundos, sem saber seu propósito, seu papel, o impacto de suas vidas e suas mortes…”

Como dito pelo Dragão Espírito, os eldrazi são perigosos seres ancestrais com diversas capacidades. Claramente baseados nos mitos de H.P. Lovecraft e em seus deuses antigos, os eldrazi seguem em exame na forma 3 deuses titânicos. Seres tão grandes e poderosos que, ao se manifestarem em sua totalidade em um plano, causam seu colapso e desestruturação. Os 3 titãs eldrazi têm a capacidade de distorcer o mundo à sua volta, cada um de uma maneira.

O Primeiro dos titãs a aparecer é Ulamog, que possui a habilidade de distorcer as propriedades físicas ao seu redor. Ao redor do ser colossal, o ambiente e os seres vivos passam por um processo em que sua energia vital e mana são absorvidos, tornando-se em uma substância branca e apática. O Segundo é Kozilek, aquele que distorce a realidade. A mera presença de Kozilek muda a percepção de realidade dos seres a sua volta, gerando insanidade e loucura. A Última dos Titãs é a criadora de pesadelos e inimiga número 1 de Innistad (e dos esquilos), Emrakul. Na minha opinião, a pior dos 3. Seu poder é distorcer os seres vivos em aberrações e horrores, criar paranoia e desolação e corromper as mais nobres criaturas em pesadelos horripilantes.

Embora possam parecer ser somente criaturas irracionais e de destruição, os eldrazi são seres cientes, entretanto com consciências maiores que de seres vivos comuns, o que impossibilita sua compreensão. Isso é deixado claro por Emeria em seu diálogo com Jace. Ela deixa claro para o telepata não ser a própria Emrakul, mas sim uma manifestação da mente de Jace tentando processar a existência da titã, pois a mesma não consegue reconhecer a existência do mago da mente.

Durante o mesmo diálogo e na citação da Drana, é deixado claro que os eldrazi têm um objetivo positivo, que deveria ser comemorado e não negado, e que eles não estão apenas vagando e destruindo as coisas por motivo nenhum. O objetivo real deste texto é propor duas teorias sobre o possível objetivo dos eldrazi dentro do ecossistema do multiverso.

 

Decompositores e Agentes de mudança

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A Primeira hipótese se baseia principalmente em Ulamog e na ideia dos eldrazi como decompositores do multiverso. Decompositores são uma categoria de seres vivos constituída principalmente por fungos e bactérias presentes no nosso mundo. Essenciais à cadeia alimentar, os decompositores têm como função a reciclagem da matéria orgânica morta. Ao dissolver corpos mortos e outros resíduos orgânicos, os decompositores geram nutrientes e gases que são absorvidos pelo meio ambiente, e isso permite seu o funcionamento. 

Supondo que os recursos dentro do multiverso de Magic sejam limitados, seu colapso seria iminente sem a existência de uma classe decompositora. Nesse ponto, entram os eldrazi, que teriam o papel de deteriorar a matéria para liberar os recursos limitados de volta ao multiverso. A maior prova para essa hipótese seria o efeito de Ulamog no ambiente e na vida à sua volta, onde o mana é drenado (nesse caso, os recursos drenados seriam o próprio mana), o que deixa os arredores do titã em um processo de deterioração. Além disso, é importante ressaltar que existe a possibilidade de vermos os eldrazi como parasitas, visto que não é comprovado que esse mana é devolvido ao multiverso.

Dentro da mesma linha de raciocínio, existe também a possibilidade de os eldrazi estimularem a evolução dentro do ecossistema do multiverso. Todos os 3 titãs demonstraram a capacidade de mudar o mundo à sua volta. Os principais exemplos são Emrakul e Ulamog. Durante sua estada em Innistrad, a presença de Emrakul transformou os seres do plano em aberrações. Entretanto, se abandonarmos nossa visão do que é “normal”, as mutações criadas por Emrakul podem ser vistas como uma evolução, pois evolução na biologia não significa necessariamente melhoria, mas adaptação física a um ambiente ou a uma situação específica (no caso, a presença da titã).

Já Ulamog demonstra isso de duas maneiras. Uma delas, dentro das capacidades do enxame de Ulamog, está a de absorver a energia do ambiente e transformá-la em magias complexas. A outra está na criação dos vampiros de Zendikar. Vampiros originalmente não existiam no plano, mas, após a encarceramento dos Eldrazis em seu interior, a presença do titã da fome influenciou os habitantes de Akoum, fazendo-os criar um culto dedicado a libertá-los e depois os transformando nos primeiros chefes de clã vampíricos.

Para considerar essa possibilidade da evolução, devemos também levar em conta que a possível capacidade mágica dos titãs aceleraria esse processo, e a evolução natural, por sua vez, leva milênios para acontecer.

 

O Fim Prometido e a Entropia

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Crescimento! Crescimento é a resposta! A única resposta! A Entropia não pode perder. Mas ela deve vencer? É claro que sacrifícios devem ser feitos. Porque eles lutam contra isso? Eternidade sem sacrifícios oferece apenas o entorpecimento gritante. O sangue deve espumar, espumado espesso. Porque eles temem a vida? Porque eles temem a verdade?”

-Nissa Revane em “The Promised End”

“Tudo termina. Tudo morre. A plenitude está sempre atrás de nós. O Tempo aponta para apenas uma direção.”

-Emeria/Emrakul em “The Promised End”

 

Particularmente essa é a minha teoria preferida. A Entropia é definida como o caos térmico. Segundo a teoria mais aceita, o universo irá terminar, pois, ao se expandir, chegará a um ponto em que toda a energia estará em estado diluído, o que levará ao fim as reações químicas que movimentam o universo. A ideia dessa hipótese é que os eldrazi não são decompositores, mas uma espécie de limitadores com o objetivo do fim. 

Quando possuída por Emrakul, Nissa diz que a entropia não pode perder, mas não pode vencer também e fala de crescimento. Acredito que o Multiverso está em constante expansão, e a entropia (crescimento e caos) não pode parar. Entretanto, se ela não for contida, o multiverso corre perigo de acabar, e, para isso, existiriam os eldrazi. O papel das aberrações das Eternidades Cegas seria moldar a entropia para uma direção específica.

Imagine que o Multiverso seja uma árvore, a entropia seria seu crescimento desenfreado se expandindo em galhos (planos) novos constantemente. Em um certo ponto, em um caso de recursos limitados, a árvore acabaria morrendo, pois não teria recursos para alimentar todas suas bifurcações (não é exatamente assim, mas abracem a metáfora). Os eldrazi são como jardineiros, que cortam galhos excedentes e moldam a árvore em uma direção específica.

Aí vocês devem estar se perguntando, qual é essa direção? Eu a chamo de “O Fim Prometido”. Como a própria personificação da titã espaguete diz “o tempo aponta em uma direção, e muito possivelmente essa direção é o fim de tudo”. Embora pareça que, nesse caso, tanto faz entre o fim da entropia e o fim dos eldrazi, muitos fins podem representar novos começos e talvez, para que se mantenha a continuidade da existência do multiverso (eternidade), seja necessário que ele termine corretamente. Basicamente o que eu proponho aqui é que o multiverso está condenado a acabar de qualquer jeito, e o papel dos eldrazi é conduzi-lo para um fim que o permita se renovar num ciclo infinito.

 

Vilões?

Em qualquer uma das hipóteses acima, os eldrazi não são necessariamente vilões. Se considerarmos que, para os eldrazi, as criaturas sencientes são como formigas e que a consciência delas opera em uma lógica micro de consciência da existência, o objetivo deles é justo para o multiverso. Assim como o ser humano destrói ecossistemas habitados por seres os quais ele considera inferiores para melhorar suas próprias vidas, os eldrazi destruiriam estruturas que, para eles, são passageiras e insignificantes em favor de um bem maior.

Ao analisar os eldrazi, é muito importante destacar o senso de simpatia pelas criaturas dos mundos deles, pois os eldrazi experimentam uma consciência de realidade, de tempo e da existência muito diferente da das demais criaturas. O que pode ser 10000 anos para o ser humano são algumas horas para eles, o que é um mundo inteiro para nós significa um galho podre ou um formigueiro para eles.

Os eldrazi ainda tem muito pano de chão para serem explorados, com Emrakul presa intencionalmente na lua de Innistrad (possivelmente um dos maiores focos arcanos do multiverso) e ainda muitos mistérios a serem desvendados, ainda podemos ter várias surpresas e hipóteses, principalmente com a chegada de Innistrad Midnight Hunt e Innistrad Crimson Vow.

Mas isso é papo para outro encontro…


Notas do Dingo 

Para os que estiverem um pouco mais interessados no assunto, os links para os capítulos citados vão estar a seguir, infelizmente não temos essa parte da Lore de Magic traduzida:

Memories of Blood:  

https://magic.wizards.com/en/articles/archive/magic-story/memories-blood-2015-09-16

Zendikar Resurgent:
https://magic.wizards.com/en/articles/archive/magic-story/zendikar-resurgent-2016-02-24

The Promised End:

https://magic.wizards.com/en/articles/archive/magic-story/promised-end-2016-07-27

Os conceitos científicos que abordei, como o conceito de decompositores e da entropia foram retirados da internet, recomendo que se quiserem se aprofundar no assunto, deem uma pesquisada, é um tema realmente interessante.

Por fim, qualquer dúvida, comentário ou crítica, faça educadamente nos comentários que terei o prazer de responder. Sugestões para o próximo ponto desta nossa viagem pelo multiverso também são bem vindas. No mais, ficamos por aqui, Um enorme abraço e até a próxima.

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