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Artigo

A Cultura Pop e a Síndrome de Vira-Lata

 

Porque não reconhecemos nossas próprias identidades

 

É comum nos depararmos com pessoas que se vangloriam ao dizer que não assistem televisão, que consomem apenas Netflix e outras plataformas de streaming, bem como seus conteúdos majoritariamente americanos (quiçá europeus) como se isso lhes conferisse alguma superioridade intelectual sobre aqueles que consomem conteúdos diversos.

Sempre ávidos, criticam a representação do país no audiovisual, ressaltando que o mercado brasileiro só reproduz a desigualdade social, a criminalidade, a sensualidade ou a religião como objeto de atenção do telespectador. E que, por isso, muito se diferencia dos conteúdos “superiores” americo-internacionais.

 

Mas será que isso é mesmo verdade?

 

O objetivo aqui é propor uma auto-crítica: será que o conteúdo nacional é ruim, ou será nossos olhos e ouvidos que estão viciados em desprezar a própria cultura?

Recentemente, o caso do filme que será produzido com a atriz Carla Diaz, causou burburinho, pelo fato de retratar a história de uma assassina que planejou a morte dos país. Afinal, “há tanta coisa melhor para se retratar e escolhemos logo isso”, certo? Errado.

Seria até de se pensar, se as mesmas pessoas não tivessem recentemente lotado as salas de cinema e acompanhado documentários sobre Charles Manson, aquele que assassinou a americana Sharon Tate, grávida de nove meses. Deste filme, não surgiram quaisquer reclamações deste porte por parte dos brasileiros.

 

 

 

Enquanto telespectadores fazem sinal da cruz, repletos de preconceitos quando vêem deuses de matriz africana sendo retratados em filmes como Besouro, por exemplo, sorrimos e nos discorremos em elogios ao debater Supernatural, Good Omens, Lúcifer e deuses malignos greco-romanos em Cavaleiros do Zodíaco.

 

Enquanto Oxum (entidade do amor e do ouro) é vista com preconceito e pejorativamente como ente da “macumba” pelo público desinformado, Lúcifer e Hades que representam os infernos, são aclamados sem qualquer represália.

 

Enquanto aguardamos ansiosos a nova temporada de Grey’s Anatomy, ignoramos séries nacionais que são exibidas em rede aberta como Sob Pressão, da qual Marjorie Estiano recebe indicação ao Emmy 2019 por seu desempenho.

 

 

 

Damos risada daqueles que acompanha telenovelas, enquanto eles são exportadas para outros países e são reconhecidas (e reexibidas várias vezes) mundialmente.

Enquanto empunhamos nossas varinhas com representando “nossas casas de Hogwarts” no mundo mágico de Harry Potter, temos Iaras, Mulas-Sem-Cabeça, Saci e Boto-Cor-De-Rosa sendo esquecidos pelas terras tupiniquins.

 

 

 

Aproveitando-se ainda de nosso calendário, quando mesmo que revisitamos o nosso folclore? Mas o halloween todos lembramos a época de comemorar, não é mesmo.

Será que nossa cultura é pobre? Será que não tem magia? Fantasia?

Enquanto torcemos para Vingadores bater recordes de bilheteria, fiscalizamos e criticamos sem qualquer conhecimento ou embasamento a Lei Rouanet. Assistimos sentados no telejornal fiscais de livros em bienal.

O mundo está globalizado. As fronteiras se dissiparam. E que incrível que podemos consumir os mais diversos conteúdos de diversas partes do planeta. Mas se o óbvio precisa ser dito, por que não valorizar a nossa cultura também?

O olhar pode continuar sendo crítico, mas deve deixar de ser indiferente as produções nacionais. Afinal, qual é a nossa identidade?

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Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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2 Comentários

2 Comments

  1. wd

    22/09/2019 at 21:15

    quanta merda num só texto.

  2. syts

    21/10/2019 at 17:14

    concordo com artigo, é verdade que temos complexo de vira-lata, por isso gente reclama de nosso país e somos hipócritas ao reclamar de nosso cultura pop brasileiro, gente se preocupa com gringos para nos verem bem, por isso gente se rasteja por opiniões de gringos, muita gente quer ser indiferente as produções nacionais.

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