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Review TBX | Mindhunter: Até onde você está disposto a ir por uma série?

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Review Mindhunter: Até onde você está disposto a ir por uma série?

 

Até quanto você está disposto a entender o que os outros querem ignorar?

 

Cara Gente Nerd… Não sei qual seu processo para selecionar qual série começará a assistir. O meu é simples, leio a premissa de três ou quatro linhas e decido se dou uma chance ou não, e só quando termino é que busco me informar sobre a ficha técnica da produção.

Quando finalizei Mindhunter acabei esbarrando em fatos curiosos como: a premissa ser baseada no livro de mesmo nome “Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit” e que Charlize Theron é a produtora detentora dos direitos autorais para qualquer adaptação.

 

Review Mindhunter: Até onde você está disposto a ir por uma série?

 

Também enquanto assistia os episódios, era tomado por uma familiaridade, um sabor que conhecia o clima, os diálogos, os confrontos mascarados, e ao terminar tudo fiquei sabendo que a série também é produzida por David Fincher, que dirigiu cinco episódios e deu o tom a ser seguido. O que foi totalmente esclarecedor, já que em muitos momentos é perceptível nuances de Clube da Luta e até mesmo do atual Garota Exemplar.

 

Review Mindhunter: Até onde você está disposto a ir por uma série?

 

Mindhunter com certeza não entrará para o hall de séries de investigação preferida e me preocupa que a ausência de características de séries do meio prejudique seu futuro.

A série se passa nos anos 70 e conta a história de dois agentes do FBI junto a uma professora conceituada no meio, que passam a fazer entrevistas com assassinos peculiares, tentando traçar um perfil que possa ajudar o FBI em futuros casos.

A mão de Fincher agora é percebida pela calma e lentidão que a série tem em apresentar os fatos, transcorrendo e vendendo a trama em diálogos longos, minuciosos e cheios de termos técnicos. Os dez episódios de uma hora são cirurgicamente compostos para a formação do ambiente em que a trama se passa.

 

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Dentro do trio de protagonistas temos Jonathan Groff, infelizmente ainda prejudicado pelo seu personagem de Looking que as vezes se faz presente na falta de personalidade do personagem atual (a verdade é que ambos são muito sonsos o que facilita comparações). Jonathan interpreta Holden Ford, um jovem agente que trabalhava com negociação de reféns e após um incidente passa a estudar mais sobre mentes perturbadas. Holt McCallany interpreta Bill Tench, um agente mais experiente especialista em compreender casos absurdos dentro do trabalho, mas que tem uma vida familiar fragilizada, já que não consegue entender a cabeça do próprio filho de dez anos.

Além dos rapazes temos Wendy Carr, interpretada por Anna Torv. Uma professora da área de humanas, conhecida e conceituada, que arrisca sua carreira se jogando em algo totalmente fora de controle. Wendy acaba sendo o peso do outro lado da balança servindo diretamente para conflito com os dois agentes e contraponto para suas opiniões e atitudes.

Também temos os assassinos entrevistados que são um show a parte e o elenco de apoio que cumpre seu papel. Em alguns momentos havendo uma inversão de posturas onde os investigadores se mostram mais frios e calculistas por estarem em posição de poder, os entrevistados acabam sendo totalmente impulsivos e livres (até então, pois estamos falando de mentes perturbadas e mesmo sua facilidade em cooperar pode ser um jogo de interesse).

 

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O trio funciona bem. Tendo em vista o ritmo dos episódios e a quantidade de diálogos seria natural um cansaço ao vê-los sempre juntos em discussões intermináveis, mas os atores conseguem deixar um roteiro maçante palpável.

A série se destaca também pela fotografia cinza e sombria, no melhor estilo Fincher/True Detective. O mundo parece um lugar habitado apenas por pessoas tristes ou perturbadas, as cores e até mesmo a locação do escritório da equipe (um porão) dão um tom claustrofóbico aos episódios.

A trilha sonora é perfeita, sendo um destaque e parceiro para a fotografia, ajudando ainda mais na ambientação.

Mindhunter não é uma série fácil, muito menos popular, talvez com um futuro limitado.

 

 

Em meio a um mundo atual onde as pessoas não andam, mas correm, a Netflix arriscou deixando que Fincher desse seu toque a série. Apostando alto e pedindo que seu público tenha calma. O conceito é totalmente justificável quando você termina de assistir a primeira temporada.

Mas a pergunta que fica é: dos que começaram, quantos terão paciência para terminar?

 

Mindhunter
9.1 TRECOBOX
HISTÓRIA9
ELENCO9.5
DESENVOLVIMENTO8.5
PRODUÇÃO10
ORIGINALIDADE8.5

 

 

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Um apaixonado por livros, Lannister de nascença, sonserino por seleção. Um desbravador sob Terras Nerds. Que adora experiências e ideias, procurando sempre mais. Viciado em séries e filmes. Que vive por escrever e escreve porque/o que vive. Dono do blog @caragentenerd no Instagram.

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