Conectar-se com

Review

Review TBX | Atypical, uma ‘dramédia’ que vale ser assistida

Publicado

Em

Falar é fácil, difícil é compreender o que os outros dizem

 

Cara gente nerd… 2017 vem sendo um bom ano para a Netflix. O serviço de streaming está apresentando um catálogo de séries novas que vem recebendo críticas positivas no meio especializado. Dentro dessa leva surgiu Atypical. A série conta a história de Sam, um garoto com autismo que está em meio ao High School. A premissa básica da série é mostrar as dificuldades de Sam em interagir com o mundo a sua volta e a dificuldade das pessoas em entender sua condição.

 

Atypical, uma 'dramédia' que vale ser assistida

 

Atypical não é nenhuma grande invenção inovadora em formato ou roteiro. Estamos falando de uma “dramédia”. A verdade é que o termo grosseiramente utilizado para entender a proposta desse tipo de série precisa ser revisado. Mas a série cumpre seu papel perfeitamente, o roteiro é simples, direto, fácil, divertido e dinâmico. Totalmente recomendado após uma maratona de séries robustas que nos fazem ferver o cérebro. Atypical é refrescante e leve. Seus nove episódios de trinta minutos passam rapidamente e possuem uma ótima sincronia, mantendo o ritmo perfeito em toda a trama.

 

 

O elenco consegue cumprir com seu papel, desenvolvendo seus personagens e dando profundidade aos conflitos que são sugeridos. Em meio aos nomes não temos nenhum que se destaque, ou seja, reconhecido por outros papéis em outras obras. Talvez o destaque fique pela atriz Jennifer Jason Leigh, que em alguns momentos carrega a sombra de Daisy Domergue de Os Oito Odiados.

A proposta inicial da série é falar sobre um jovem com dificuldades em socialização. Ao longo dos episódios percebemos que a sua dificuldade nos abre os olhos para percebermos o quanto as outras pessoas “comuns”, também têm seus problemas. Elsa Gardner é uma mãe que decidiu abandonar sua vida e seus anseios a partir do momento em que o filho foi diagnosticado com autismo. Elsa se torna a melhor mãe possível para Sam. A série começa com Elsa perdida ao perceber que o filho, extremamente dependente, começa a se libertar aos poucos. A personagem passa a questionar quem realmente é, o que realmente precisa para se sentir bem, e se vê em muitos momentos sozinha.

Doug Gardner é o pai relapso, que aprendeu a se acostumar com a dependência do filho sob a mãe. Ele se vê aprendendo a lidar com as limitações do filho quando, Sam passa a procurá-lo como fonte de ajuda. Doug também vive com o peso de más decisões do passado que dão ao seu personagem a profundidade necessária para entender o peso e complexidade que existem em ter alguém na família com autismo.

Casey Gardner é a irmã de Sam. Dentro da história, Casey serve como contraponto, enquanto a falta de iniciativa e atitude do irmão, a garota é uma explosão de sentimentos, opiniões e iniciativas. A irmã cresceu dando suporte aos pais e até mesmo se anulando para o bem de Sam. Casey consegue ser a melhor parte do seriado com uma personalidade carismática. Brigette Lundy-Paine não merece um Emmy por sua atuação, mas sem dúvida produtores do meio devem ter maior atenção a essa atriz.

 

Atypical, uma 'dramédia' que vale ser assistida

 

Por fim, entre os destaques temos Sam, em alguns momentos com tiradas em tom monótono que nos fazem lembrar de Sheldon de The Big Bang Theory. Mas Sam não é um geek, e as comparações se afastam a partir do momento em que se percebe que sua falta de empatia está ligada a sua situação. O garoto tem boas intenções em suas ações. Kier Gilchrist consegue se segurar em uma atuação repreendida pela personalidade de seu personagem, mas mesmo assim é carismático e torna o que poderia pender para estereótipos e cansaço em algo fácil de ser acessado.

 

Atypical, uma 'dramédia' que vale ser assistida

 

Entre elenco de apoio temos outros personagens como a terapeuta, o amigo e a primeira namorada, que também desempenham bem suas funções.

Atypical entrega uma primeira temporada (já confirmada uma segunda) questionando como nos relacionamos e a nossa falta de empatia diante de alguns conflitos. A série é corajosa ao abandonar o tom sombrio do tema e assumir uma postura natural e bem humorada.

Terminando com uma contraposição onde Sam evolui, se abre para o mundo e as pessoas ao redor se veem perdidas e frustradas por em algum momento terem se fechado e perdido o rumo de suas vidas e suas essências.

 

A série encontra-se disponível no catálogo da Netflix com sua primeira temporada completa.

 

Série: Atypical
8.2 TRECOBOX
HISTÓRIA8
ELENCO8
DESENVOLVIMENTO9
PRODUÇÃO8
ORIGINALIDADE8

Comentários via Facebook

Um apaixonado por livros, Lannister de nascença, sonserino por seleção. Um desbravador sob Terras Nerds. Que adora experiências e ideias, procurando sempre mais. Viciado em séries e filmes. Que vive por escrever e escreve porque/o que vive. Dono do blog @caragentenerd no Instagram.

Mais lidas