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Review TBX | Irmandade: ‘Correr pelo certo é um caminho sem volta’

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Estrelada por Seu Jorge, Irmandade é uma fictícia obra da realidade

 

A mais nova série brasileira original Netflix chama-se Irmandade. Estrelada por Seu Jorge e Naruna Costa, o título é uma obra fictícia que faz um retrato da realidade.

 

 

Ao som de Versículo 4 Capítulo 3 dos Racionais MCs, a série é ambientada nos anos 90 e retrata a calamidade do sistema carcerário que perdura há mais de duas décadas.

O enredo narra a história de Cristina, interpretada por Naruna Costa. A personagem é uma advogada que trabalha no ministério público, em São Paulo. Chegar lá não foi fácil. Preta, pobre e de periferia, Cristina carrega consigo a responsabilidade de manter a família longe do crime e no caminho do certo, enquanto suporta a culpa de ter um irmão presidiário desde quando era uma criança.

 

 

Vinte anos se passam. E é no ano de 1994 que a nossa protagonista reencontra o irmão, após defendê-lo dos abusos cometidos pela polícia dentro do presídio. Edson, seu irmão, é agora líder de uma facção criminosa conhecida como Irmandade. Junto de seu parceiro Carniça, ele luta contra as impunidades do sistema carcerário, clamando por justiça para os que lá estão presos.

Só que nessa empreitada Cristina paga um preço caro. Para defender aquilo que acredita ser o certo, ela comete uma contravenção, falsificando a assinatura da promotora de justiça. Agora, Cristina entra em um caminho sem volta: para evitar ser presa e continuar cuidando de seu irmão Marcel e a namorada, ela entra em um dilema, sendo chantageada pela polícia e obrigada a trair seu irmão Edson. De que forma? Se infiltrando na Irmandade e destituindo a facção.

 

 

Um retrato da realidade

O roteiro da série é muito bem elaborado. Conforme se avançam os episódios, os limites entre o certo e o errado se dissipam, mostrando que o correto não passa de uma questão de ponto de vista, pautado na sua realidade e vivência.

 

 

Pedro Morelli, o criador da série, conduz com maestria a direção. Elogiado pelos colegas de equipe, seu sucesso se dá por saber ouvir o ponto de vista dos intérpretes e pelo respeito ao lugar de fala de cada um.

 

“(O racismo) Não é um problema que a população negra tem que resolver. É um problema que geral tem que resolver. Desde os governantes até a base. Então quando ele (Morelli) toma essa posição de aliado, de pensar em uma questão que é um problema do país e que é um problema geral de todo mundo, enquanto essa figura privilegiada, que tem acesso aos meios, se propõe a produzir alguma coisa do tipo, isso é uma atitude maravilhosa.” – Disse Naruna Costa.

 

A ambientação não faz feio ao retratar os anos 90. A trilha sonora popular característica por vezes é diegética. É possível conferir automóveis de época quando possível, e, quando não, a série se garante por planos fechados e figurinos mais atemporais.

 

Ponto de atenção

O tabagismo é presente em excesso pelos diferentes núcleos. Pontos de atenção que já foram citados outrora para a Netflix rever. No entanto, longe de levantar qualquer bandeira, a presença do cigarro é verossímil em diversos aspectos.

Os ganchos deixados pelos episódios são excelentes e fazem o expectador esperar por uma segunda temporada. O showrunner Pedro Morelli, confirmou que vê total possibilidade para isso.

Completam o elenco Hermila Guedes, Lee Taylor e Danilo Grangheia, que desempenham com maestria seus papéis.

 

 

Atual e brasileira, Irmandade traça um paralelo com a realidade através de uma obra-prima fictícia e visceral, conversando com temas como o racismo estrutural, a corrupção da polícia, a desigualdade e a criminalidade contada de uma maneira original e inédita.

 

 

Disponível na Netflix, Irmandade é uma série que mostra que independentemente do lado em que se está, correr pelo certo é um caminho sem volta.

 

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Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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