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Autores usam quarentena para adentrar no mercado editorial

Autores usam quarentena para adentrar no mercado editorial

 

Enfrentando realidades diferentes, autores e editoras se destacam ao levar seus projetos em diante desde o início da pandemia da Covid-19

 

Inesperadamente o coronavírus se alastrou pelo mundo inteiro instalando uma pandemia que há mais de um ano trouxe diversas mudanças para o Brasil. Entre empecilhos e incentivos, alguns mercados sofreram de forma absurda e outros conseguiram se adaptar; como o editorial. Ao longo da quarentena para a não propagação da Covid-19, diferentes artistas da literatura se dedicaram em seus projetos e publicaram livros dentro de casa.

“Sou estudante de universidade pública, e a instituição levou bastante tempo para se organizar e se adequar ao novo padrão de vida que nos foi imposto pela pandemia, deixando-me sem aulas por vários meses. Nesse ínterim, tive muito tempo livre, mais do que imaginaria, e pude me dedicar com mais empenho a minha obra”, informou Rafaella Marques, baiana que lançou seu primeiro livro em março deste ano.

 

 

De longe, a pandemia nos proporcionou diversos problemas e perdas, não é um momento adequado para comemorações, por isso, os artistas não encaram a situação como algo bom, porém reconhecem que foi uma oportunidade para adentrar ao mercado editorial.

 

“Foi uma experiência com lados positivos e negativos. Foi bom trazer algo de belo para um ano com tanta tristeza. Por outro lado, foi uma pena não poder celebrar de pertinho, ao jeito brasileiro, com os amigos, a família e um abraço caloroso daqueles que nos querem bem”.

 

A autora de Quase Bruxa recebeu os exemplares de sua obra recentemente, o livro foi publicado pela Plus+, selo do Grupo Editorial Coerência, e como diversos outros lançamentos, no momento, não terá evento físico para a recepção dos leitores.

Isabela Zinn, escritora de O Reino da Rosa Negra, também passou pela mesma situação. Após trocar de curso durante a pandemia da Covid-19, ela encontrou mais tempo para se dedicar à escrita da sua obra, a qual foi lançada em março.

“O meu livro foi publicado, mas ainda não teve um evento de lançamento em livraria, e eu espero que após a pandemia eu consiga reunir em um estabelecimento literário com os meus leitores”, informou.

 

 

Mesmo sem o contato físico com seu público, a autora ressalta a importância da internet e seus mecanismos durante este momento de isolamento social: “Em relação às vendas, eu não fui tão afetada devido ao aumento de compras e lojas on-line”.

 

Todos os autores ganharam tempo e conseguiram se dedicar em seus projetos?

Diferente de muitos, alguns artistas encontraram grandes empecilhos com a chegada da pandemia da Covid-19. Viver como autor no Brasil é bastante complicado, por isso, muitos também atuam em outras profissões, áreas profissionais essas que não paralisaram ao longo da quarentena.

“A pandemia nos trouxe como consequência o isolamento e restrições de muitos planos, porém minhas atividades diárias não sofreram com isso. Meu trabalho com controle de qualidade no setor de mineração consome grande parte do meu tempo. Além disso tem os afazeres de casa e meu filho de três anos que precisa de meu tempo e atenção”, relatou Gleiber Clodomiro, autor de John Aron e o Enigma dos Sonhos.

 

 

Mesmo lançando o livro durante um evento físico, ele sente a falta das grandes bienais: “Meu desejo é de poder participar de uma Bienal seja do Rio de Janeiro ou São Paulo”. O escritor divide bastante o seu dia devido às suas obrigações profissionais e pessoais, e mesmo assim, aos poucos encontra tempos livres para se dedicar na escrita da continuação do seu livro, a qual ele já revelou estar no início da narrativa.

A situação já não é a mesma com Carolina Reginatto, autora de “Numbers – As Runas do Poder”, lançado há poucos dias pela Editora Livros Prontos. De fato, a artista ficou mais tempo em casa, porém a pandemia lhe trouxe grandes bloqueios na hora da escrita, principalmente quando sentava na frente do computador para escrever o livro: “Com todos os acontecimentos, acabei sentindo mais dificuldade de me expressar, já que é um momento tão incerto para todos nós”, disse.

 

 

A autora conseguiu se livrar dos bloqueios, e no momento, se ocupa em suas redes sociais promovendo o livro. Como todos os outros, ela também sente falta dos eventos presenciais, mas afirma que precisava dessa alegria que a publicação do livro lhe proporcionou.

 

“Fico muito grata pelo lançamento ter ocorrido durante a pandemia, pois me trouxe sentimentos incríveis, muitas alegrias. E, tendo em vista todo esse sofrimento, é disso que precisamos. É nos agarrar nesses momentos, é nos agarrar nas coisas boas que a vida nos proporciona, nas oportunidades”, concluiu.

 

Sem os eventos de lançamento, como os autores se promovem?

O Brasil sempre teve um grande índice de pessoas que passam mais de 9 horas na internet por dia, segundo um estudo da Hoopsuite e We Are Social, assim, sendo o segundo país do mundo com mais tempo de conexão. Essa realidade proporcionou aos autores mais contato com o seu público, e é dessa forma que Telma Brites, autora da trilogia Gaia, mantém contato com seus leitores.

 

 

“Lançar um livro durante a pandemia foi complicado. Primeiramente sofreu atrasos, devido a própria situação e chegado o momento do lançamento, eu não pude sair da Alemanha para o Brasil”, informou a autora.

 

Residente há mais de 30 anos na Europa, a escritora ainda não pegou nos livros que compõem a trilogia, e aguarda ansiosamente pelo fim da pandemia da Covid-19 para vir ao Brasil: “Quando a pandemia acabar, vou fazer uma turnê pelo Brasil com Gaia e participar o mais que possível de feiras de livros, contando principalmente com a bienal de São Paulo e do Rio de Janeiro.”

Por outro lado, os dois primeiros livros da trilogia Gaia foram lançados durante a Festa Literária de São Paulo 2020, uma feira literária presencial realizada durante a fase amarela da pandemia. Contando em diversos lançamentos, a FLISP 2020 cumpriu todos requisitos impostos pelo Ministério da Saúde para a não propagação do vírus.

Vanessa Guimarães também lançou Beijo de Borboleta, livro de estreia, na Festa Literária de São Paulo 2020, mas não pode estar presente. Em entrevista, ela ressalta que a pandemia proporcionou bastante tempo para se dedicar em seus projetos, já que ela começou a quarentena em Portugal e conseguiu finalizar a escrita de uma obra e iniciar outra.

 

 

“Nesse período, onde a maior parte do tempo estive num isolamento absoluto em Lisboa, finalizei ‘Beijo de Borboleta’ e escrevi um novo livro que será lançado esse ano. Essa disponibilidade não seria tão grande se eu estivesse na minha rotina acelerada.”

 

Vencedora do Coerência Choice Awards 2020 e finalista do Prêmio Ecos da Literatura Melhor Thriller e Policial, a artista ganhou vários leitores com o seu livro, principalmente devido às limitadas opções de lazer com a chegada do isolamento social: “O confinamento, a desaceleração das rotinas e a falta de opções de lazer, nos mostrou a importância da cultura e do entretenimento na vida das pessoas”.

 

“Muitas livrarias físicas infelizmente não sobreviveram a essa pandemia, mas as vendas on-line de livros físicos e eBooks bombaram nesse período”, concluiu Vanessa Guimarães.

 

Apesar de todas essas realidades com oportunidades incríveis, o mercado editorial brasileiro ainda não venceu a crise que há anos luta por ela. De fato, as vendas de eBooks decolaram durante a pandemia da Covid-19 e isso ajudou as empresas editoriais, mas ainda não é o momento certo para as comemorações. Grandes livrarias e empresas estão cada vez mais falindo devido a falta de retorno financeiro.

 

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