Review TBX | Mother!: A teoria por trás da crítica

Aviso! O texto a seguir contém spoiler

 

No fim de setembro, Mother! chegou aos cinemas. Dividindo opiniões o mais novo título de Aronofsky veio envolto a bastante expectativa, diante dos feitos Cisne Negro e Noé. Quem entrou no cinema, saiu no mínimo perturbado e é provável que muita gente não entendeu o filme. Nós da Trecobox fomos conferir e trazemos para você o review de Mother!

 

 

Para criticar Mother!, primeiramente nos amparamos na seguinte teoria: o filme são alegorias bíblicas e sociais.

Outro ponto que devemos frisar aqui é que entendemos o filme como algo 100% subjetivo. Tudo representa algo muito além do que os olhos podem ver, e talvez daí sai o motivo de muita gente não ter gostado do filme. Era necessário repertório.

Prova disso, é o fato de que nenhum personagem é creditado com um nome específico.

Desde o primeiro cartaz do filme, Jennifer Lawrence que dá um show de interpretação, aparece leve, entregando o coração, envolta a flores e plantas simbolizando de fato uma mãe, a mãe natureza.

 

 

O personagem Javier Bardem, que no filme interpreta uma espécie de poeta/escritor/criador é creditado como Ele ou Him, com inicial maiúscula, assim como é referido Deus, quando usamos um pronome para Ele.

No início, tudo é silêncio e espaço, existe uma grande casa, com Javier Bardem e Jennifer Lawrence contracenando. Lawrence surge como a natureza, decorando a casa, que seria a representação do mundo e Javier Bardem com uma intensa necessidade de ver a casa povoada e uma certa dificuldade em criar, para resolver algo que o aflige. 

Essa primeira passagem seria uma alegoria de Gênesis, o primeiro livro do Antigo Testamento.

Além do casal, o primeiro personagem que aparece é o de Ed Harris, como o primeiro hóspede da casa. Ele pode ser visto como a representação de Adão, o primeiro homem a habitar a Terra. Devido a sua forte influência sobre o personagem de Javier Bardem e sobre a casa, Lawrence, a mãe natureza começa a se sentir incomodada. 

 

 

É justamente após a cena, em que o personagem de Ed Harris está passando mal e que Lawrence o encontra debruçado em um vaso sanitário com um ferimento na costela, onde o que temos na sequência a seguir é a primeira hóspede mulher a chegar na casa, a personagem de Michelle Pfeifer, ou Eva.

 

 

Adão e Eva começam a explorar o ambiente e a personagem de Jennifer Lawrence chega a repreender Eva, para que esta não entre num dos cômodos da casa onde está uma atraente e frágil pedra. Contrariando as recomendações, Ed Harris e Pfeifer não só entram no cômodo como também quebram tal preciosidade. Simbolizando assim a traição dos humanos ao comerem do fruto proibido. É nesse momento inclusive que Lawrence tenta expulsá-los (seria do paraíso?).

A partir desse evento, entram em cena os personagens de dois irmãos, interpretados por Domhnall (Irmão mais velho) e Brian Gleeson (Irmão mais novo) respectivamente. Eles se apresentam como os filhos de Ed Harris e Michelle Pfeifer, brigando como Caim e Abel. No final da atônita cena, Caim, mata o personagem que seria Abel e ainda é marcado na testa. Exatamente como descrito na Bíblia.

Depois várias pessoas começam a entrar na casa, como que para compartilhar da dor de Michelle Pfeifer em uma triste celebração. Nesse momento, o personagem de Bardem, diz que embora morto o personagem de Brian Gleeson, ainda fala – remetendo a mais uma passagem da Bíblia.

A partir de então, inicia-se a alegoria de Noé (filme bíblico de Aronofsky inclusive). Há muitas pessoas na casa durante a celebração, ultrapassando os limites de respeito e espaço, deixando bastante irritada a personagem de Lawrence. É quando que de maneira provocativa, dois personagens quebram a pia da qual a Mother! pediu para não se apoiar, e juntamente com a chuva, a casa torna-se alagada pela quebra dos encanamentos. Num ataque de fúria, Jennifer Lawrence expulsa todos da casa até ela se tornar novamente vazia. Representando o dilúvio.

Após esse episódio, é novamente instaurada a paz e o silêncio. Lawrence e Bardem se reconciliam, fazem amor e na manhã seguinte, a “mãe” está grávida. O “Deus” torna-se bom, caridoso e criativo, fazendo sua mais emocionante obra (muito assemelhado ao Deus do novo testamento).

Depois, o momento de paz cai por terra novamente. Pessoas de todo mundo invadem a casa como fãs enlouquecidos pela obra publicada pelo personagem de Javier Bardem. Num determinado momento, é importante destacar que o seu personagem diz que todos entenderam a obra dele, mas cada um teve a sua interpretação (seria a Bíblia?).

A partir daí, a vida de Lawrence (agora como a Virgem Maria que carrega o filho de Deus) torna-se um inferno, literalmente. Somos então surpreendido por infinitas passagens de guerras mundiais instauradas em uma só casa, e aí entra o contexto social onde é questionado até onde vai a perversidade do ser humano, até onde vão as guerras por questões religiosas ou em nome de um Deus.

Finalmente conseguindo ter o bebê, Lawrence tem ele retirado de seus braços por Bardem que o entrega ao povo, e este bebê morre de braços abertos pelas mãos desse povo (seria Jesus Cristo?).

A personagem de Lawrence então se revolta, a o coração, que esta sempre ouvia bater dentro da casa, torna-se escuro e sem luz. Ela explode num surto de raiva, matando milhares de invasores, representando a resposta da natureza sobre as atrocidades humanas. 

 

 

O filme está quase no fim, e Jennifer Lawrence, causa um incêndio na casa matando todos em seu caminho. Exceto o personagem de Javier Bardem, que não sofre um arranhão, mais uma vez vindo a tona que ele é de fato Deus. Completamente carbonizada ela questiona quem era ela o tempo todo e se ela não era o suficiente para Ele, pois dela tudo foi retirado e mesmo assim Bardem continuava a querer mais. Bardem responde que ela era a casa (Mãe Terra?) e que se ela fosse o suficiente ele nunca poderia criar. Após retirar o último suspiro de vida de Jennifer Lawrence, ele retira seu coração envolto em cinzas, e de seu centro encontra uma pedra, que ele recoloca num pedestal renovando magicamente toda a casa diante do incêndio e fazendo nascer uma nova mãe no lugar de Lawrence. (Do pó viemos e do pó retornaremos) Colocando em pauta novamente o potencial de renovação citado na Bíblia.

Extremamente complexo, sem dúvida Mother! é um dos filmes mais intrigantes desse ano. Com uma plástica impecável e composições fortes que causa desconforto a qualquer telespectador, o novo título de Aronofsky é um filme que provoca.

Definitivamente ele não foi feito para te agradar. É de mexer com o psicológico.

 

 

 

 

9
Mother!
PRÓS
  • Ótimo elenco e interpretação.
  • Fotografia exemplar.
  • Ótimo trabalho de cenografia
CONTRAS
  • História complexa.
  • Requer repertório.
  • Narrativa confusa.
  • HISTÓRIA
    7
  • ELENCO
    10
  • DESENVOLVIMENTO
    9
  • PRODUÇÃO
    10
  • ORIGINALIDADE
    9

Radialista formado se especializando em direção de arte. Sagitariano, sonhador levando a vida buscando paz, amor e um lugar ao Sol. Cinéfilo, aspirante a roteirista. Aquele otaku paulistano que vê animes nas horas vagas, lê mangás no transporte público e faz cosplays pra tirar uma onda. Geek por consequência. Sucesso é uma jornada, não um destino, tenha fé na sua capacidade, esse é meu lema.
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