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La Casa de Papel e o ‘efeito’ Breaking Bad

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La Casa de Papel e o 'efeito' Breaking Bad

 

O que acontece quando você torce pelo bandido

 

Disponível no final de dezembro na Netflix, La Casa de Papel estreou arrebatando uma legião de fãs, surpresos por: primeiramente não se tratar de uma produção americana e depois por trazer um roteiro inovador. A história narra a saga de habilidosos ladrões que planejam assaltar a Casa da Moeda da Espanha. Quando o expectador se percebe, está envolvido com os personagens que deveriam ser considerados bandidos e torcendo pelo seu sucesso no final da trama.

 

La Casa de Papel e o 'efeito' Breaking Bad

 

Mas não é a primeira vez que nos vimos nessa situação ao assistirmos uma série. Em 2008, Breaking Bad nos fazia torcer por Walter White (Bryan Cranston), um professor de química que vê
na produção e comercialização de metanfetaminas uma oportunidade de fazer grana rápido e salvar sua família do desamparo. Junto do seu pupilo Jesse Pinkman (Aaron Paul), ele carregou consigo a torcida pela maior parte do público durante cinco temporadas.

 

La Casa de Papel e o 'efeito' Breaking Bad

 

Mas o que faz a gente torcer pelo bandido? Saiba porque La Casa de Papel tem lá seu efeito Breaking Bad.

Esse fato está pautado no conceito de moral absoluta e moral relativa proposta por Kant. Para o filósofo, moral relativa, é aquela genérica, proposta, aceita e respeitada por um grande grupo de pessoas, constituindo o que deverá ser visto como certo e errado. Vender drogas é errado e criminoso. Mas a partir do momento que se descobre que o motivo de produzir e vender drogas é manter a sua família amparada, visto que você tem um câncer que lhe deixa em iminente risco de vida e está ciente do total descaso do governo, você entra no conceito de moral relativa, onde você assume o ponto de vista do protagonista e passa apoiar as suas motivações e consequentemente suas ações. O mesmo não aconteceria se fosse um ente querido seu o consumidor das tais drogas.

 

La Casa de Papel e o 'efeito' Breaking Bad

 

O mesmo acontece em La Casa de Papel. El Professor (Álvaro Morte), arquiteta um ousado e louvável assalto que o isenta de maiores julgamentos por parte do expectador pelo fato das condições propostas por ele, que são: não derrubar uma gota de sangue e não tirar literalmente do bolso de ninguém. Eles ‘produzem’ seu próprio dinheiro. Mais de 2 bilhões de euros. Personagens como o ingênuo Rio (Miguel Herrán), o vitimizado Denver (Jaime Lorente) e até mesmo o astuto Berlim (Pedro Alonso), tornam ainda mais difícil a tarefa torcer pelo mocinho impoluto a partir do momento que entendemos suas motivações.

 

La Casa de Papel e o 'efeito' Breaking Bad

 

Semelhanças acontecem em Dexter comparado à recente Louva-a-Deus. Assassinos habilidosos passam a contribuir com a polícia, caem nas graças do público e alcançam a redenção. Mas isso é assunto para outro artigo.

Torça sem culpa.

Até a próxima.

Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.

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