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Review TBX | Uma Mulher Fantástica: mas nem tão ‘fantástica’ assim

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Review TBX | Uma Mulher Fantástica: mas nem tão 'fantástica' assim

A atuação de Daniela Vega está impecável em Uma Mulher Fantástica

 

Dirigido por Sebastián Lelio, Uma Mulher Fantástica é um filme chileno lançado em 2017. Estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim ano passado e ganhou as atenções do mundo todo ao concorrer como melhor filme estrangeiro no início de 2018. É o primeiro filme estrelado por uma mulher transgênero a levar o prêmio.

 

 

O filme conta a história de Marina Vidal, uma mulher transgênero que vê sua vida virar do avesso após a morte de seu companheiro. A família de seu falecido parceiro a trata com hostilidade, bem como a polícia e os médicos duvidam de seu caráter e teor de seu relacionamento com o homem cisgênero. Estrelado por Daniela Vega, uma atuação impecável e sutilezas artísticas ajudam a constituir Uma Mulher Fantástica. Mas nem tão fantástica assim.

 

Entenda o porquê

 

Apesar de resistir aos preconceitos cotidianos, a personagem Marina Vidal evolui pouco ao longo do filme. Vive um luto silenciada pela família de seu falecido companheiro e tem sua voz constantemente colocada em dúvida pela justiça e corpo hospitalar. No entanto, Marina se mantém resignada e quase não resiste as injúrias e ofensas destinadas a ela. Deixa a família de seu parceiro até então ausente lhe tirar a casa, o carro, o cachorro e ainda lhe dirigir agressões verbais e físicas sem quase reagir. Extremamente fragilizada, ela por vezes transmite ao público a crença de que de fato não merecia ser feliz após a morte do companheiro, chegando a se desculpar a pessoas das quais ela não deve nada. Tudo isso pela condição de ser uma mulher trans. Apesar de “fantástica” aos olhos do companheiro, Marina mostra que não é tão fantástica assim, apresentando-se fraca durante quase todo o longa.

 

 

Ressalva para os momentos em que, apesar de não reagir, Marina mostra-se calejada das ofensas e preconceitos apresentados pela sociedade ao não ficar surpresa diante de tanta hostilidade.

Fantástica porém, é a atuação de Daniela Vega, que nos apresenta uma gama de sensações complexas e humanas com naturalidade frente as câmeras. Em dados momentos pela expressão da atriz, sem que ela diga nada, é possível perceber exatamente o que a personagem está pensando em meio aquele caos.

 

 

Os coadjuvantes não ficam atrás e compõem todo um ambiente hostil, mas realista, próprio dos dias atuais.

O fato de Marina não conseguir ser “fantástica” no filme, não torna o longa-metragem menos “fantástico” do que é, atingindo pontualmente os seus objetivos.

 

 

Durante o título, o espectador torna-se totalmente empático com a dor da protagonista, que é impedida de viver seu luto, pois a ocupam de cuidar da entrega de bens àqueles que nem sequer aprovavam o relacionamento do ente familiar.

 

 

A estética do filme também é agradável, suave, com cores contrastantes e alguns quadros incrivelmente subjetivos. Marina, por vezes encontra-se em enquadramentos onde tem que lidar com seu próprio reflexo, confrontando a personagem muitas vezes com a mulher que ela é, em como ela está, e a fazendo questionar se ela é realmente esse monstro que a sociedade julga ser.

 

 

Falando no contexto social, o filme ainda aborda a maneira como o transgênero é visto pelos olhares preconceituosos. Relacionado a prostituição, às drogas, à criminalidade e a incapacidade de ter um relacionamento. O que causa no espectador revolta frente aos antagonistas.

 

 

Algumas cenas artísticas são inseridas desnecessariamente no filme, visto que não conduzem o espectador a lugar nenhum e pelo fato de que a história contada no filme já era por si só o suficiente para compôr o drama chileno. O momento em que a personagem Marina desempenha uma coreografia no meio de uma boate em um de seus devaneios, e o momento em que ela se reúne com seu professor de canto, são alguns desses exemplos.

 

 

Vencedor do Oscar em 2018 na categoria de melhor filme estrangeiro, Uma Mulher Fantástica é um título merecidamente premiado, e torna-se uma boa pedida para quem gosta de um drama mais complexo e humanizado.

 

Filme: Uma Mulher Fantástica
8.8 TRECOBOX
HISTÓRIA8
ELENCO10
DESENVOLVIMENTO8
PRODUÇÃO9
ORIGINALIDADE9

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Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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