O filme Crescendo Juntas se destaca como uma das produções mais sensíveis sobre o processo de crescer. Longe de clichês exagerados ou conflitos artificiais, a obra aposta em algo mais poderoso: a simplicidade das dúvidas reais.
A história acompanha Margaret, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar com a família. No entanto, o verdadeiro conflito não está apenas na adaptação social, mas em uma questão mais íntima — sua identidade religiosa e emocional.
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O resultado é um filme que conversa diretamente com o público, especialmente com quem já viveu (ou ainda vive) o desconforto de não saber exatamente onde se encaixa.
Uma protagonista construída a partir de dúvidas reais
Margaret não é uma personagem idealizada. Ela não tem respostas, não possui certezas e, principalmente, não segue um caminho linear.
A fé como ponto de partida — e não como resposta
Filha de pai judeu e mãe cristã, Margaret cresce em um ambiente onde nenhuma religião é imposta. À primeira vista, isso pode parecer liberdade total. Mas, na prática, gera um vazio:
ninguém orienta
ninguém direciona
ninguém responde
Diante disso, a protagonista toma uma decisão simples, mas poderosa: começa a conversar com Deus do seu próprio jeito.
Esse recurso narrativo é um dos grandes acertos do filme, pois transforma a espiritualidade em algo íntimo, humano e acessível.
O peso de decidir cedo demais
Um dos pontos mais relevantes do longa é mostrar como, mesmo sem pressão explícita, Margaret sente a necessidade de escolher rapidamente quem ela é.
Isso aparece em diferentes momentos:
na escola, ao tentar se encaixar
em casa, ao buscar respostas dos pais
nas experiências religiosas, ao visitar diferentes espaços
O filme evidencia algo muito comum no Brasil atual: jovens sendo pressionados a se definir antes de se conhecerem.
Crescendo Juntas: família em equilíbrio delicado
Outro pilar central da narrativa é a dinâmica familiar — e como ela influencia diretamente o amadurecimento.
Pais que evitam impor… mas também não guiam
A mãe de Margaret, interpretada por Rachel McAdams, opta por não influenciar a filha religiosamente. Já o pai, vivido por Benny Safdie, também evita qualquer imposição.
Essa postura cria um cenário curioso:
liberdade total de escolha
ausência de referência
insegurança crescente
Na prática, o filme mostra que liberdade sem orientação pode gerar confusão — especialmente na infância.
A avó como contraponto tradicional
A presença da avó, interpretada por Kathy Bates, traz um olhar mais tradicional.
Ela introduz Margaret ao judaísmo, oferecendo:
rituais
explicações
pertencimento
Mas esse acolhimento também vem acompanhado de expectativa, criando mais um conflito interno na protagonista.
Escola, amizade e pressão social
Além da família, o ambiente escolar desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de Margaret.
O desejo de pertencer
Ao chegar em uma nova cidade, a protagonista tenta evitar o rótulo de “garota nova”. Para isso, ela:
observa comportamentos
imita atitudes
testa formas de agir
Essa construção é extremamente realista e dialoga diretamente com a experiência de adolescentes brasileiros.
Corpo, comparação e insegurança
O filme também aborda, com sensibilidade, temas como:
puberdade
comparação entre amigas
pressão estética
expectativas sobre o corpo
Margaret deseja crescer rápido — ter seios, menstruar, amadurecer. Esse desejo revela uma ansiedade comum na adolescência: querer acelerar o tempo.
A religião como ferramenta de autoconhecimento
Um dos elementos mais interessantes da narrativa é como a religião deixa de ser um destino e passa a ser um caminho.
Experimentar para entender
Ao longo do filme, Margaret visita diferentes espaços religiosos e tenta entender:
o que cada fé representa
como as pessoas se comportam
onde ela se sente pertencente
No entanto, ela nunca se sente completamente inserida. E é justamente isso que torna a história tão real.
Conversar com Deus como diálogo interno
As conversas da protagonista com Deus funcionam, na verdade, como reflexões pessoais.
Ela fala sobre:
medo
dúvidas
desejos
inseguranças
Sem perceber, Margaret não está buscando respostas externas — mas construindo suas próprias.
Por que Crescendo Juntas emociona tanto?
O grande diferencial do filme não está em grandes reviravoltas, mas na forma como retrata pequenas experiências.
Realismo que aproxima
Ao invés de dramatizar excessivamente, o longa aposta em:
situações cotidianas
conflitos silenciosos
emoções sutis
Isso cria uma conexão imediata com o público.
Ausência de respostas prontas
Diferente de muitas produções, o filme não entrega uma conclusão definitiva.
Margaret não sai com uma identidade totalmente definida. E isso é intencional.
A mensagem é clara: crescer é um processo contínuo, não uma decisão pontual.
Vale a pena assistir Crescendo Juntas?
Sim — especialmente para quem busca uma história sensível, realista e emocionalmente honesta.
O filme não é sobre religião, nem apenas sobre adolescência. Ele é, acima de tudo, sobre:
encontrar seu próprio tempo
aceitar dúvidas
construir identidade aos poucos
Em um cenário dominado por conteúdos rápidos e superficiais, Crescendo Juntas se destaca justamente por ir na contramão.
Ele desacelera, observa e convida o espectador a fazer o mesmo.
Conclusão: um filme necessário para todas as idades
Crescendo Juntas prova que histórias simples podem ser profundamente impactantes. Ao acompanhar Margaret, o público revisita suas próprias dúvidas e inseguranças.
Mais do que um filme adolescente, trata-se de uma obra sobre humanidade.
Porque, no fim, crescer nunca deixa de ser um desafio — independentemente da idade.
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