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Assassin’s Creed e porque a saga mudou tanto?

Goste ou não de Assassin's Creed, não tem como negar que é um sucesso de vendas

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Produzido pela desenvolvedora francesa Ubisoft, Assassin’s Creed teve seu primeiro jogo lançado em 2007 e foi um sucesso na época, o que deu o pontapé inicial para uma grande saga. De 2007 pra cá, a saga já teve 12 jogos da série principal, 11 dlcs e/ou remakes, 16 livros baseados no jogos da série principal, 10 histórias em quadrinhos, 3 curta metragens animados, 1 adaptação para o cinema e uma série animada que está sendo produzida pela Netflix.

Goste ou não de Assassin’s Creed, não tem como negar que é um sucesso de vendas, e junto disso formou uma base enorme de fãs pelo mundo todo. Com o tempo, a saga teve que se adaptar e acabou por fazer várias mudanças no estilo de jogabilidade, mas mantendo sua temática histórica e o eterno duelo entra Assassinos e Templários.

Mas pra falarmos sobre como Assassin’s Creed mudou tanto nos últimos anos, é importante falarmos sobre como a saga começou.

Os primeiros Assassin’s Creed e o stealth como base:

O primeiro jogo da saga é ambientado por volta de 1191 D.C. durante a Terceira Cruzada e o protagonista é Altaïr Ibn-La’Ahad, o maior assassino de sua época, o jogo se passa em quatro cidades, Jerusalém, Acre, Damasco e Masyaf. O jogo faz o uso de acontecimentos históricos para contar sua história com eventos fictícios, essa é a desculpa perfeita para que o jogador veja “com seus próprios olhos” acontecimentos históricos enquanto joga e se diverte.

Além do fato de usar momentos históricos para ambientar seu jogo, Assassin’s Creed começou sua saga propondo ao jogador, ou jogadora, que utilizem o stealth como ferramenta para completar os objetivos propostos em cada situação. Até então isso não é novidade, afinal existem uma infinidade de jogos que usam dessa dinâmica, mas porque essa mecânica deu tão certo em Assassin’s Creed?

Assassin’s Creed 1

A temática que a saga se apoia, é terreno fértil para os teólogos da conspiração de plantão, duas organizações secretas que lutam por artefatos deixados uma antiga civilização anterior aos humanos. E justamente por termos essas duas organizações, a necessidade de uma discrição para os atos que os integrantes fazem é uma necessidade real, e é por isso que o stealth se encaixa tão bem em Assassin’s Creed.

E como o primeiro jogo foi um sucesso com essa fórmula, porque as continuações seriam diferentes, não é mesmo? Então que em novembro de 2009, a Ubisoft lançou Assassin’s Creed II, ambientado em uma Itália renascentista, o jogador assume o controle de Ezio Auditore de Firenze, um jovem nobre que após a morte de seu pai e irmãos se vê envolvido no embate entre Assassinos e Templários.

O sucesso de Assassin’s Creed II foi tão grande que fez com que os dois jogos seguintes fossem com o mesmo protagonista. O sucesso de Ezio com os fãs é realmente uma coisa surpreendente dentro da saga Assassin’s Creed, tanto que até hoje o traje que é a marca registrada de Ezio, é usada como traje alternativos em jogos subsequentes da saga, assim como também é conhecida como a marca registrada para quem não conhece a saga muito a fundo.

Assassin’s Creed 2

Apesar de ser um grande sucesso, Assassin’s Creed II não trouxe tantas inovações comparado com o primeiro jogo, o uso de novas armas, as lâminas fantasmas duplas e o uso de alguns minions para fazer algumas ações foram algumas das novidades do segundo jogo para o primeiro. Porém, em Assassin’s Creed: Brotherhood que a saga Assassin’s Creed começa a ter novidades impactantes para a comunidade em geral, e esse impacto é o modo multiplayer ou multijogador para Assassin’s Creed.

Com o lançamento de Assassin’s Creed: Brotherhood a Ubisoft começou a inserir na saga o multiplayer, usando da temática de stealth o modo multijogador trouxe um modo de jogo onde os jogadores encarnam personagens que tem como objetivo assassinar um alvo definido enquanto foge de outro jogador que o tem como alvo.

Confira um gameplay do modo multijogador de Assassin’s Creed: Brotherhood:

Apesar de não ter necessariamente uma grande atração para os jogadores que preferem o modo história, o modo multijogador se tornou uma forma de segurar os jogadores mais ainda dentro do jogo. E isso se manteve em vários jogos seguintes da saga, no entanto é com Assassin’s Creed III que a temática e a jogabilidade dos jogos mudaram.

Assassin’s Creed IV e a saga em alto-mar:

Após a saga de Ezio se encerrar em Assassin’s Creed: Revelations, a saga trouxe Assassin’s Creed III, uma nova história ambientada durante a Revolução Americana, mas o grande impacto desse jogo foi uma missão que definiu uma grande novidade para a saga Assassin’s Creed. Na missão em especifico, o jogador embarcava em um barco e controlava a tripulação. A missão em si não tem nada muito relevante, mas a dinâmica de utilizar o barco, batalhar usando canhões, invadir o navio inimigo e por ai vai, isso sim foi o sucesso entre os fãs.

Assassin’s Creed 3

Eis então que Assassin’s Creed IV: Black Flag é lançado, o jogo que foi lançado de 2013 é para muitos fãs o melhor jogo da saga, mas porque esse jogo em especifico fez tanto sucesso?

Black Flag trouxe para a saga dos assassinos a exploração marítima, o jogo dá a liberdade para o jogador de explorar o oceano e todos os mistérios que o fundo do mar tem. Além é claro da imersão que o jogo trazia, enquanto você navegava a tripulação de seu barco começava a cantar músicas da época, as batalhas marítimas eram um show à parte nessa época.

Desde do simples fato de atirar com todo o armamento que o seu navio dispõe, o abalroamento com o navio inimigo e por último a invasão ao navio inimigo tornava toda a experiência diferente de tudo que já tinha sido apresentado na saga até o momento. Mas apesar das novidades, Black Flag não abandonou o stealth e se manteve firme as raízes dos jogos anteriores e não rompeu com o que já era convencional aos jogos dessa saga.

Assassin’s Creed IV: Black Flag

Inclusive existe alguns vídeos no youtube com todas as músicas cantadas pela tripulação no jogo, como essa daqui:

O sucesso dessa mudança na saga foi tão grande que essa exploração marítima foi aplicada nos jogos seguintes, como é o caso do esquecível jogo Assassin’s Creed Rogue, que foi lançado para PS3 e Xbox 360, enquanto Assassin’s Creed Unity e Assassin’s Creed Syndicate eram lançados para PS4 e Xbox One.

Assassin’s Creed Unity e Assassin’s Creed Syndicate os últimos jogos da velha guarda:

Com um novo jogo sendo lançado a cada ano,acabou trazendo um certo desgaste para a série, afinal se uma produtora pretende lançar um novo jogo de uma série todo ano, uma hora os bugs vão surgir e/ou não teremos novidade nenhuma nos novos jogos. Então Assassin’s Creed Unity e Assassin’s Creed Syndicate são lançados em 2014 e 2015 respectivamente.

Assassin’s Creed Unity é ambientado durante a Revolução Francesa e apesar de não trazer a exploração marítima de Black Flag, o jogo trouxe diversas novidades. Desde da dinâmica do uso da lâmina fantasma ser alterada e adquirindo vários avanços tecnológicos nela, Unity também trouxe o coop para a história do jogo.

Assassin’s Creed Unity trouxe uma série de missões que só podiam ser feitas em grupo com outros jogadores, além é claro de trazer a exploração do mapa que pode ser feita em grupo. Apesar disso o jogo quando foi lançado veio cheio de bugs, glitchs e quaisquer outros erros que você possa imaginar, e isso infelizmente levou o jogo a não ter uma boa aceitação por parte dos fãs.

Mas apesar de todos os seus erros, Assassin’s Creed Unity é um excelente jogo que com certeza merece ser jogado pelos fãs da saga, ainda mais para os fãs dos jogos mais antigos como o primeiro e o segundo jogo.

No ano seguinte, em 2015, é lançado Assassin’s Creed Syndicate, o jogo é ambientado em uma Inglaterra durante a Revolução Industrial. Os principais diferenciais desse jogo, o primeiro é o fato de jogarmos com dois personagens diferentes, Jacob e Eve Frye e o segundo são as novidades da jogabilidade, desde da movimentação usando o lançador de cordas, possibilitando o uso de rapel ou de tirolesas dentro de Londres, e o combate entre gangues onde os dois irmãos assumem a liderança de uma gangue da cidade e lutam pelo poder do submundo dessa cidade.

Assim como em Unity, o jogo não possuía a exploração em alto-mar, mas em contraponto o mapa é gigantesco e o que não falta são pontos de interesses para explorar e áreas para liberar e conquistar. Outro ponto interessante de Syndicate é que o jogo se aproximava de grandes momentos da história moderna, como as duas Guerras Mundiais, que inclusive existe uma fase onde jogamos com uma assassina trabalhando com o Exército Britânico durante a Primeira Guerra Mundial.

Assassin’s Creed Syndicate foi um excelente jogo para a saga, mas que infelizmente sofre com a grade de lançamento, que na época era de um Assassin’s Creed por ano, e isso tornou o jogo um tanto quanto desgastado para os fãs da saga. Inclusive o jogo tem uma dlc focada nos protagonistas caçando Jack, O Estripador, que com certeza deve ser jogada por toda pessoa que se interessa pela Era Vitoriana e toda a magnitude da Inglaterra no século 19.

E após Assassin’s Creed Syndicate que a saga realmente teve sua maior mudança em termos de jogabilidade e como a história é contada.

Assassin’s Creed Origins, Assassin’s Creed Odyssey e Assassin’s Creed Valhalla e um recomeço para a saga:

Assassin’s Creed Origins foi lançado em 2017, dois anos depois de Assassin’s Creed Syndicate, e trouxe uma reformulação quase total para os jogos da saga. Ambientado no Egito em torno de 49 a.C. e traz a origem da Ordem dos Assassinos, o jogador encarna o papel em Bayek que leva o primeiro dos Assassinos em um embate direto com poderosos inimigos que atuam nas sombras com objetivos obscuros.

O principal diferencial de Origins é um novo sistema de luta e exploração, desde da adição da águia Senu, que funciona como uma espécie de visão de águia dos jogos anteriores, além é claro de ajudar a distrair inimigos, o sistema de combate se tornou algo muito mais parecido com um RPG, como upar habilidades focadas em três áreas diferentes, Guerreiro, Caçador e Vidente. Também existe uma vida selvagem mais ativa dentro do jogo, não é difícil você ser atacado por um crocodilo enquanto nada em busca de um tesouro no fundo de um rio ou ser atacado por um hipopótamo enquanto explora uma vila na beira de um lago.

No geral Assassin’s Creed Origins foi um excelente jogo de RPG, em certos pontos se parece um pouco com a dinâmica de The Witcher 3, um mapa imenso que possui diversas missões secundárias que enriquecem o mundo apresentado para o jogador. No entanto, Assassin’s Creed Origins se distanciou da temática de ser uma história muito mais pé no chão, nos jogos anteriores não tínhamos nada fantástico ou fantasioso, quando isso ocorria era em momentos que o protagonista tinha um sonho ou alguma alucinação, e em Assassin’s Creed Origins isso é deixado de lado e essa abstração dos acontecimentos é usada em certos momentos e em algumas missões secundárias.

E quando parecia que a Ubisoft finalmente iria abrir uma janela de lançamento maior entre os jogos de Assassin’s Creed, porém em 2018 Assassin’s Creed Odyssey é lançado.

O jogo se passa na Grécia Antiga durante a Guerra do Peloponeso em 431 a.C., 400 anos antes do Assassin’s Creed Origins. O jogo se inspirou na jogabilidade de Origins, mas com o adicional das navegações e batalhas marítimas, e o diferencial foi a possibilidade de jogar duas histórias diferentes, uma com Alexios e outra com Kassandra, dois irmãos separados durante a infância, e também as opções de diálogo e consequência das ações do jogador com o mundo em volta.

E nesse jogo o fantástico e o fantasioso é mais explorado que no jogo anterior, isso até faz sentido, afinal estamos na Grécia Antiga, que provavelmente é a maior mitologia que é explorada na cultura pop. E é lógico que Assassin’s Creed Odyssey não iria perder essa oportunidade e explora esse lado mitológico desse período da humanidade.

Mas mesmo se passando nesse período tão glamourizado pela cultura pop, Assassin’s Creed Odyssey não foi bem aceito pelos fãs da saga, sendo um jogo que é até considerado como um dos piores jogos da saga. Mas se você gosta de história e se interessa pela Grécia Antiga, então Assassin’s Creed Odyssey é uma ótima pedida pra você.

E por último temos Assassin’s Creed Valhalla, o jogo que foi lançado em 2020 se inspirou nos Vikings e na mitologia nórdica, que assim como a Grécia e a mitologia grega, é uma enorme fonte de inspiração para as mais diversas histórias. E é claro que veríamos nesse jogo uma história que tem momentos de fantasia, não é difícil vermos um Thor ou um Loki em algumas missões específicas.

Outro ponto interessante é o Assentamento, basicamente durante o jogo você como um líder de uma invasão viking tem como objetivo criar uma base para que as invasões se expandam em território inglês. E durante o jogo é necessário formar alianças com outros assentamentos, assim como suas ações em relação em à administração afetam a lealdade dos integrantes de seu assentamento, essa mudança é parecida com outras mecânicas anteriores, como a evolução da Gangue em Assassin’s Creed Syndicate e a popularidade que seu personagem possui de acordo com suas ações em Assassin’s Creed Odyssey.

Porém o jogo não se baseia somente nisso, enquanto em Assassin’s Creed Oirgins e Assassin’s Creed Odyssey nós tínhamos uma natureza selvagem muito ativa, Valhalla isso é maior e mais presente, muito parecido com o que foi visto em Red Dead Redemption 2. E a espera de dois anos mostrou como foi importante e benéfico para que Assassin’s Creed Valhalla se tornasse melhor que Assassin’s Creed Odyssey, e logicamente é um jogo que foi muito mais aceito que seu antecessor.

Assim como Odyssey, Assassin’s Creed Valhalla também possui dois protagonistas, um personagem masculino e uma personagem feminina, mas que invés de serem irmãos, a história do jogo diz que os dados acerca do gênero do protagonista são confusos e por isso o jogador pode escolher entre os dois personagens e pode mudar em qualquer momento. Num geral Valhalla foi um excelente jogo da saga Assassin’s Creed mas que infelizmente se afasta da proposta inicial dos jogos iniciais.

Mas afinal, porque Assassin’s Creed mudou tanto?

Agora que já passamos por todas as eras de Assassin’s Creed, ficou a dúvida, porque essa saga mudou tanto no decorrer dos anos? A respostas no entanto é bem simples, a respostas é dinheiro.

O que eu quero dizer com dinheiro, é o fato de que a Ubisoft é uma empresa, e uma empresa visa lucros, e logicamente uma coisa que dá certo tem a tendência de ser moldada para gerar mais lucro que antes. Por isso que vimos o início do modo multijogador em Assassin’s Creed Brotherhood, vimos a exploração marítima surgir e se desenvolver em Assassin’s Creed IV: Black Flag, as tentativas de mudanças leves no Assassin’s Creed Unity e Syndicate, e por último temos a repaginada geral com Assassin’s Creed Origins, Odyssey e Valhalla.

No entanto, essas mudanças trazem algumas novidades que não podem ser tão bem aceitas pelos fãs mais antigos, eu explico. Como eu já citei antes, Assassin’s Creed sempre teve jogos que prezavam por contar uma história pé no chão, que mesmo que tenha artefatos super poderosos e seres de uma civilização predecessora da humanidade, Assassin’s Creed nunca se preocupou em trazer para a jogatina seres fantásticos, poderes e por ai vai, e após Assassin’s Creed Origins essa vertente foi deixada de lado.

E isso não é necessariamente ruim, essas mudanças servem pra dar um novo fôlego para os jogos, e evitar que cada jogo novo seja somente uma nova “skin” para o mesmo jogo que foi lançado antes. Mas alguns fãs mais radicais dirão que isso é uma afronta com os jogos originais e que esses novos jogos são tudo, menos Assassin’s Creed.

No fim, só resta aos fãs da saga aguardar os novos lançamentos de Assassin’s Creed e aguardar que os próximos jogos consigam apresentar uma mistura de tudo que bom que todos os jogos tiveram. No entanto, é muito provável que os próximos jogos sigam a mesma dinâmica dos últimos 3 jogos lançados, e siga sendo assim até que essas mecânicas se desgastem e seja necessária uma nova repaginada dentro da saga.

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