‘Cidade de Deus’ conquista o Oscar: por dentro das quatro nomeações inéditas do cinema brasileiro

Quatro nomeações inéditas no cinema brasileiro

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O curioso caso do filme “Cidade de Deus” e a ausência nas nomeações para melhor filme internacional de 2003

O filme brasileiro “Cidade de Deus“, dirigido por Fernando Meirelles e lançado em 2002, ainda desperta discussões e controvérsias. Apesar de ter sido aclamado mundialmente e aparecer em várias listas de melhores filmes de todos os tempos, a produção não foi indicada na categoria de melhor filme internacional na cerimônia do Oscar em 2003.

A omissão surpreendeu muitos críticos e espectadores que acreditavam que o longa tinha todos os requisitos para estar entre os indicados. Especulações indicaram que houve uma suposta esnobada do próprio Brasil que teria selecionado outro representante para a categoria. No entanto, essa alegação se provou falsa.

Cidade de Deus
Imagem: reprodução/ metropoles

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A indicação e a reviravolta dos fatos

Para a surpresa de todos, “Cidade de Deus” voltou a surpreender na edição seguinte do Oscar em 2004. O filme foi nomeado para quatro categorias: Melhor Diretor (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Montagem (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (César Charlone).

Essa reviravolta apenas enfatizou a ausência do longa na indicação à categoria de melhor filme internacional na edição anterior. A decisão de 2003 foi questionada, pois o filme não apenas tinha o aval unânime do comitê de seleção brasileiro, mas também tinha recebido aclamação crítica ao redor do mundo.

O processo de seleção e a resistência da Academia

A seleção de um filme para a categoria de melhor filme internacional no Oscar deve ser feita por uma entidade do país de origem do filme. Em 2002, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) estava encarregada desse processo no Brasil.
A Ancine havia escolhido “Cidade de Deus” como o representante do Brasil para a categoria, mas a obra não foi aceita pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Fernando Meirelles, diretor do filme, acredita que o longa não foi aprovado por membros mais velhos da Academia.

O impacto e legado da “Cidade de Deus”

As discussões em torno da ausência de “Cidade de Deus” da lista de indicados a melhor filme estrangeiro no Oscar de 2003 e as suas indicações na edição de 2004 revelam o impacto e relevância do longa. Até hoje, o filme aparece em listas de maiores injustiças do Oscar, e o episódio serve como um lembrete da incansável luta por reconhecimento e justiça no cinema brasileiro.