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Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

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Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

A heroína Mulher-Maravilha é atualmente um importante símbolo do feminismo

 

Cara gente nerd… Diana de Themyscira com certeza é um ícone pop da atualidade que serve de inspiração para muitas mulheres no mundo. A Mulher-Maravilha conquistou seu espaço de tal forma que briga corpo a corpo pela popularidade no mundo do patriarcado ao lado de Superman e Batman.

 

A primeira Mulher-Maravilha

A personagem nasceu em 1941 na edição de ALL STAR COMICS #8, da mente inventiva de William Moulton Marston (psicólogo que se inspirou em sua esposa Elizabeth Holloway Marston e Olive Byne, que viveu uma relação polígama com o casal).

 

Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

Willian já se prova à frente de seu tempo ao desenvolver a ideia de uma mulher tomando a frente de um universo até então dominado por homens, sendo visível que diante do período de guerras em que viviam percebia essas mulheres (de sua casa e nas ruas), tomando para si funções que até então eram masculinas. O autor percebeu a potencialidade de um universo a ser explorado e um discurso a ser desenvolvido.

Cabe também caracterizar além dos super poderes da personagem o laço da verdade, inspirado no polígrafo inventado pelo autor, que acabou sendo um item que serviu para abrilhantar e dar poder a Diana.

É notável também que existiu um sexismo sob as linhas da personagem, desenhada por H. G. Peter, visivelmente inspirada nas pin-ups.

No entanto, com o passar do tempo, algumas características ligadas ao cânone da personagem acabaram se perdendo e, em meio a vários conflitos de ideias e estética, a Mulher-Maravilha entrou em momentos que faltavam originalidade e essência.

 

A Mulher de 1987

O que você precisa saber é que antes de 1987 a DC fez um “mega evento” dentro de seu universo, chamado Crise nas Infinitas Terras, que em resumo destruiu os multiversos existentes (no entanto eles voltam mais tarde), já que a editora achava que tudo estava muito confuso.

Em meio a todos esses acontecimentos a Mulher-Maravilha evoluiu (fiquei meia hora tentando entender o que as pessoas queriam dizer escrevendo isso, mas resumindo, eles inicialmente mataram ela para dar um pouco de drama a história, mas era a “Mulher-Maravilha” seria um tiro no pé matá-la, então ficou sub entendido que Diana apenas não seguiu na história como habitualmente, podendo no final das contas voltar repaginada).

Após esse grandioso evento surgiu à possibilidade de recontar a origem da personagem caindo tal tarefa nas mãos do visionário George Perez. Digamos que ele está para o mundo dos quadrinhos assim como Peter Jackson está para O Senhor dos Anéis. O que ele toca vira ouro e os diretores executivos tiveram total segurança em seus projetos.

Não sendo por menos, a Panini atualmente distribuiu um encadernado em 4 volumes da “Era Perez” a frente da Mulher-Maravilha onde acompanhamos a releitura que o quadrinista deu a Diana, que é simplesmente espetacular (uma obra de arte).

 

Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

Perez fala sobre o poder feminino, mulheres em posição de liderança, crenças e valores. Diana mesmo adulta parte da Ilha Paraíso como uma criança e aprende muito com o mundo do “Patriarcado”. É visível que o autor explora também a importância do engajamento político desses heróis no mundo em que vivem. Há primor no desenvolvimento das tramas, onde existe uma pesquisa sobre essências em que o quadrinista buscou as referências de Moulton para defender a personagem.

O que me deixou surpreso afinal é que, nesse período da nossa história, falar sobre empoderamento feminino era algo ainda muito confuso e mal aceito. A coragem de Perez de fazer isso em meio a um público de maioria masculino e adolescente acabou sendo tão grande quanto à de Moulton em 1941 ao criar a personagem. Ambos entenderam que embora houvesse um fetichismo masculino em ver uma mulher seminua batendo em homens, talvez esse fetichismo fosse uma maneira de reeducar esses homens a perceber o que é ser mulher na sociedade.

Isso também fica aparente nos desenhos de Perez (Meu Deus, como esse homem desenha!), que não descarta as características originais de Diana, mas que a desenha como uma mulher bonita, exuberante, forte, mas talvez não sexy, ou talvez a ingenuidade de Diana acaba afastando o leitor dessa face.

Perez acabou sendo responsável por traçar o meio do caminho na jornada da Mulher-Maravilha, descartando o que não precisava e definindo o que era importante para as futuras gerações.

 

A Nova 52

Para entender o que são os Novos 52 você precisa aceitar que antes de tudo a DC é uma empresa e ela precisa dar lucros, assim, percebendo que seu público não era o mesmo de 1940 e muito menos o dos anos 80, da mesma forma como a editora usou de Crises nas Infinitas Terras para enxugar seu universo em 2011, um reboot envolvendo seus principais heróis serviu como novo ponto de partida.

Surgindo uma Mulher-Maravilha mais “adequada” e aceitável ao público jovem, não nascendo mais do barro, ou criação dos Deuses, mas sendo a filha de uma Rainha amazona com Zeus, tornando ela assim uma semideusa.

No entanto as novas adaptações não agradaram os olhos dos fãs de longa data, que encararam as mudanças como um desrespeito a tudo que já havia sido construído envolta da personagem (o que também refletiu em outras tiragens). A DC foi pobre em amarrar as histórias e justificar algumas coisas dentro do novo universo.

A jogada de marketing de uma nova perspectiva parcialmente deu errado. De início vendeu boas tiragens, mas aos poucos o público foi se cansando e abandonando os quadrinhos (em contrapartida a Marvel vinha passando por um movimento contrário, já que a saga Vingadores vs X-Men ganhava mais prestígio a cada capítulo).

 

Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

Assim tais problemas acarretaram em um novo evento Rebirth, um reboot (só que não), onde algumas coisas elementares abandonadas passam a ser integradas ao universo novamente. Nessa nova versão, nossa personagem passa a se questionar quem é, nascida do barro, filha de Zeus ou Deusa da Guerra (titulo adquirido em meio a trajetória de Novos 52)?

A verdade é que a trajetória da DC sempre foi confusa e tais movimentos dentro do universo só se justificavam por cunho financeiro. Atualmente os quadrinhos estão perdidos entre pessoas criativas que são limitadas por executivos que detém direitos criativos e dão limites a serem explorados, e pessoas que não tem criatividade nenhuma e continuam escrevendo e desenhando por obrigações contratuais.

 

A Mulher-Maravilha no desenho animado

Ao longo dos anos existiram várias animações e desenhos da DC com a participação da Mulher-Maravilha, principalmente na Liga da Justiça. Talvez essas tenham sido as principais ferramentas para a construção da personagem junto ao senso comum e aos fãs dos heróis que não conheciam sua origem nos quadrinhos.

 

Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

Diana dos desenhos animados é impetuosa, esperta, independente, dona de suas vontades, membro fundadora da Liga e principal líder, sendo uma voz de poder e respeito ao lado de Batman e Superman.

 

A Mulher no Cinema

Quando Batman vs Superman foi anunciado em meio à Comic Con, em 2013, muitos temeram (eu temi). Quando a participação da Mulher-Maravilha, defendida por Gal Gadot, foi revelada os temores apenas aumentaram. A história dos dois heróis era considerada densa demais, e talvez a heroína devesse aparecer apenas em seu filme solo (também anunciado na sequência).

No entanto, a entrada da Mulher-Maravilha ao universo cinematográfico foi simplesmente perfeita. A cena em que a personagem entra em meio à briga e Batman pergunta “ela está com você?” e Superman responde “achei que estivesse com você“, é a representação perfeita de qual seria a versão dessa nova mulher. Afinal, ela não precisa estar com ninguém para ser poderosa, sozinha consegue se promover, se virar.

 

Mulher-Maravilha: A trajetória da heroína dos quadrinhos ao cinema

 

Gal Gadot toma a frente de uma mulher independente, forte e poderosa, rouba a cena e prepara o público da melhor maneira para o filme solo, que se revela como o melhor (minha simples opinião) do universo cinematográfico da DC. A direção de Patty Jenkins é impecável e consegue juntar tudo o que havia de melhor do universo dos quadrinhos e das animações até então, confirmando logo após do seu lançamento uma sequência e seu nome mais uma vez à frente da direção.

 

Assim a Mulher-Maravilha acabou se tornando um ícone de feminismo e poder em meio aos quadrinhos, atuando como a voz que durante as décadas serviu como plataforma para enaltecer o poder feminino.

 

P.S.: Agradecimentos ao João Gabri-El pela aula de quadrinhos.

 

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Um apaixonado por livros, Lannister de nascença, sonserino por seleção. Um desbravador sob Terras Nerds. Que adora experiências e ideias, procurando sempre mais. Viciado em séries e filmes. Que vive por escrever e escreve porque/o que vive. Dono do blog @caragentenerd no Instagram.

Um comentario

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  1. Dudu

    26/05/2018 em 14:39

    Mulher Maravilha: Rainha das Superheroínas.

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