A Onda chega ao Top 2 da Netflix; filme é baseado em história real?

Mais de uma década depois de chegar aos cinemas, A Onda voltou a conquistar o público brasileiro. Nesta terça-feira, 25 de agosto, o suspense norueguês aparece em segundo lugar no Top 10 de filmes mais assistidos da Netflix no Brasil.
O desempenho chama atenção porque a produção de 2015 disputa espaço com títulos muito mais recentes. Parte desse interesse pode ser explicada pelo ritmo de sobrevivência, pelas cenas de destruição e, sobretudo, pela informação perturbadora apresentada logo no início: o desastre mostrado na tela pode realmente acontecer.
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A Onda não reproduz um caso específico envolvendo seus personagens. Kristian, Idun, Sondre e Julia são fictícios. Entretanto, a ameaça geológica responsável pelo tsunami existe, é estudada há anos e permanece sob monitoramento na Noruega.
O resultado é um filme que combina ficção, registros de tragédias reais e uma previsão científica levada a sério pelas autoridades norueguesas.
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A Onda é baseada em uma história real?
A resposta mais precisa é: A Onda é inspirada em uma ameaça real, mas sua trama principal é fictícia.
Não houve um geólogo chamado Kristian Eikjord tentando salvar a família de uma onda gigante em Geiranger. Também não ocorreu, naquele local e nas circunstâncias mostradas pelo filme, o desabamento que conduz a narrativa.
O risco apresentado, porém, não foi inventado pelos roteiristas. A montanha Åkerneset, localizada sobre um sistema de fiordes no oeste da Noruega, possui uma área rochosa instável capaz de provocar um grande deslizamento.
Caso uma quantidade expressiva de rochas caia repentinamente no fiorde, o deslocamento da água poderá gerar ondas destrutivas. Comunidades localizadas nas margens, além de estruturas turísticas e vias de transporte, estariam entre as áreas ameaçadas.
Portanto, A Onda transforma uma possibilidade geológica concreta em um cenário dramático de sobrevivência. O filme imagina como seria o dia em que os sinais monitorados pelos especialistas deixariam de representar apenas um risco e passariam a indicar um colapso iminente.
Qual é a ameaça real mostrada em A Onda?
A principal referência do filme é a encosta instável de Åkerneset, situada na região de Møre og Romsdal. O local possui fraturas e movimentos que são acompanhados por especialistas devido ao risco de uma avalanche de rochas atingir o fiorde.
Estudos do Serviço Geológico da Noruega, conhecido pela sigla NGU, apontaram uma massa instável com dezenas de milhões de metros cúbicos. As estimativas podem variar conforme a área considerada e o modelo utilizado pelos pesquisadores.
O tamanho do bloco não é o único fator preocupante. A encosta está posicionada acima de um fiorde estreito, condição capaz de concentrar e direcionar a energia da água para diferentes comunidades.
É justamente essa combinação entre volume de rocha, altura da queda e formato do fiorde que torna o cenário tão perigoso.
Por que a montanha é monitorada?
Encostas rochosas não precisam desabar de uma única vez para apresentar sinais de perigo. Antes de um grande colapso, podem ocorrer deslocamentos lentos, abertura de fraturas, alterações na pressão da água subterrânea e pequenos eventos sísmicos.
Em Åkerneset, equipamentos são usados para acompanhar essas mudanças. O sistema de vigilância reúne diferentes instrumentos porque nenhum método isolado consegue oferecer todas as respostas.
Sensores instalados na superfície e em perfurações ajudam a medir deslocamentos. Dados sísmicos, condições meteorológicas, pressão da água e observações por satélite também podem contribuir para a análise.
Essa estrutura tem uma finalidade prática: identificar uma aceleração anormal com antecedência suficiente para elevar o nível de alerta e organizar a retirada das áreas ameaçadas.
Em A Onda, esse trabalho técnico aparece no centro da narrativa. Kristian percebe que as alterações registradas não são apenas falhas comuns nos equipamentos. Sua preocupação cresce quando os dados começam a indicar uma movimentação muito mais grave.
O tsunami de A Onda poderia acontecer?
Sim, um grande deslizamento dentro de um fiorde pode produzir ondas extremamente destrutivas. Esse fenômeno é diferente dos tsunamis mais conhecidos, normalmente associados a terremotos submarinos.
No caso apresentado pelo filme, a onda seria gerada pela entrada repentina de uma enorme massa de rochas na água. O impacto deslocaria um volume considerável do fiorde em poucos segundos.
A altura atingida pela água dependeria de diversos fatores, como o volume efetivamente desprendido, a velocidade da queda, a profundidade do fiorde e o formato das margens.
Por isso, números como os cerca de 76 ou 80 metros mencionados em materiais sobre A Onda devem ser entendidos dentro do cenário construído para a produção. Eles não representam uma previsão única e garantida para todas as localidades.
Ainda assim, ondas locais muito altas provocadas por deslizamentos já foram registradas na Noruega. O risco central do filme, portanto, possui fundamento científico e histórico.
A população teria apenas dez minutos para fugir?
O prazo de dez minutos é um dos elementos que mais aumenta a tensão de A Onda. Depois que o colapso acontece, moradores e turistas precisam alcançar áreas elevadas antes da chegada da água.
Esse período não deve ser interpretado como uma contagem fixa para toda a região. O tempo de chegada varia conforme a posição da comunidade, o ponto do deslizamento e as características da onda.
Contudo, a ideia de uma janela muito curta é realista. Em fiordes estreitos, uma onda gerada nas proximidades pode atingir áreas habitadas rapidamente, deixando pouco espaço para decisões demoradas.
É por essa razão que monitoramento, planos de evacuação, sirenes e rotas para terrenos elevados são tão importantes. O objetivo é não depender exclusivamente de um alerta emitido depois que a montanha já desabou.
Tragédias reais ajudaram a inspirar A Onda
A Noruega possui registros históricos que demonstram como deslizamentos podem gerar ondas fatais dentro de fiordes e lagos. A Onda utiliza essa memória coletiva para tornar sua história mais convincente.
Uma das principais referências é o desastre de Tafjord, ocorrido em 7 de abril de 1934. Na ocasião, milhões de metros cúbicos de rocha caíram no fiorde e provocaram ondas que atingiram as comunidades próximas.
Quarenta pessoas morreram em Tafjord e Fjørå. Casas, embarcações e outras estruturas foram destruídas, deixando marcas que continuam presentes na história local.
O evento é particularmente importante para compreender o filme porque aconteceu na mesma região norueguesa e confirmou, décadas antes, que o impacto de uma avalanche de rochas pode atravessar o fiorde e atingir vilarejos com violência.
Os desastres de Loen
Outros episódios ocorreram na região de Loen. Em 1905, uma grande massa rochosa caiu no Lago Lovatnet e gerou ondas que devastaram áreas habitadas.
Em 1936, um novo deslizamento atingiu o mesmo lago, causando outra tragédia. Os dois acontecimentos deixaram dezenas de mortos e reforçaram a necessidade de estudar encostas instáveis.
Esses casos explicam por que o perigo apresentado em A Onda não é tratado pelas autoridades como uma hipótese fantasiosa. A possibilidade de novos eventos faz parte do planejamento de segurança das comunidades expostas.
Ao recuperar essa história, o filme também mostra que belas paisagens podem esconder processos naturais de enorme poder destrutivo.
Qual é a história de A Onda?
Com 1 hora e 45 minutos de duração, A Onda acompanha Kristian Eikjord, interpretado por Kristoffer Joner. Ele é um geólogo que trabalha no centro responsável por observar a estabilidade das montanhas próximas ao fiorde de Geiranger.
Kristian está prestes a deixar a pequena comunidade com a esposa, Idun, vivida por Ane Dahl Torp, e os filhos Sondre e Julia. A família planeja se mudar para uma cidade maior, onde o geólogo começará um novo trabalho.
Antes da partida, sensores instalados na montanha registram alterações preocupantes. Kristian decide investigar os dados e percebe que o comportamento da encosta pode indicar algo muito mais sério do que uma anomalia técnica.
Enquanto parte da equipe ainda tenta compreender os sinais, a ameaça evolui. Quando a montanha finalmente cede, uma grande massa de rochas atinge o fiorde e gera uma onda capaz de destruir Geiranger.
A família fica separada durante a emergência. Kristian tenta proteger Julia e chegar a uma área elevada, enquanto Idun procura Sondre dentro do hotel onde trabalha.
Essa divisão permite que o espectador acompanhe tanto a tentativa de escapar da onda quanto a luta de quem fica preso nas construções atingidas pela água.
Por que A Onda se destaca entre os filmes de desastre?
Embora tenha destruição em grande escala, A Onda dedica bastante tempo à rotina dos personagens. A produção apresenta a família, o trabalho de Kristian e a relação da comunidade com o turismo antes de liberar o desastre.
Essa escolha cria uma conexão maior com as pessoas ameaçadas. O espectador não acompanha apenas prédios sendo destruídos, mas uma família comum tentando permanecer unida.
O cenário também diferencia o filme das grandes produções de Hollywood. Em vez de uma metrópole, a história acontece entre montanhas, estradas estreitas, túneis, hotéis e águas profundas.
A paisagem de Geiranger é ao mesmo tempo atraente e ameaçadora. A beleza do fiorde aumenta o contraste com o perigo escondido na encosta.
Outro ponto importante é o protagonismo da ciência. Kristian não possui poderes especiais nem equipamentos extraordinários. Sua principal ferramenta é a capacidade de observar dados, reconhecer padrões e compreender as consequências do movimento da montanha.
A Onda é bom?
A recepção da crítica ajuda a explicar por que A Onda continua despertando interesse tantos anos após o lançamento. O filme mantém 83% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com base em mais de cem avaliações reunidas pela plataforma.
No IMDb, a produção aparece com nota 6,6 de 10. Os índices podem sofrer pequenas alterações à medida que novas avaliações são registradas.
Entre os aspectos mais elogiados estão os efeitos visuais, a fotografia, a construção gradual da tensão e a atenção dedicada aos personagens.
O longa também ganhou reconhecimento dentro da indústria norueguesa. Nos Prêmios Amanda, principal premiação de cinema do país, venceu categorias como melhor filme norueguês, melhores efeitos visuais e melhor desenho de som.
Além disso, A Onda foi escolhido para representar a Noruega na disputa por uma indicação ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira referente à cerimônia de 2016. A produção entrou na lista oficial de representantes nacionais, mas não chegou ao grupo final de indicados.
Nos cinemas da Noruega, tornou-se um grande sucesso comercial, com aproximadamente 800 mil ingressos vendidos. O resultado colocou o longa entre os maiores fenômenos locais daquele período.
O sucesso de A Onda no Top 2 da Netflix
Nesta terça-feira, 25 de agosto, A Onda ocupa o segundo lugar entre os filmes mais assistidos da Netflix no Brasil. A posição mostra como produções mais antigas podem encontrar uma nova audiência quando chegam ao catálogo ou ganham maior exposição na plataforma.
O interesse por histórias de sobrevivência também favorece o desempenho. Filmes de desastre costumam provocar curiosidade porque colocam personagens comuns diante de situações extremas e apresentam perigos que, em algum nível, parecem possíveis.
No caso de A Onda, o impacto é ainda maior quando o público descobre que a montanha existe e continua sendo monitorada.
A produção não é a reconstituição de uma tragédia específica, mas também não representa uma ameaça criada apenas para o cinema. Seu ponto de partida está em pesquisas geológicas, desastres históricos e planos reais de prevenção.
Isso transforma A Onda em mais do que um suspense sobre uma família tentando sobreviver. O filme funciona como um alerta sobre a força da natureza e sobre a importância da ciência para reduzir os danos quando determinados fenômenos não podem ser simplesmente impedidos.
Para quem procura um filme de desastre tenso, relativamente curto e sustentado por uma ameaça verdadeira, o título que está no Top 2 da Netflix oferece uma combinação eficiente de ação, drama familiar e realidade científica.
Imagem: Reprodução Netflix




