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De The Wonders a Sing Street: Bandas de mentira que tocam de verdade

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De The Wonders a Sing Street: Bandas de mentira que tocam de verdade

Algumas obras da ficção conseguem ser tão primorosas em executar seus papéis que as vezes nós, como espectadores, nos pegamos desejando que aquilo tudo fosse verdade

 

Não significa que ser uma obra ficcional tire algum mérito. O problema está na falta de sequência para que possamos continuar saboreando o primor da obra depois que o filme termina.

 

Cara gente nerd… Existem algumas coisas que acontecem na nossa infância que simplesmente ficam marcadas para a vida toda. Uma delas, que sempre vai pesar no seu coração, é sobre o que costumo chamar de “desilusões do mundo da TV”.

Quando você descobre que o Bozo não é um palhaço 24 horas, que a nave da Xuxa não é de verdade e ela não é de outro planeta (acho). Ainda saber que o He-Man e todos aqueles conselhos legais que ele dá para você no final dos episódios são elementos roteirizados, feitos exclusivamente para prender a sua atenção. Você vai crescendo e se achando maduro o suficiente para não cair nessas pegadinhas, até que descobre que A Bruxa de Blair não era um filme documental (noites em claro por nada).

Mas o grande back surge quando, em uma conversa despretensiosa com os amigos sobre rock e bandas, enquanto eles listam um monte que você mal conhece, e você diz: “eu gosto de The Wonders“. Daí você descobre após algumas gargalhadas (não suas) que The Wonders não existe (que tiro).

 

Superado os traumas, gostaria de fazer aqui um paralelo entre dois filmes de bandas fictícias que simplesmente tomaram um lugar no meu coração.

 

The Wonders

 

De The Wonders a Sing Street: Bandas de mentira que tocam de verdade

 

That Thing You Do! (The Wonders) é um filme de 1996 que reduzidamente conta a história de uma banda nos anos 60 que faz sucesso no EUA e acaba se tornando tão grandiosa quanto os Beatles. Eu particularmente conheci o filme na finada Sessão da Tarde (Sim, finada. Não tente me fazer aceitar que a atual é a mesma que a antiga), acho que muitas pessoas conheceram assim. A verdade é que, antes da explosão da internet e da TV a cabo, a TV aberta era nossa maior ferramenta de pesquisa. Por isso acabou sendo tão fácil acreditar que a banda americana que cantava como os Beatles realmente existiu. Afinal, era isso que o filme vendia.

A verdade é que sempre que a propaganda do filme surgia nos intervalos me sentia obrigado a reservar as tardes para The Wonders, dançando (escondido obvio, sempre) ao som da música That Thing You Do!.

O filme consegue ser tão primoroso em seu papel que até hoje é elencado em listas de melhores filmes com trilha sonora original. O elenco conseguiu vender tão bem a ideia que, mesmo sabendo a história decorada, sempre vai ser bom ver o clássico novamente.

Mas sejamos francos. Além da trilha, o que mais chama a atenção no filme são as analogias e paródias feitas sob a imagem dos Beatles. É visível a inspiração e desejo de cinebiografia do diretor/ator Tom Hanks em contar a história dos garotos de Liverpool. Assim não importa os nomes dados, mas a trama decorrente, o frenesi das fãs, as brigas, a trajetória, as brigas (a garota que separou a banda), tudo está ali para ser apreciado da melhor maneira.

 

 

 

Sing Street

 

De The Wonders a Sing Street: Bandas de mentira que tocam de verdade

 

O filme se passa nos anos 80 e conta a história de um garoto que se apaixona por uma garota (modelo) na saída do colégio, mente que tem uma banda e convida ela para gravar um clipe. A trama se resume basicamente nele, sua nova banda e a garota. O que prende a atenção do espectador é a simplicidade. O roteiro escolhe ser puro, fácil e pautável, não há muito drama nem exploração do impossível. As coisas se encaixam aos poucos e Conor vai amadurecendo e crescendo conforme vai se descobrindo como um bom musicista.

A Trilha sonora desse filme é simplesmente impecável. A partir da primeira letra, e do primeiro acorde, Sing Street transporta você para os anos 80. Mesmo a história apresentando personagens estereotipados, em nenhum momento há incômodo.

O roteiro cuida, de modo peculiar, em falar sobre sonhos, liberdade, sobre correr atrás de descobrir quem você é, tudo como uma grande música. É impossível ver o filme e não adicionar a trilha sonora no Spotify e cantar (berrar) dentro do carro enquanto dirige.

No fim você torce pela banda, pelo garoto e pela garota. A maneira como tudo termina acaba sendo perfeita pra a história que é contada, pois não importa se a banda fez sucesso, se o garoto e a garota ficaram juntos, o que realmente importa é você seguir, viver, e trilhar aquilo que acha que é seu caminho.

 

 

Se The Wonders cumpriu seu papel em me iludir quando criança (sem ressentimentos), Sing Street consegue me abrir os olhos para muitas coisas. O filme de 1996 usou das ferramentas da época para se vender como verdadeiro. Já o filme de 2016 usa das ferramentas de sua época para navegar nos aplicativos de música, fotos e vídeos. Cada filme foi construído de maneiras particulares com focos diferenciados, mas mesmo o de 96 quanto o de 2016 primam pela qualidade técnica de sua histórias.

 

Por isso ainda queria que The Wonders fosse de verdade, assim como quero que Sing Street também. As vezes crescemos, mas nossos desejos de infância não, só mudam de cara.

 

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Um apaixonado por livros, Lannister de nascença, sonserino por seleção. Um desbravador sob Terras Nerds. Que adora experiências e ideias, procurando sempre mais. Viciado em séries e filmes. Que vive por escrever e escreve porque/o que vive. Dono do blog @caragentenerd no Instagram.

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